Lista de Poemas

Enquanto pestaneja o dia...




Depressa ali cheguei
escrevendo histórias
com poesia acompanhada
de versos datilografados
na minúcia de todos
os detalhes tecidos
com arte e alegria
Ali
me libertei
de todas as embriagantes
palavras intuitivas
onde sem mais censuras
te recrio
habilmente numa estética
inexplicavelmente,absoluta
analítica...sintética
Ali
enfeitamos cada instante
de vida
aniversariamos o tempo
com unânimidades quase
fatídicas
Ali
expressei-te a minha
linguística em meigos afagos
enamorados pela tua sintaxe
Ali
choraminho por teu
carinho
Ergo-te eclético um poema
dotado de estética
escrevinhando louco
e poético
toda a minha existência
Ali
sei-o
tudo sabe a pouco
até a quietude profética
esperando-me a cada
momento caprichoso
onde me entrego
pra me enxagures todas
as lágrimas desta rompante
e tão colossal saudade
Ali
emprestamos nossas asas
ao doce esvoaçar de cada
emoção
ausentando-nos ali
entre ecos pardacentos
desfilando sigilosamente
em comoção

Ali
todos os destinos sequestram
até o tempo que amadurece
aperfeiçoando-te
redesenhando com
giz e simplicidade
na elíptica e redundante
lágrima que deambula
regurgitando piropos baloiçando
em toda a minha monotonia itinerante
Ali
recordar-te-ei
transladando cada pensamento
assim devagarinho
colorindo teus céus ofegantes
Desejarei afogar-me
fatalmente em cada pestanejar
da noite
assim acorde o dia
e nós ali
radiantes, reencontramo-nos
consumindo cada parcela do tempo
lenta e extravagantemente

Frederico de Castro
493

Almost Blue - a Chet Baker




Quase azul
Reescrevo no pedestal dos céus
Toda a infinita
E insinuante harmonia
Onde pernoito e me apascento
Nos ritmos da tua
Irrecusável guarida


Frederico de Castro
715

Goteiras de alegria




Em gargalhadas soltas
compartilha a chuva
O perfume do dia
Despe-se esguia
em goteiras
de alegria
por tantos sorrisos
desaguando em
vendavais de euforia

Frederico de Castro
581

Infinito tudo





Quando foi que trocámos

nossas confidencias

mastigando doces palavras

salteadas em gomos de poesia

sem mais rompermos o amor

com outras divergências


Quando foi que depositámos

neste infinito tudo

as sombras carentes

permanecendo só em nossos

entes irreverentes uma pluma

de poesia silenciando a soleira

de nossas almas dirimindo toda

a sentença de vida que jaz dispersa

entre todos os Universos que se apressam

em fugas por mim explodindo

perante o olhar de toda a eternidade

que todas as fés do mundo professam


Quando foi que nos deixámos

abraçar naquela noite

onde convergiam unânimes

todos os ensinamentos embalados

numa oração perfumada

por mil felizes e alucinantes existências


Quando foi que o mundo cegou

o tempo parou

o rumo mudou

a liberdade sobreviveu

neste pensamento veloz

que sôfrego invento


Quando foi...nosso infinito tudo

deixado neste momento de tempo

imortalizado em cada milímetro de esperança

colorindo cada hora deste imenso

sedento e feliz comprometimento

Quando foi...?


Frederico de Castro
504

Em tons de azul





Entre espantados céus azuis

caminha toda essência límpida

do tempo frágil

onde se entreabem

gotas de luar

adocicando as paisagens

onde apascento o infinito

ser dançando em tons de vida

amanhecendo

rigorosos,virtuais...


