Poemas neste tema
Juventude
Felipe Larson
CICLO
Nós temos um mundo a descobrir
Mas e daí se nada aprendermos
Mas o que realmente gostei de sentir
É que não estamos perdidos
O mundo gira em torno de ilusões
Que terminam no mesmo ponto
E o sumo da perfeição
Não existe no submundo
A ignorância é a que prevalece
Ditada e escrita já pelos profetas
Que tão cedo o jovem envelhece
E a infância já não é completa
Mas tudo isso poderia mudar
Mas ninguém quer lutar por isso
Não entende o ciclo da vida
Se rompida, como será a vida vivida?
Quem saberá o que é amar
Quem saberá ditar as regras
Mas e daí se nada aprendermos
Mas o que realmente gostei de sentir
É que não estamos perdidos
O mundo gira em torno de ilusões
Que terminam no mesmo ponto
E o sumo da perfeição
Não existe no submundo
A ignorância é a que prevalece
Ditada e escrita já pelos profetas
Que tão cedo o jovem envelhece
E a infância já não é completa
Mas tudo isso poderia mudar
Mas ninguém quer lutar por isso
Não entende o ciclo da vida
Se rompida, como será a vida vivida?
Quem saberá o que é amar
Quem saberá ditar as regras
626
Luís Vianna
CONTRACULTURA
Ah!
Que saudade tenho,
Deste tempo que não vivi.
Paz e amor,
“No War”,
“World Free”.
Tempo lindo
Da utopia possível.
Política “out”,
Cultura “in”.
Psicodélico mundo colorido.
Comunidades de mãos dadas.
O mundo todo e todo mundo,
Unidos.
Juventude fiel à filosofia “drop out”,
Regado aos
Bill Haley e outros mais,
No “only you”, “rock around the clock”
E mais algumas
Sentados na grama
Fumando umas...
O sonho acabou?
The dream is over?
Não, ele só se reciclou.
30/05/2001
Que saudade tenho,
Deste tempo que não vivi.
Paz e amor,
“No War”,
“World Free”.
Tempo lindo
Da utopia possível.
Política “out”,
Cultura “in”.
Psicodélico mundo colorido.
Comunidades de mãos dadas.
O mundo todo e todo mundo,
Unidos.
Juventude fiel à filosofia “drop out”,
Regado aos
Bill Haley e outros mais,
No “only you”, “rock around the clock”
E mais algumas
Sentados na grama
Fumando umas...
O sonho acabou?
The dream is over?
Não, ele só se reciclou.
30/05/2001
726
Juana de Ibarbourou
A hora
Toma-me agora que ainda é cedo
e que levo dálias novas na mão.
Toma-me agora que ainda é sombria
esta taciturna cabeleira minha.
agora que tenho a carne cheirosa
e os olhos limpos e a pele de rosa.
Agora que calça minha planta ligeira
a sandália viva da primavera.
Agora que em meus lábios repica o sorriso
como um sino sacudido às pressas.
Depois..., iah, eu sei
que já nada disto mais tarde terei!
Que então inútil será teu desejo,
como oferenda posta sobre um mausoléu.
Toma-me agora que ainda é cedo
e que tenho rica de nardos a mão!
Hoje, e não mais tarde. Antes que anoiteça
e se volte murcha a corola fresca.
Hoje, e não amanhã. Oh amante! Não vês
que a trepadeira crescerá cipreste?
e que levo dálias novas na mão.
Toma-me agora que ainda é sombria
esta taciturna cabeleira minha.
agora que tenho a carne cheirosa
e os olhos limpos e a pele de rosa.
Agora que calça minha planta ligeira
a sandália viva da primavera.
Agora que em meus lábios repica o sorriso
como um sino sacudido às pressas.
Depois..., iah, eu sei
que já nada disto mais tarde terei!
Que então inútil será teu desejo,
como oferenda posta sobre um mausoléu.
Toma-me agora que ainda é cedo
e que tenho rica de nardos a mão!
Hoje, e não mais tarde. Antes que anoiteça
e se volte murcha a corola fresca.
Hoje, e não amanhã. Oh amante! Não vês
que a trepadeira crescerá cipreste?
