In neutral what was accelerated, but symphysis I don't know what it is, we only know now from cracks, cracks and stains on the walls and the foundations, everything seemed on the rails, pretending to be happy everyone, but in neutral everything is, the house it's just cockroach bark and amputated ants under the yoke of tiny being, dread in the shop windows in the old night of artificial lights, yes, in reverse the old structure of grinding meat and minds - opera of the dead* crowning the days of the living, all reacting as a zero behind the mask.*
*: Opera of the Dead is an allusion to Autran Dourado's book (1926-2012, MG, BRAZIL) Translated with www.DeepL.com/Translator (free version)
Darlan M Cunha publicou os livros Umma (romance, Editora Virtual Books - Pará de Minas, MG), Esboços e Reveses: o silêncio (poesia, Editora CBJE - RJ), O ar em seu estado natural - Textos sobre letras do Clube da Esquina (Editora CBJE - RJ). Entende-se com um instrumento musical, tenta aprender entradas e bandeiras, preparando-se para encontros e despedidas, apreende algo mais da sociologia e da psicologia dos fatos cotidianos.
Por que essa roupa a escolhida, entre outras sedentas de verem o dia e a noite vivendo toda a assimetria social calcada em histórias e estórias de tantos que se foram, de muitos que por aí estão vestidos de baratas tontas, ou não ?
Por que se escolhe essa e não aquela fivela para compor o fato, essa camisa e aquela calça bem como o intento vitorioso de certa cor ?
Não pergunte não responda - diz a canção.* Vá do jeito do teu dia. Vade retro, criatura.
313
Lâmina
A lâmina que abre o alimento fere a tábua com riscos que lembram a peruana Nazca, ó Belzebu, tal cozinha é o avesso do que conheço de cortes e de fogo em alto e baixo relevo, e se a ela me atrevo mais me quero distante dessas paredes com enredo de palatos em lascívia, nenhuma fobia no ambiente onde a faca abre, corta e recorta convidando a que se abra a boca e se feche a porta.
364
Anelo
No jardim ao lado uma banda respinga canções logo de manhã uma leitoa no rolete e fogos de artifício (para os de armistício a história é outra), maritacas no jardim da vizinha uma hera me adverte que solo bom é o de clarineta em dueto com viola - pura demência no jardim ao lado.
349
Conservatória
Ouvir de leve cada tendência, cada naipe pondo assim o teu nome na pauta do dia no que houver de sustenido e bemol soltos pelo siso da flauta e pelo suor do trombone escorrendo pela rua com algum tema novo para velhos enamorados, vá lá, para jovens pendurados numa sextina, que um bandolim já assevera ter reinventado a roda de samba, então, por mais que possas cantar a tua apologia à Musa através de um staccato ou de um improviso em sol sustenido maior, ou menor, melhor que vás à praça e subas na locomotiva indo em busca do que talvez ainda não existe.
2.
Duas peles, dois tambores vi rufarem um hino e a mim não me pareceu estranho que ambos tanto se dessem nos abertos da aldeia tanto se dessem zangão e abelha um ao outro, inquiridos de distância prudente por quem um dia tambor se fez couro de ovelha.
3.
Pareceu-lhes a todos terem sentido bem o que o som lhes dava: o fim do cansaço vindo de cada boca e de cada braço de instrumento. E se ergueu lá mesmo um monumento ao silêncio.
408
O que me deste era tanto que se acabou
Em torno do espanto não há dúvida porque o amor não se furta em ser ciranda ou fuzarca, seus veios não se negam em abrigar seu contrário como se abriga um segredo de sangue, um favor no armário - condições que muitos consigo levam e assim o mundo nunca saberá que riquezas ignora, a quanto trigo impõe sua rudeza o joio que só conhece o próprio umbigo.
321
Na China há um rio chamado Nu
À espreita, sou homem solteiro, em torno a mim formam-se vazios círculos de gases, redemoinhos ouço que me querem numa trempe os de sempre: invejosos de que suas mulheres comigo sejam aves, sépias, lagartixas, camaleoas, sim o futuro é pouco para mim que invento ser homem sem viveiro quando, de verdade, nem existo.
324
Quase esfinge
Um lugar para o estudo da astronomia - esse veio da grande anatomia - precisas saber que corpo celeste te afugenta de ti que emagreces a olhos vistos, feito um jequitibá doente, um cristo em vias de deixar o teto do prédio, nédio que és, urge que venças tal consumpção, lembra o peixe morre por falta de toca.
377
Arar em círculos
Um dia, sonhando acordado, entraram na cama premissas e promessas, lírios e delírios do campo e do asfalto, drama de polvos sépias e camaleões vendendo eixos de conduta ao paralisado, bem e mal amado pelas criaturas com um ponto em comum: o rabo: anuros micruros macruros - o que os denunciou a mim, de rabo preso sem fim.
311
Cume e cúmulo
No cume das coisas está o por trás do fato: acalanto ou suicídio, leis ou perda de memória, cúmulos no céu avisam sobre o clima, porém o cúmulo do espanto instrui que em toda ação falta algo, de tudo o que nos infesta nada se completa (então é preciso estar atento e forte alheio à sorte), avisa que nunca se atinge de fato o extremo e que no amanhã, no ontem e no agora é preciso saber que um barco com avarias é o que se é vida afora.
459
Lugares
Conheço um lugar sem nome e sem datas cobrindo o ir e vir cotidiano onde inexiste o hábito de roer unhas e assim, por exemplo, o lar se torna um suborno difícil de ser aceito um laboratório que se abre de colmeia mas é pesadelo cobrindo o trajeto garagem-escada-sala-banho-quarto uma aldeia comum, que não desmoraliza o espanto.
Conheço um lugar com nome e datas cobrindo o ir e o vir da fala das ruas nas quais, após lutas, vige o hábito de se roer unhas e assim o lar se torna um suborno fácil de ser aceito (livros na varanda, bike na escada)* neste laboratório que se abre de colmeia às vezes pesadelo cobrindo o ir e o vir da sala ao quarto enfim uma aldeia "que desmoraliza o absurdo".*
Claro que sim, prezado: ambos sabemos que todos podem e devem escrever. Mas até que quase todos entre todos evoluíssem da mera curiosidade de criança que aprendeu a andar, boa parte poderia e deveria escrever para si. Alguns anos de fermentação, portanto. A superpopulação de agulhas diletantes em meio ao palheiro, torna difícil, doloroso e até sangrento procurar por uma palha, que seja. Tendo a crer que o mecanismo de seleção natural é manco: a tendência inegável é que o capim sufoque e mate o trigo e que o abraço fatal dos cipós nas árvores transforme toda a floresta em um deserto verde. Em outras palavras, o bom não é coisa que sobressaia. Morrem, a rigor, todos no mesmo emaranhado de tertúlias das quais todos se afastam, desanimados e incrédulos, ao final das contas.
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