José_Carlos_de_Souza

José_Carlos_de_Souza

n. , Bahia

Perfil
23 352 Visualizações

(visão de um xamã)

quando os ventos incorporarem os sons das palavras proibidas
a esperança libertará a visão
quando do chão o futuro surgir em rastros seguros
será hora de sair do chão

quando os passos fingirem caminhos
será preciso abandonar a trilha e recolher o destino
quando a madrugada matizar o nascente
soará o alerta do tempo vencido. será preciso recuar para prosseguir

após o último suspiro - o recomeço - a revolução
após o último giro - o salto - a evolução

as águas se acalmarão no azul
o milagre da semente se fará fartura

o sol continuará sol
manada de luz a nos abrasar

sagrados segredos guardados na terra
e dentro de nós laços imantados de paz
Ler poema completo

Poemas

78

(visão de um xamã)

quando os ventos incorporarem os sons das palavras proibidas
a esperança libertará a visão
quando do chão o futuro surgir em rastros seguros
será hora de sair do chão

quando os passos fingirem caminhos
será preciso abandonar a trilha e recolher o destino
quando a madrugada matizar o nascente
soará o alerta do tempo vencido. será preciso recuar para prosseguir

após o último suspiro - o recomeço - a revolução
após o último giro - o salto - a evolução

as águas se acalmarão no azul
o milagre da semente se fará fartura

o sol continuará sol
manada de luz a nos abrasar

sagrados segredos guardados na terra
e dentro de nós laços imantados de paz
373

(amanheço pássaro)

amanheço pássaro
com o canto preso na garganta

fiz-me bruxo amotinando sortilégios
dispenso elogios, busco amavios
tenho o tempo disperso da memória

carrego o mundo em minhas mãos
cortes e cicatrizes de guerras e motins

sou o começo e também sou o fim
nas vozes que alimentam o caminho

todos os passos sedimentam nossa existência
341

(qualquer viagem)

quando olho pra você
o tempo para na retina

o sol insólito se perde
nos fiapos da neblina

o horizonte franze
e sutilmente se inclina

no hiato da vertigem
qualquer viagem alucina

não pede paz nem silêncio
é amor que desatina

sem cortina de fumaça
nosso céu se ilumina
326

(na boca da noite)

na boca da noite
bailam as línguas
em beijos roubados
 
de peito aberto
e olhos fechados
sigo folheando a alma
 
colho segredos
com as pontas dos dedos
neste céu de seda suave
 
há algo por trás do acaso
leis que trocam os sinais
luzes abrindo os portais
 
para que o meu coração
conecte-se ao teu
e nossos sonhos sejam reais
322

(psicotrópico)

plantar no mar
as estradas, abrir caminhos
sinalizar estrelas
perder o medo, ver moinhos

agora o tempo sobra
a tarde reparte silêncios
na sombra que sopra

a noite referenda o mito
mas cobra o preço do sacrifício
esses paraísos são meros artifícios
banais e fazem parte de um rito

rugir quando a lua surgir
ou esperar o que não é soul nem pranto
eis a cota do devaneio e do espanto
373

(o sol na cumeeira)

tocar os acordes
como quem toca as estrelas

com o sol na cumeeira
sentir o pulsar do momento

acordar as flores
por o jardim em movimento

para que o circular da vida
transporte as nossas cabeças
366

(Sol de Glauber))

faca de gume afiado
a dialética do caos
coloca lado a lado
os bons e os maus

rio perene, imaginário
nuvens de arribação
são pés cortando caminhos
é o sol castigando o sertão

terra seca, esturricada
abrindo-se em estrias
mostra-nos a saga macabra
de um povo em agonia

o céu ardente cria redemoinhos
mó inclemente nos reduzindo a pó

imagem triste e degradante
de uma região esquecida
onde, 'o sertão é quase nada
e não tem quase nada.'
370

(Belatucadrus)

e vinha, aura mítica
na palidez da neblina

talvez sofresse
e ninguém soubesse
talvez amasse
ou louco estivesse

olhar sagrado metia medo
chama viva queimava entre os dedos

o hálito quente dilacerava os nervos
em tempos de guerra
a alma mística animava a carne
em delírios de paz

noite mascarada de estrelas
deuses em trajes mundanos
408

(quermesse)

se eu soubesse
cantar cantaria
ou faria uma prece
se eu pudesse
dançar dançaria
mesmo quando
música não houvesse

a cada passo um caminho
para cada cabeça um sol

se você quisesse
o mundo lhe daria
com tudo que lhe apetece
viajaria no tempo
e com estrelas
nos olhos voltaria
aos dias de quermesse

se eu soubesse cantar cantaria
se você quisesse o mundo lhe daria
399

(retórica do caos)

querer
só é poder
na retórica do caos
532

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.