1 502
Homero Exposito
Laranjeira em flor
Era mais branda que a água
que a água branda
Era mais fresca que o rio,
laranjeira em flor
E nessa rua de estio,
rua perdida,
deixou um pedaço de vida
e se marchou
Primeiro há que saber sofrer,
depois amar, depois partir
e ao fim andar sem pensamento
Perfume de laranjeira em flor,
promessas vãs de um amor
que se escaparam no vento.
Depois, que importa do depois
Toda minha vida é o ontem
que me detém no passado
Eterna e velha juventude
que me há deixado acovardado
como um pássaro sem luz.
Que lhe haverão feito minhas mãos?
Que lhe haverão feito,
para me deixar no peito
tanta dor?
Dor de velho arvoredo
canção de esquina,
com um pedaço de vida,
laranjeira em flor
que a água branda
Era mais fresca que o rio,
laranjeira em flor
E nessa rua de estio,
rua perdida,
deixou um pedaço de vida
e se marchou
Primeiro há que saber sofrer,
depois amar, depois partir
e ao fim andar sem pensamento
Perfume de laranjeira em flor,
promessas vãs de um amor
que se escaparam no vento.
Depois, que importa do depois
Toda minha vida é o ontem
que me detém no passado
Eterna e velha juventude
que me há deixado acovardado
como um pássaro sem luz.
Que lhe haverão feito minhas mãos?
Que lhe haverão feito,
para me deixar no peito
tanta dor?
Dor de velho arvoredo
canção de esquina,
com um pedaço de vida,
laranjeira em flor
1 064
Rita Barém de Melo
Minha lira a suspirar
Minha lira a suspirar,
Que dizes nesta canção?
São saudades são amores
Dessa flor - recordação! -
Minha lira a suspirar,
Que cantas com tanto ardor?
- Mais prantos do que sorrisos,
Mais tristezas que amor! -
Minha lira a suspirar,
Que tanges nesse amargor?
Não tens nas cordas sensíveis
Nem uma singela flor?
Lira minha que suspiras,
Não tens na vida (que dor)
Uma voz que fale ardente,
Ardentes falas damor?!
Lira minha que suspiras,
Como tu meiga quem é?
Mas triste lira não podes
Na ventura teres fé!
Lira minha que suspiras,
Na ventura tu não crês?
Mau condão fadou-te, lira,
Tão jovem, por que descrês?...
Minha lira a suspirar
Continua já não tens crença,
Na dita quem infiltrou-te
Essa profunda descrença?
Minha lira a suspirar
Só tens hinos damargor,
Só cantos de sofrimento,
Endeixas de muita dor!
(Março de 1856)
Que dizes nesta canção?
São saudades são amores
Dessa flor - recordação! -
Minha lira a suspirar,
Que cantas com tanto ardor?
- Mais prantos do que sorrisos,
Mais tristezas que amor! -
Minha lira a suspirar,
Que tanges nesse amargor?
Não tens nas cordas sensíveis
Nem uma singela flor?
Lira minha que suspiras,
Não tens na vida (que dor)
Uma voz que fale ardente,
Ardentes falas damor?!
Lira minha que suspiras,
Como tu meiga quem é?
Mas triste lira não podes
Na ventura teres fé!
Lira minha que suspiras,
Na ventura tu não crês?
Mau condão fadou-te, lira,
Tão jovem, por que descrês?...
Minha lira a suspirar
Continua já não tens crença,
Na dita quem infiltrou-te
Essa profunda descrença?
Minha lira a suspirar
Só tens hinos damargor,
Só cantos de sofrimento,
Endeixas de muita dor!
(Março de 1856)
1 275
Angela Santos
Vidraça
A
menina olhava a vida
por detrás da vidraça
e estremecia a um bater de asa
suspirando pelo beijo que à noite
trocam os namorados
A menina guardava-se
religiosamente
vaidosa do seu sexo sacralizado
e venerava a pureza
do nada.
A menina ardia no incêndio
que a noite
insuspeitadamente
acende na memória adormecida.
menina olhava a vida
por detrás da vidraça
e estremecia a um bater de asa
suspirando pelo beijo que à noite
trocam os namorados
A menina guardava-se
religiosamente
vaidosa do seu sexo sacralizado
e venerava a pureza
do nada.
A menina ardia no incêndio
que a noite
insuspeitadamente
acende na memória adormecida.
1 170
Andres Provi Pereira
Mia, Vulevo a ti
luego...
