In neutral what was accelerated, but symphysis I don't know what it is, we only know now from cracks, cracks and stains on the walls and the foundations, everything seemed on the rails, pretending to be happy everyone, but in neutral everything is, the house it's just cockroach bark and amputated ants under the yoke of tiny being, dread in the shop windows in the old night of artificial lights, yes, in reverse the old structure of grinding meat and minds - opera of the dead* crowning the days of the living, all reacting as a zero behind the mask.*
*: Opera of the Dead is an allusion to Autran Dourado's book (1926-2012, MG, BRAZIL) Translated with www.DeepL.com/Translator (free version)
Darlan M Cunha publicou os livros Umma (romance, Editora Virtual Books - Pará de Minas, MG), Esboços e Reveses: o silêncio (poesia, Editora CBJE - RJ), O ar em seu estado natural - Textos sobre letras do Clube da Esquina (Editora CBJE - RJ). Entende-se com um instrumento musical, tenta aprender entradas e bandeiras, preparando-se para encontros e despedidas, apreende algo mais da sociologia e da psicologia dos fatos cotidianos.
Alguém abala o aqueduto anônimo ator ou atriz que já não propõe nada a um cotidiano só luto. A aldeia é afã, quer ver a criatura anular empecilhos e finalizar-se em silêncio, sofrendo por adeus as circunstâncias de cada um virando as costas, ou não, a quem as costas ao mundo virou.
327
Alas, celas, corredores, passagens secretas
Madeiras policromadas e mais peças em alabastro – santas santos anjos pastores e profetas do barroco e o diabo sobre a colina* pó de ouro, prata e pedraria padres e noviços e alunos dançarinos bem jungidos pelo pescoço, ó tempo sacerdotal de discentes e docentes em riste, gozos num turbilhão de gonzos e tramelas - vidas lacradas à bisbilhotice da aldeia, em vão.
*: Il Diavolo sulle colline. Livro do italiano Cesare Pavese [1908-1950]
309
Mar esteve aqui
O mar esteve onde estamos até se fartar (essas marcas dizem de sua estadia) e se mais pouso aqui não fez se após milênios se afastou premido pela angústia por mudança de relevo, algo assim quase como mudança de sexo, talvez, o mar não teve saída mas continua no de sempre levar amores e desamores, molhando e acendendo pavios do sim e do não nos hábitos de distantes aldeias no tempo de seca e no de cheias que o que mais nos move é o que ainda é só imaginação.
305
As mãos em uso
Nos rumos do dia, crispadas, as mãos parecem rede de pesca, uma peça de roupa mal cerzida, puxada por pinças elétricas com o mundo agarrando-se a elas desconhecidos pedindo notas em sol ou em ré menor, pois todos nós nos atrasamos de nós mesmos, perdemos de vista o Outro, até que a carência entra de vez no palco, e as mãos enfim se armam em torno da madeira logo transformada em barco - porque música é onda.
280
Homo erectus pekinensis
Meng Jiangnu, cujo marido morreu na muralha do Império do Meio, tirou do seio a dor feita de conhecidos tijolos, porque intuía o que se fizera da abundante argamassa: ossos dos milhares que lá estiveram, ossos triturados à moda da Casa, misturados à receita para colagem, sim, todo muro exige que se lhe faça jus aos intentos e Meng Jiangnu cantou sua dor, segundo a lenda, não sabia das asperezas da arquitetura de defesa, menos ainda de vontades internas bem arquitetadas. A canção de Meng cobre toda a China e nenhum bambu a desconhece mas nenhum rastilho de pólvora leva o nome dela.
322
Hammurabi
No tempo dele, falsear grãos ungia com punição exemplar os faltosos, que a terra, sob código severo, acre como lâmina em riste, sempre exigiu cuidados e enviou recados sendo pouco todo esmero no lanço de grãos sobre valas; e se eu paro e tu te calas diante do clima imprevisto e do que podem os homens em sua pressa por caules e brotos ainda que às avessas da lei (sem raiz parece a gênese de certos homens, mas quem falseia perde nome), mais afiada se torna a lâmina na feira de rua, em silêncio, quase nua.
372
Da família das alusões
"Se um boi, indo pela estrada, investe contra alguém e o mata, não há motivo para indenização."*
Se um homem, indo em meio a uma plantação que não é sua, come da mesma, e se farta de sono e de libidinagem solitária, este homem será elevado à nona potência das cobranças: Como se fosse uma boa constrictor quebrando os ossos e a respiração de um novilho, fazer-lhe o mesmo.
Se um nome sem guarida, sem família e sem outro rastro da condição humana, animal, estende a mão a inquilinos do prazer, o que fazer?
"Decerto, não ouvirás mais..."*
310
Venenos não dormem
Não se cria impune um rei fraco - há-se que estar atento aos degraus do trono, da fé, da cama, ou ele poderá entrar em coma, cair, sim, que os venenos não dormem todos sabem, e assim é que para se manter um rei fraco é preciso mais que choro, voltas nos gonzos e nas fechaduras por trás das tramelas é preciso mais que as vozes do coro e o lombo de um animal.
Um rei fraco pode durar muito, porque são muitos e muitas as sanguessugas sob frenesi ou algazarra, quase tudo sendo possível em tal corte: lírios e arras, e assim fiz de ti o meu rei do qual retiro sombras e alfombras, és minha carne cotidiária (não ossos, teu osso sou eu que me tornei tirano de rei). Um rei pífio pode durar mais do que possa entender a vâ pedagogia. Venenos são insones.
345
Encontra-me na página 577 do Codex Gigas
Muito já se disse do silêncio e da peste negra atual - extenso metrô com mil bocas e, parece, saídas escassas.
Um riso antigo, sem data, sem nome, prenome e sobrenome sem gênese conhecida (partenogênese ?) aflui
deste Ser cabal na existência geral. Sentado, anda. Se dorme, sabe onde escondes a doceira e a salina.
312
O rosto na pia
Posso me dar de inferno mas não me conte celeste que a dívida para comigo é vasta quanto os inúmeros pingos no i de que são faltos certos selos de mãos e sorrisos amarelos.
A louça em festa, la siesta virá a cavalo, melhor, sutil como uma aranha, um peixe uma biba, uma notícia-breu.
Claro que sim, prezado: ambos sabemos que todos podem e devem escrever. Mas até que quase todos entre todos evoluíssem da mera curiosidade de criança que aprendeu a andar, boa parte poderia e deveria escrever para si. Alguns anos de fermentação, portanto. A superpopulação de agulhas diletantes em meio ao palheiro, torna difícil, doloroso e até sangrento procurar por uma palha, que seja. Tendo a crer que o mecanismo de seleção natural é manco: a tendência inegável é que o capim sufoque e mate o trigo e que o abraço fatal dos cipós nas árvores transforme toda a floresta em um deserto verde. Em outras palavras, o bom não é coisa que sobressaia. Morrem, a rigor, todos no mesmo emaranhado de tertúlias das quais todos se afastam, desanimados e incrédulos, ao final das contas.
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