Frederico de Castro (para o André Mingas...sempre)
611

Cidade Luz




Sinuosas sombras

pernoitam por entre elegantes

passos colorindo o Cartier Latin

onde perambulam coniventes melodias

quase delinquentes e tão apaixonantes


- Suavizo a luz inerte

que embebeda todo o ser em comoção

confeccionando a linguagem bravia

que brota fluorescente de emoção


- Foi-se a luz da luz

apascentando caminhos de escuridão

Foi-se o tempo

e nem deixou pra adoção

os ecos da noite consumindo

o brilho impalpável e caloroso que some

em tuas mãos


- Sumiram nos ventos como grãos de amor

semeados na eira dos tempos

como todo apetecível abraço

fundido num imaginário silêncio

que desbravo entre esboços

e rascunhos que refaço


- Não mais o sossego breve

me desampare

nem o escrutínio deste verso

me enclausure em toda a expontânea

brisa que a luz da manhã

em fragmentos de criatividade

faminta de cordialidade

chilreando delicada

nos inebrie e ampare


- Apenas mais um pouco

e deixarei rejubilar o sol

que teu olhar perfumou

Deixarei metódicamente

em cada redimida inspiração

versos sublimes e expectantes

na efeméride de tempo que jorra

infiltrando-me desesperado

em conspiração

Ilumine-se tua IGUALDADE, Paris

Transfiguremos toda a LIBERDADE

Eternizando com cânticos geniais

tua imensa FRATERNIDADE

FC - a Paris com amor...

519

Sombras manietadas




Soltam-se as sombras

no lajedo do tempo que

foge amedrontado

Reergue-se porém

delicado

o gomo de luz

clareando os sótãos na noite

reflectindo o vulto

solitário onde brilham

todos os meus irrequietos

silêncios manietados

Frederico de Castro

521

Sempre...e para sempre




Sempre ...e para sempre
me sentirei consolado
quando neste poema
tua existência feliz
em meu ser silenciosamente
adormecer
emprestando-me um abraço
estrito e sem mais limite
tão docemente profilático
Sempre ...e para sempre
encontro-te de certeza
ali me devorando
a alma carente
e tão desassossegada
em fuga ágil pelos beirais
de uma prodigiosa palavra
que em nós habita feliz e tão empolgada
Sempre ...e para sempre
reencontro-me em ti
nem que as palavras
se percam nos hemisférios
mais fustigados
deste mundo
Acordarei coligado em ti
num sentido verso
que desfibrilha e deambula
pelo coração empolgado
no terno poente que por nós
se esgueira, exalando...feliz e refastelado
FC
427

Lençóis de Luar





Entre lençóis do luar
galopo iluminando
todas as pegadas deste verso
emergindo na grafia eloquente
onde de enxurrada derramas
teus prantos
fertilizando a terra na foz
de todos os nossos encantos...


Frederico de Castro
492

Presídio de mim






Recordo tudo com a memória

vinculada em mim

Engaveto saudades em prateleiras

disponíveis no passar dos tempos

Faculto à liberdade todas as

algemas onde imponho

cada presídio cativo dentro de mim

Deixo pra outros uma

parcela de futuro

onde não cabe mais

a centelha de tempo passado

enterrado...prematuro

Deixo-me saborear em cada maré

sorvendo a maresia

renascida no invólucro do tempo

apressadamente renovado

desbravando cada madrugada

ao teu jeito... nesse vai e vem

cavalgando nos acordes do destino

que tão aconchegado a mim

acalenta e anestesia

Escuto nos ventos

outras badaladas em

cada hora onde vago

esmaeço felizes e irrequietas

memórias

deixadas na colecção dos

murmúrios virtualmente

escritos em cada inescrutável

momento da história

Fugi pra sempre

e nem endereço te deixo

sei somente onde plantar

cada detalhe inesperadamente

tatuado na doçura de um sorrido

tão crucial...tão tacitamente

Perpetuamos instantes

deixando nossas indumentárias

vaporizar-se furtivas

rasgando a noite

com céus adornados de desejos

simétricos, intuitivos

conspirando por entre sombras

desta vida se escapulindo

em versos renovados na amalgama

de tantos abraços que deixei

expontâneamente quase,

quase de improviso


Frederico de Castro
609

Comentários (3)

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asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!