Mía, vuelvo
a tí luego de los años de ausencia camino por doquier mis pies me guien
y me hiere la nostalgia que piensa en el ayer, ese ayer de aventuras
y locuras juveniles que tejieron ilusiones en cada tarde de arena y
frente al mar cromado una vez más siento la brisa serena Mía, los días
y los años de milejanía te han cambiado, más hermosa y madura eres,
camino por tus calles llenas de recuerdos y las esquinas aún conservan
las travesuras de mi infancia y los días tempranos de la adolescensia.
Hoy te palpo y a los ojos puedo mirarte, tus lágrimas se confunden con
las mías y se que amas mi presencia. Mía, cómo no amarte, cómo estar
lejos y no adorarte si de ti mi vida está llena, mi vida está formada.
Llevo muy dentro el amor de tus raíces y tu dulce savia a hago mía y
me hago tuyo, se que amas mi presencia. Cómo olvidarte, en ti están
mis días de la secundaria, hoy recorro las aulas, hay tanto de mí y
los pupitres me recuerdan, mi lugar favorito, la cueva de rocas, hoy
está solitaria. Mía, tus palmeras y el sol ardiente me recuerdan las
tardes domingueras cuando tu mar me cubría de alegría, cuando sumergido
en tus aguas de colores buscaba la barracuda que Simón tantas veces
pregonaba, tiene ojos verdes, lágrimas azules y es hermosa, la busque
y nunca, nunca pude hallarla. Te amaré por siempre mía, perla del mar
olorosa.
Mía, vuelvo
a tí luego de los años de ausencia camino por doquier mis pies me guien
y me hiere la nostalgia que piensa en el ayer, ese ayer de aventuras
y locuras juveniles que tejieron ilusiones en cada tarde de arena y
frente al mar cromado una vez más siento la brisa serena Mía, los días
y los años de milejanía te han cambiado, más hermosa y madura eres,
camino por tus calles llenas de recuerdos y las esquinas aún conservan
las travesuras de mi infancia y los días tempranos de la adolescensia.
Hoy te palpo y a los ojos puedo mirarte, tus lágrimas se confunden con
las mías y se que amas mi presencia. Mía, cómo no amarte, cómo estar
lejos y no adorarte si de ti mi vida está llena, mi vida está formada.
Llevo muy dentro el amor de tus raíces y tu dulce savia a hago mía y
me hago tuyo, se que amas mi presencia. Cómo olvidarte, en ti están
mis días de la secundaria, hoy recorro las aulas, hay tanto de mí y
los pupitres me recuerdan, mi lugar favorito, la cueva de rocas, hoy
está solitaria. Mía, tus palmeras y el sol ardiente me recuerdan las
tardes domingueras cuando tu mar me cubría de alegría, cuando sumergido
en tus aguas de colores buscaba la barracuda que Simón tantas veces
pregonaba, tiene ojos verdes, lágrimas azules y es hermosa, la busque
y nunca, nunca pude hallarla. Te amaré por siempre mía, perla del mar
olorosa.
896
Antônio Sales
Pesca da Pérola
O coração é concha bipartida:
Nós guardamos no peito uma metade,
E a outra, quem, o sabe? — anda perdida
Entre as vagas do mar da humanidade.
Do escafandro das ilusões vestida,
Rindo, mergulha a afoita mocidade,
Buscando um ser que lhe complete a vida,
Que lhe povoe do peito a soledade.
Encontra algum essa afeição sonhada
E à tona sobre erguendo a nacarada
Valva que guarda a pérola do amor...
outro, porém, debalde as águas sonda,
Desce, a rolar, aflito, de onda em onda...
E não mais torna o audaz mergulhador!
Nós guardamos no peito uma metade,
E a outra, quem, o sabe? — anda perdida
Entre as vagas do mar da humanidade.
Do escafandro das ilusões vestida,
Rindo, mergulha a afoita mocidade,
Buscando um ser que lhe complete a vida,
Que lhe povoe do peito a soledade.
Encontra algum essa afeição sonhada
E à tona sobre erguendo a nacarada
Valva que guarda a pérola do amor...
outro, porém, debalde as águas sonda,
Desce, a rolar, aflito, de onda em onda...
E não mais torna o audaz mergulhador!
