Lista de Poemas
Pacto
Eu te amei, num vazio inexistente,
amei a folha em branco, que encontrei.
Amei como uma puta ao seu cliente,
sem medo de ferir nenhuma lei.
E sei que procurei ser eficiente,
nas formas desse amar. Eu me apliquei!
E, sob aquele foco e aquela lente,
nos palcos do meu leito, foste rei.
Ah! Vozes desta parca lucidez,
o confronto titânico das eras
reduz a nada, a escolha que se fez.
Despojos pelo campo das quimeras
indicam que se foram de uma vez,
as pautas, que a seu tempo, eram sinceras.
Nilza Azzi
Nilza Azzi
amei a folha em branco, que encontrei.
Amei como uma puta ao seu cliente,
sem medo de ferir nenhuma lei.
E sei que procurei ser eficiente,
nas formas desse amar. Eu me apliquei!
E, sob aquele foco e aquela lente,
nos palcos do meu leito, foste rei.
Ah! Vozes desta parca lucidez,
o confronto titânico das eras
reduz a nada, a escolha que se fez.
Despojos pelo campo das quimeras
indicam que se foram de uma vez,
as pautas, que a seu tempo, eram sinceras.
Nilza Azzi
Nilza Azzi
46
Origens
Um espaço sagrado, uma esfera privada,
não é grupo qualquer, é coeso, é unido.
E não há nada igual, é vital seu sentido,
é o motivo de tudo, é a mais bela florada.
Se, por vezes, se encontra, esse elo perdido,
e se existe uma angústia, uma dor abafada,
o que une essa massa está lá, na fornada,
e não cabe a cisão, isso não faz sentido.
É uma força tão forte, é assim que defino
a matriz que nos traz, à nossa humanidade,
a melhor opção ao mútuo crescimento.
Família é essencial ao ser de amor sedento,
ao núcleo mais interno, à nossa alma e há de
valer-me à solidão, encher de luz meu imo.
Nilza Azzi
38
Ponto de vista
Não há fazer algum, nem nada que se possa,
por mais que haja vontade, esforço e grande alento,
fazer para agarrar, com nossas mãos, o vento
(não pode o vento ser alguma coisa nossa).
Vai livre em seu caminho e, sem qualquer intento,
cabe às aves, ao céu, ao mar que forma a poça,
que logo irá sumir nos grãos da areia grossa,
ou cabe ao descampado inerte e sonolento.
É aquele que, ao deserto, as formas sempre alteia...
Se o que aparece além, lutando contra a areia
parece, ao nosso ver, apenas um camelo,
um outro pode olhar, mas não consegue vê-lo,
portanto, afirmará: – O que vi logo adiante,
podia até jurar que fosse um elefante!
Nilza Azzi
por mais que haja vontade, esforço e grande alento,
fazer para agarrar, com nossas mãos, o vento
(não pode o vento ser alguma coisa nossa).
Vai livre em seu caminho e, sem qualquer intento,
cabe às aves, ao céu, ao mar que forma a poça,
que logo irá sumir nos grãos da areia grossa,
ou cabe ao descampado inerte e sonolento.
É aquele que, ao deserto, as formas sempre alteia...
Se o que aparece além, lutando contra a areia
parece, ao nosso ver, apenas um camelo,
um outro pode olhar, mas não consegue vê-lo,
portanto, afirmará: – O que vi logo adiante,
podia até jurar que fosse um elefante!
Nilza Azzi
39
Os pastores
Ia o velho pastor por uma estrada,
no rumo sem razão do seu caminho.
Esquecera da ovelha desgarrada:
− O rebanho, um detalhe comezinho.
E pelos vales, pelos montes, nada
podia desviá-lo... Ele, sozinho,
olhava a vastidão desamparada,
sem chances de voltar ao velho ninho.
No rumo oposto vinha uma pastora,
de uma simplicidade sedutora,
um toque de poesia ao seu redor...
Se cada qual a própria cruz levava,
a força que os sustinha, embora brava,
não fez de sua vida algo melhor.
Nilza Azzi
no rumo sem razão do seu caminho.
Esquecera da ovelha desgarrada:
− O rebanho, um detalhe comezinho.
E pelos vales, pelos montes, nada
podia desviá-lo... Ele, sozinho,
olhava a vastidão desamparada,
sem chances de voltar ao velho ninho.
No rumo oposto vinha uma pastora,
de uma simplicidade sedutora,
um toque de poesia ao seu redor...
Se cada qual a própria cruz levava,
a força que os sustinha, embora brava,
não fez de sua vida algo melhor.
Nilza Azzi
46
O singular plural
Despencam águas claras das vertentes.
É ilusão o que nos move, é sonho?
Espanto abominável, mal medonho,
destinos controversos, diferentes...
O céu exibe o cinza, o tom tristonho,
e nunca são os fatos permanentes.
Presságios! Neles não creem os crentes,
mas fé em tal descrença jamais ponho.
Não há em fonte alguma a clara voz
do som que atravessou o temporal.
O lago deixará a calma após
a fúria de algum vento ocasional.
O alívio da verdade cabe a nós
no encontro singular, talvez plural.
Nilza Azzi
É ilusão o que nos move, é sonho?
Espanto abominável, mal medonho,
destinos controversos, diferentes...
O céu exibe o cinza, o tom tristonho,
e nunca são os fatos permanentes.
Presságios! Neles não creem os crentes,
mas fé em tal descrença jamais ponho.
Não há em fonte alguma a clara voz
do som que atravessou o temporal.
O lago deixará a calma após
a fúria de algum vento ocasional.