1 846
Antônio Chaves
Mocidade
Ó mocidade! — borboleta louca
Que o casulo deixaste pressurosa,
Olha que o vento as asas te destouca,
Adeja menos, borboleta ansiosa.
Temo que as tuas límpidas antenas,
Que o teu corpo fragílimo, subindo,
um dia venham se cobrir das penas...
E se temo é porque — pálido monge
Sob a cúpula azul do céu aberto
Olho, e te vejo já de mim tão longe,
Tu, que eu julgava inda de mim tão perto.
Volta! vem descansar sobre as alfombras
Desta alma, que sorrir já não se atreve...
Olha que o prado vai se encher de sombras
E a terra toda se cobrir de neve.
Que o casulo deixaste pressurosa,
Olha que o vento as asas te destouca,
Adeja menos, borboleta ansiosa.
Temo que as tuas límpidas antenas,
Que o teu corpo fragílimo, subindo,
um dia venham se cobrir das penas...
E se temo é porque — pálido monge
Sob a cúpula azul do céu aberto
Olho, e te vejo já de mim tão longe,
Tu, que eu julgava inda de mim tão perto.
Volta! vem descansar sobre as alfombras
Desta alma, que sorrir já não se atreve...
Olha que o prado vai se encher de sombras
E a terra toda se cobrir de neve.
995
Vivaldo Beldade
Menina de Saia Encarnada
Menina bonitaDe saia encarnada
Que passas na rua
Correndo apressada
Corre contente
Que a vida é ligeira
Menina bonita
De saia encarnada
Os teus pensamentos
E os teus caracóis
Parece que bailam
Contigo na lua,
E a tua cabeça,
ligeira dóninha
Parece mais leve
Que uma andorinha
Corre menina
De saia encarnada
Que a vida pra ti
É sonho e mais nada
Menina bonita
De saia encarnada
Dos lindos cabelos
Das faces rosadas
Corre ligeira
No mundo que sonhas
Que o mundo real
É doutra maneira
Corre menina
Dos cabelos louros
Dos sonhos doirados
Alegre e feliz
Porque este mundo
É mais infeliz
Menina bonita
De saia encarnada
O mundo pra ti
É sonho e mais nada
Que passas na rua
Correndo apressada
Corre contente
Que a vida é ligeira
Menina bonita
De saia encarnada
Os teus pensamentos
E os teus caracóis
Parece que bailam
Contigo na lua,
E a tua cabeça,
ligeira dóninha
Parece mais leve
Que uma andorinha
Corre menina
De saia encarnada
Que a vida pra ti
É sonho e mais nada
Menina bonita
De saia encarnada
Dos lindos cabelos
Das faces rosadas
Corre ligeira
No mundo que sonhas
Que o mundo real
É doutra maneira
Corre menina
Dos cabelos louros
Dos sonhos doirados
Alegre e feliz
Porque este mundo
É mais infeliz
Menina bonita
De saia encarnada
O mundo pra ti
É sonho e mais nada
1 129
Xavier de Carvalho
Volta
Por desertos, por íngremes terrenos,
Fui um dia aos serões desta Ansiedade
Ver se ainda ouvia um só gorjeio ao menos
Do bando exul das aves da Saudade...
Debalde eu fui! o horror da tempestade
Tombando como pérfidos venenos
Dos amplos céus de minha Mocidade
Matara de uma vez todos os trenos...
Do almo horizonte pelas grandes curvas
Vi apenas milhares de aves turvas
Numa expansão dantesca de asas tortas...
E eu voltei... E ao chegar da casa em frente
Vi cair, aos meus olhos de Doente,
Um triste bando de andorinhas mortas!
Fui um dia aos serões desta Ansiedade
Ver se ainda ouvia um só gorjeio ao menos
Do bando exul das aves da Saudade...
Debalde eu fui! o horror da tempestade
Tombando como pérfidos venenos
Dos amplos céus de minha Mocidade
Matara de uma vez todos os trenos...
Do almo horizonte pelas grandes curvas
Vi apenas milhares de aves turvas
Numa expansão dantesca de asas tortas...
E eu voltei... E ao chegar da casa em frente
Vi cair, aos meus olhos de Doente,
Um triste bando de andorinhas mortas!
1 048
Renato Russo
Geração Coca-Cola
Quando nascemos fomos programados
A receber o que vocês nos empurraram
Com os enlatados dos USA, de 9 às 6
Desde pequenos nós comemos lixo
Comercial e industrial
Mas agora chegou nossa vez -
Vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês
Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Nós somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola
Depois de vinte anos na escola
Não é difícil aprender
Todas as manhas do seu jogo sujo
Não é assim que tem que ser ?
Vamos fazer nosso dever de casa
E aí então vocês vão ver
Suas crianças derrubando reis
Fazer comédia no cinema com as suas leis
Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Nós somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola
A receber o que vocês nos empurraram
Com os enlatados dos USA, de 9 às 6
Desde pequenos nós comemos lixo
Comercial e industrial
Mas agora chegou nossa vez -
Vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês
Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Nós somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola
Depois de vinte anos na escola
Não é difícil aprender
Todas as manhas do seu jogo sujo
Não é assim que tem que ser ?
Vamos fazer nosso dever de casa
E aí então vocês vão ver
Suas crianças derrubando reis
Fazer comédia no cinema com as suas leis
Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Nós somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola
1 378
Renato Russo
A Dança
Não sei o que é direito
Só vejo preconceito
E a sua roupa nova
É só uma roupa nova
Você não tem idéias
Prá acompanhar a moda
Tratando as meninas
Como se fossem lixo
Ou então uma espécie rara
Só a você pertence
Ou então uma espécie rara
Que é só um objeto
Prá usar e jogar fora
Depois de ter prazer
Você é tão moderno
Se acha tão moderno
Mas é igual a seus pais
É só questão de idade
Passando dessa fase
Tanto fez e tanto faz
Você com suas drogas
E as suas teorias
E a sua rebeldia
E a sua solidão
Vive com seus excessos
Mas não tem mais dinheiro
Prá comprar outra fuga
Sair de casa então
Então é outra festa
É outra sexta-feira
Que se dane o futuro
Você tem a vida inteira
Você é tão esperto
Se está tão certo
Mas você nunca dançou
Com ódio de verdade
Você é tão esperto
Você está tão certo
Que você nunca vai errar
Mas a vida deixa marcas
Tenha cuidado
Se um dia você dançar
Nós somos tão modernos
Só não somos sinceros
Nos escondemos mais e mais
É só questão de idade
Passando dessa fase
Tanto fez e tanto faz
Você é tão esperto
Você está tão certo
Que você nunca vai errar
Mas a vida deixa marcas
Tenha cuidado
Se um dia você dançar
Só vejo preconceito
E a sua roupa nova
É só uma roupa nova
Você não tem idéias
Prá acompanhar a moda
Tratando as meninas
Como se fossem lixo
Ou então uma espécie rara
Só a você pertence
Ou então uma espécie rara
Que é só um objeto
Prá usar e jogar fora
Depois de ter prazer
Você é tão moderno
Se acha tão moderno
Mas é igual a seus pais
É só questão de idade
Passando dessa fase
Tanto fez e tanto faz
Você com suas drogas
E as suas teorias
E a sua rebeldia
E a sua solidão
Vive com seus excessos
Mas não tem mais dinheiro
Prá comprar outra fuga
Sair de casa então
Então é outra festa
É outra sexta-feira
Que se dane o futuro
Você tem a vida inteira
Você é tão esperto
Se está tão certo
Mas você nunca dançou
Com ódio de verdade
Você é tão esperto
Você está tão certo
Que você nunca vai errar
Mas a vida deixa marcas
Tenha cuidado
Se um dia você dançar
Nós somos tão modernos
Só não somos sinceros
Nos escondemos mais e mais
É só questão de idade
Passando dessa fase
Tanto fez e tanto faz
Você é tão esperto
Você está tão certo
Que você nunca vai errar
Mas a vida deixa marcas
Tenha cuidado
Se um dia você dançar
1 463
Renato Russo
Tempo perdido
Todos os dias quando acordo,
Não tenho mais o tempo que passou
Mas tenho muito tempo:
Temos todo o tempo do mundo.
Todos os dias antes de dormir,
Lembro e esqueço como foi o dia:
"Sempre em frente,
Não temos tempo a perder".
Nosso suor sagrado
É bem mais belo que esse sangue amargo
E tão sério
E selvagem.
Veja o sol dessa manhã tão cinza:
A tempestade que chega é da cor dos teus olhos castanhos.