O alívio da verdade cabe a nós
no encontro singular, talvez plural.
Nilza Azzi
92
O eterno tema
Era você num raio de luar,
no brilho vacilante de uma estrela;
era você, mas não podia vê-la
na inútil transparência navegar.
Como a centelha a mergulhar no mar,
sim, era ele e o medo de perdê-la
na substância da neblina e pela
insensatez de quem não sabe amar.
A impermanência de uma nuvem torta,
desfeita pelo vento, desconforta
o olhar que não entende essa paisagem.
As lentes mal focadas não reagem
ao mundo da ilusão e dos mistérios,
à fonte dos desejos deletérios.
Nilza Azzi
no brilho vacilante de uma estrela;
era você, mas não podia vê-la
na inútil transparência navegar.
Como a centelha a mergulhar no mar,
sim, era ele e o medo de perdê-la
na substância da neblina e pela
insensatez de quem não sabe amar.
A impermanência de uma nuvem torta,
desfeita pelo vento, desconforta
o olhar que não entende essa paisagem.
As lentes mal focadas não reagem
ao mundo da ilusão e dos mistérios,
à fonte dos desejos deletérios.
Nilza Azzi
10
Poema enrolado
E fica assim o dito por não dito
e o que acredito não mais tenha crédito
e o que se crê não seja pelo mérito,
pois quem merece já nasceu bendito
e não precisa, então de um analgésico,
para conter um coração aflito,
porque o amor é tudo que permito,
na condição de ser de fato inédito,
de compreender os ritmos do rito
e não viver apenas no pretérito,
ter um presente refinado e ético,
mostrar que o mundo é um lugar bonito
e sem perder e sem ganhar também,
eu tenho dito, em terra de ninguém...
Nilza Azzi
e o que acredito não mais tenha crédito
e o que se crê não seja pelo mérito,
pois quem merece já nasceu bendito
e não precisa, então de um analgésico,
para conter um coração aflito,
porque o amor é tudo que permito,
na condição de ser de fato inédito,
de compreender os ritmos do rito
e não viver apenas no pretérito,
ter um presente refinado e ético,
mostrar que o mundo é um lugar bonito
e sem perder e sem ganhar também,
eu tenho dito, em terra de ninguém...
Nilza Azzi
44
Tudo é festa!
Fiz um corte moderno no cabelo,
pintei as minhas unhas de vermelho;
descolei novo jeans, com muito zelo,
– mas foi da vendedora, o bom conselho.
No meu look, ninguém mete o bedelho,
a não ser que lhe doa o cotovelo;
não me imputem loucura ou destrambelho,
pois a data merece esse desvelo...
A ouvir 'We are young', o som bem alto,
lá fui eu, meu 'arango' pelo asfalto,
bem feliz, a curtir o novo lance,
os óculos de sol, os bem da hora.
Hoje é dia de rock, então, agora,
escolho um 'funk' e canto 'Alors on danse'!
Nilza Azzi
pintei as minhas unhas de vermelho;
descolei novo jeans, com muito zelo,
– mas foi da vendedora, o bom conselho.
No meu look, ninguém mete o bedelho,
a não ser que lhe doa o cotovelo;
não me imputem loucura ou destrambelho,
pois a data merece esse desvelo...
A ouvir 'We are young', o som bem alto,
lá fui eu, meu 'arango' pelo asfalto,
bem feliz, a curtir o novo lance,
os óculos de sol, os bem da hora.
Hoje é dia de rock, então, agora,
escolho um 'funk' e canto 'Alors on danse'!
Nilza Azzi
67
Quietude
O céu guardou as luzes cintilantes,
o mar, as suas conchas sob a areia.
A mata viu o Sol como era antes,
no início deste mundo que clareia.
A Terra reduziu alguns instantes
seu giro e a rotação que voluteia
não traz alterações mirabolantes.
A Lua ainda nos mostra a face cheia.
A jovem, quando encontra o namorado,
espera que ele seja delicado
e entenda os seus desejos mais secretos.
As flores, portadoras de sementes,
atraem os insetos sencientes
– meus olhos permanecem mais quietos.
Nilza Azzi
o mar, as suas conchas sob a areia.
A mata viu o Sol como era antes,
no início deste mundo que clareia.
A Terra reduziu alguns instantes
seu giro e a rotação que voluteia
não traz alterações mirabolantes.
A Lua ainda nos mostra a face cheia.
A jovem, quando encontra o namorado,
espera que ele seja delicado
e entenda os seus desejos mais secretos.
As flores, portadoras de sementes,
atraem os insetos sencientes
– meus olhos permanecem mais quietos.
Nilza Azzi
27
Oh, Minas Gerais
Mas que saudade das tardes de Minas,
do céu vermelho, no horizonte aberto,
da capital traçada (tudo perto!)
naquelas ruas de grandes esquinas.
Não sei porque, aqui neste deserto,
abençoado por garoas finas,
quando contemplo as mais verdes campinas,
vem-me à lembrança o teu relevo incerto...
Ondulações de verde aveludado,
ficando azuis, nos longes do céu vário,
ali onde o Sol termina o itinerário
e o que era hoje já virou passado.
Daquele jeito bom de ser mineiro,
sinto saudade e não sou o primeiro.
Nilza Azzi
77
Comentários (4)
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Belos sonetos!
Obra maravilhosa! Madura, plena e rica!
Parabéns Nilza, lê-la foi um privilégio.
Maria Lima
Me perdi em seus poemas, quase não consigo sair. Encantadíssima! Parabéns!