Então me abraça forte e me diz mais uma vez
Que já estamos distantes de tudo:
Temos nosso próprio tempo.
Não tenho medo do escuro, mas deixe as luzes acesas agora.
O que foi escondido é o que se escondeu
E o que foi prometido, ninguém prometeu.
Nem foi tempo perdido;
Somos tão jovens.
Não tenho mais o tempo que passou
Mas tenho muito tempo:
Temos todo o tempo do mundo.
Todos os dias antes de dormir,
Lembro e esqueço como foi o dia:
"Sempre em frente,
Não temos tempo a perder".
Nosso suor sagrado
É bem mais belo que esse sangue amargo
E tão sério
E selvagem.
Veja o sol dessa manhã tão cinza:
A tempestade que chega é da cor dos teus olhos castanhos.
Então me abraça forte e me diz mais uma vez
Que já estamos distantes de tudo:
Temos nosso próprio tempo.
Não tenho medo do escuro, mas deixe as luzes acesas agora.
O que foi escondido é o que se escondeu
E o que foi prometido, ninguém prometeu.
Nem foi tempo perdido;
Somos tão jovens.
2 325
Raimundo Correia
Ser Moça e Bela Ser
Ser moça e bela ser, por que é que lhe não basta?
Porque tudo o que tem de fresco e virgem gasta
E destrói? Porque atrás de uma vaga esperança
Fátua, aérea e fugaz, frenética se lança
A voar, a voar?...
Também a borboleta,
Mal rompe a ninfa, o estojo abrindo, ávida e inquieta,
As antenas agita, ensaia o vôo, adeja;
O finíssimo pó das asas espaneja;
Pouco habituada à luz, a luz logo a embriaga;
Bóia do sol na morna e rutilante vaga;
Em grandes doses bebe o azul; tonta, espairece
No éter; voa em redor, vai e vem; sobe e desce;
Torna a subir e torna a descer; e ora gira
Contra as correntes do ar, ora, incauta, se atira
Contra o tojo e os sarcais; nas puas lancinantes
Em pedaços faz logo às asas cintilantes;
Da tênue escama de ouro os resquícios mesquinhos
Presos lhe vão ficando à ponta dos espinhos;
Uma porção de si deixa por onde passa,
E, enquanto há vida ainda, esvoaça, esvoaça,
Como um leve papel solto à mercê do vento;
Pousa aqui, voa além, até vir o momento
Em que de todo, enfim, se rasga e dilacera.
ó borboleta, pára! ó mocidade, espera!
Porque tudo o que tem de fresco e virgem gasta
E destrói? Porque atrás de uma vaga esperança
Fátua, aérea e fugaz, frenética se lança
A voar, a voar?...
Também a borboleta,
Mal rompe a ninfa, o estojo abrindo, ávida e inquieta,
As antenas agita, ensaia o vôo, adeja;
O finíssimo pó das asas espaneja;
Pouco habituada à luz, a luz logo a embriaga;
Bóia do sol na morna e rutilante vaga;
Em grandes doses bebe o azul; tonta, espairece
No éter; voa em redor, vai e vem; sobe e desce;
Torna a subir e torna a descer; e ora gira
Contra as correntes do ar, ora, incauta, se atira
Contra o tojo e os sarcais; nas puas lancinantes
Em pedaços faz logo às asas cintilantes;
Da tênue escama de ouro os resquícios mesquinhos
Presos lhe vão ficando à ponta dos espinhos;
Uma porção de si deixa por onde passa,
E, enquanto há vida ainda, esvoaça, esvoaça,
Como um leve papel solto à mercê do vento;
Pousa aqui, voa além, até vir o momento
Em que de todo, enfim, se rasga e dilacera.
ó borboleta, pára! ó mocidade, espera!
2 720
Paulo Silva Ribeiro
Idiotinhas
Idiotinhas
Sorriso solto
De coisa nenhuma,
Tênis da moda
Marca na sola,
Inteligência coisa fora de moda,
O Papo que sempre rola
É beber coca-cola,
E falar de namoro na escola...
Idiotinhas
Não são só eles ou elas,
Mas são todos
Que não veêm
O que está acontecendo lá fora...
E assim vai se passando
As horas neste país
De aurora juvenis
Que não acorda
Para ver os farrapos
De sua gente
Espalhado por este continente
Chamado Brasil.
Sorriso solto
De coisa nenhuma,
Tênis da moda
Marca na sola,
Inteligência coisa fora de moda,
O Papo que sempre rola
É beber coca-cola,
E falar de namoro na escola...
Idiotinhas
Não são só eles ou elas,
Mas são todos
Que não veêm
O que está acontecendo lá fora...
E assim vai se passando
As horas neste país
De aurora juvenis
Que não acorda
Para ver os farrapos
De sua gente
Espalhado por este continente
Chamado Brasil.
855
Paulo F. Cunha
AIDS
Essa nova geração de vivos-mortos
antecipando ,em vida . a decomposição
de seus corpos e mentes transfigurados ,
perambulam sem como nem porque
pelo deslize do instinto ou sentimento .
Chacoteados , excluídos , isolados ,
pagam promissórias não aceitas ,
mesmo que , ao fim , executados
por misteriosos tribunais nunca escatológicos ,
sejam a luz e a sombra de si mesmos .
Aprendem , na carne , a eterna culpa
quem fez como todos , sem desculpa ,
e por sorteio ilógico escolhidos para exemplo
de todos que apenas vivem o seu tempo
e ao temor e prevenção não se recolhem
antecipando ,em vida . a decomposição
de seus corpos e mentes transfigurados ,
perambulam sem como nem porque
pelo deslize do instinto ou sentimento .
Chacoteados , excluídos , isolados ,
pagam promissórias não aceitas ,
mesmo que , ao fim , executados
por misteriosos tribunais nunca escatológicos ,
sejam a luz e a sombra de si mesmos .
Aprendem , na carne , a eterna culpa
quem fez como todos , sem desculpa ,
e por sorteio ilógico escolhidos para exemplo
de todos que apenas vivem o seu tempo
e ao temor e prevenção não se recolhem
712
Pedro Homem de Mello
Revelação
Tinha quarenta e cinco... e eu, dezesseis...
Na minha fronte, indômitos anéis
Vinham da infância, saltitando ainda.
Contavam dela: — Já falou a reis!
Tinha quarenta e cinco... e eu, dezesseis...
Formosa? Não. Mais que formosa: linda.
Seu olhar diz: Seja o que o Amor quiser
A verdade planta que os meus dedos tomem!
Pela última vez foste mulher...
E eu, pela vez primeira, fui um homem!
Na minha fronte, indômitos anéis
Vinham da infância, saltitando ainda.
Contavam dela: — Já falou a reis!
Tinha quarenta e cinco... e eu, dezesseis...
Formosa? Não. Mais que formosa: linda.
Seu olhar diz: Seja o que o Amor quiser
A verdade planta que os meus dedos tomem!
Pela última vez foste mulher...
E eu, pela vez primeira, fui um homem!
1 922
Natália Correia
Nictofagia
Se eu pudesse beber-te, ó noite,
Até encontrar o teu gosto,
Ou mordendo a ponta do açoite
Da tua treva no meu rosto,
Achasse a planície de lume
De que és uma aresta de estrelas
E sonhando sem peso e volume
Fosse um sonho de chão a tece-las
E na praia de um trilo sem flauta,
Instrumento das harpas do fundo
Duma água escorrida da pauta
Da manhã mais antiga do mundo,
Me estendesses, ó noite florida
Das sementes que trazes no punho,
Uma adolescência impelida
Pelo arco das brisas de junho!
Até encontrar o teu gosto,
Ou mordendo a ponta do açoite
Da tua treva no meu rosto,
Achasse a planície de lume
De que és uma aresta de estrelas
E sonhando sem peso e volume
Fosse um sonho de chão a tece-las
E na praia de um trilo sem flauta,
Instrumento das harpas do fundo
Duma água escorrida da pauta
Da manhã mais antiga do mundo,
Me estendesses, ó noite florida
Das sementes que trazes no punho,
Uma adolescência impelida
Pelo arco das brisas de junho!
1 833
Noel de Arriaga
Rimance
Na esquina daquela rua,
Passaram duas irmãs,
Cada uma transportando
Um cestinho de maçãs.
Mais duas maçãs levavam
De cada lado do peito,
Que como as outras boliam
Ao mais pequeno trejeito.
Teriam dezoito anos
(Ou teriam dezesseis?),
Cabelos loiros caindo
Em desmanchados anéis.
O cestinho das maçãs
Para onde vai bem no sei —
Cheinho, a deitar por fora,
Para o palácio do Rei.
— "Senhor Rei — aqui nos tendes
Sem pecado e sem defeito,
No tabuleiro bolindo
Ao mais pequeno trejeito" ...
Eram verdes as maçãs.
Não se podiam tragar.
Mas os seios enfeitaram
Quatro noites de luar!
Passaram duas irmãs,
Cada uma transportando
Um cestinho de maçãs.
Mais duas maçãs levavam
De cada lado do peito,
Que como as outras boliam
Ao mais pequeno trejeito.
Teriam dezoito anos
(Ou teriam dezesseis?),
Cabelos loiros caindo
Em desmanchados anéis.
O cestinho das maçãs
Para onde vai bem no sei —
Cheinho, a deitar por fora,
Para o palácio do Rei.
— "Senhor Rei — aqui nos tendes
Sem pecado e sem defeito,
No tabuleiro bolindo
Ao mais pequeno trejeito" ...
Eram verdes as maçãs.
Não se podiam tragar.
Mas os seios enfeitaram
Quatro noites de luar!
1 066
Mário Donizete Massari
Olhos
Pra que tentar com
palavras
dizer o que os olhos
vêem?
A menina passa
e joga graça na praça.
É virgem
(a manhã)
e a menina cresceu
fruta madura
no quintal do prazer.
Os olhos avançam
acompanham a silhueta
da virgem manhã,
a desnudar a menina.
É virgem ainda
a manhã.
palavras
dizer o que os olhos
vêem?
A menina passa
e joga graça na praça.
É virgem
(a manhã)
e a menina cresceu
fruta madura
no quintal do prazer.
Os olhos avançam
acompanham a silhueta
da virgem manhã,
a desnudar a menina.
É virgem ainda
a manhã.
950
Mário Donizete Massari
Gravidade
A gravidez da menina
que um dia sonhava . . .
Na gravidade da terra
que gira, gira . . .
O homem grávido de idéias
e a menina sonhava . . .
Homem menina
na gravidade das horas
que giram.
Gravidade na palidez
do pai de família,
a censurar a gravidez
da menina.
que um dia sonhava . . .
Na gravidade da terra
que gira, gira . . .
O homem grávido de idéias
e a menina sonhava . . .
Homem menina
na gravidade das horas
que giram.
Gravidade na palidez
do pai de família,
a censurar a gravidez
da menina.
932
Mário Hélio
44-I-(Alientude)
juventude apática
altitude américa
juventude máscula
máscara de atleta
festa de gracejo
pra zombar da festa
marcas de revolta
planetóides ermos
juventude alada
fantasia lírica
crê lindos fantasmas
juventude atlântica
américa sem norte
morte nunca chega
juventude velha
altitude américa
juventude máscula
máscara de atleta
festa de gracejo
pra zombar da festa
marcas de revolta
planetóides ermos
juventude alada
fantasia lírica
crê lindos fantasmas
juventude atlântica
américa sem norte
morte nunca chega
juventude velha
979
Luiz Nogueira Barros
Viagem
Parto pleno de ventura e na aventura
da viagem empreendida levo o que sobrou
da infância, da juventude e do agora :
fantasia que um dia foi futuro.
Palavras ditas e juradas serão tolas
quando os momentos são de indiferenças.
Mas se o pensar a fala justifica
o tempo é grave amigo e jamais falha.
Hei de seguir assim a antevisão do olhar
e no desenho das paisagens presumidas
serei tudo o que vi, sofri e aprendi.
E tudo será novo como o sempre:
que os sonhos inatingidos não abortam,
pois são gestações que sabem esperar.
da viagem empreendida levo o que sobrou
da infância, da juventude e do agora :
fantasia que um dia foi futuro.
Palavras ditas e juradas serão tolas
quando os momentos são de indiferenças.
Mas se o pensar a fala justifica
o tempo é grave amigo e jamais falha.
Hei de seguir assim a antevisão do olhar
e no desenho das paisagens presumidas
serei tudo o que vi, sofri e aprendi.
E tudo será novo como o sempre:
que os sonhos inatingidos não abortam,
pois são gestações que sabem esperar.
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