Poemas neste tema
Angústia
Jorge Melícias
O poema são fogueiras levantadas na
gargantaou um sono inclinado sobre as facas.Alguém
diz,a prumotodos os nomes queimam,e há uma
deflagração assombrosa,a palavra acende-se com
uma àrvore de sangue ao centro.
de A Luz nos Pulmões(2000)
diz,a prumotodos os nomes queimam,e há uma
deflagração assombrosa,a palavra acende-se com
uma àrvore de sangue ao centro.
de A Luz nos Pulmões(2000)
770
Philip Larkin
I work all day, and get half-drunk at night
I work all day, and get half-drunk at night.
Waking at four to soundless dark, I stare.
In time the curtain-edges will grow light.
Till then I see whats really always there:
Unresting death, a whole day nearer now,
Making all thought impossible but how
And where and when I shall myself die.
Arid interrogation: yet the dread
Of dying, and being dead,
Flashes afresh to hold and horrify.
The mind blanks at the glare. Not in remorse
-- The good not done, the love not givenn, time
Torn off unused -- nor wretchedly because
An only life can take so long to climb
Clear of its wrong beginnings, and may never;
But the total emptiness for ever,
The sure extinction that we travel to
And shall be lost in always. Not to be here,
Not to be anywhere,
And soon; nothing more terrible, nothing more true.
This is a special way of being afraid
No trick dispels. Religion used to try,
That vast moth-eaten musical brocade
Created to pretend we never die,
And specious stuff that says No rational being
Can fear a thing it will not feel, not seeing
That this is what we fear -- no sight, no sound,
No touch or taste or smell, nothing to think with,
Nothing to love or link with,
The anaesthetic from which none come round.
And so it stays just on the edge of vision,
A small unfocused blur, a standing chill
That slows each impulse down to indecision.
Most things may never happen: this one will,
And realisation of its rages out
In furnace-fear when we are caught without
People or drink. Courage is no good:
It means not scaring others. Being brave
Lets no one off the grave.
Death is no different whined at than withstood.
Slowly light strengthens, and the room takes shape.
It stands plain as a wardrobe, what we know,
Have always known, know that we cant escape,
Yet cant accept. One side will have to go.
Meanwhile telephones crouch, getting ready to ring
In locked-up offices, and all the uncaring
Intricate rented world beings to rouse.
The sky is white as clay, with no sun.
Work has to be done.
Postmen like doctors go from house to house.
Waking at four to soundless dark, I stare.
In time the curtain-edges will grow light.
Till then I see whats really always there:
Unresting death, a whole day nearer now,
Making all thought impossible but how
And where and when I shall myself die.
Arid interrogation: yet the dread
Of dying, and being dead,
Flashes afresh to hold and horrify.
The mind blanks at the glare. Not in remorse
-- The good not done, the love not givenn, time
Torn off unused -- nor wretchedly because
An only life can take so long to climb
Clear of its wrong beginnings, and may never;
But the total emptiness for ever,
The sure extinction that we travel to
And shall be lost in always. Not to be here,
Not to be anywhere,
And soon; nothing more terrible, nothing more true.
This is a special way of being afraid
No trick dispels. Religion used to try,
That vast moth-eaten musical brocade
Created to pretend we never die,
And specious stuff that says No rational being
Can fear a thing it will not feel, not seeing
That this is what we fear -- no sight, no sound,
No touch or taste or smell, nothing to think with,
Nothing to love or link with,
The anaesthetic from which none come round.
And so it stays just on the edge of vision,
A small unfocused blur, a standing chill
That slows each impulse down to indecision.
Most things may never happen: this one will,
And realisation of its rages out
In furnace-fear when we are caught without
People or drink. Courage is no good:
It means not scaring others. Being brave
Lets no one off the grave.
Death is no different whined at than withstood.
Slowly light strengthens, and the room takes shape.
It stands plain as a wardrobe, what we know,
Have always known, know that we cant escape,
Yet cant accept. One side will have to go.
Meanwhile telephones crouch, getting ready to ring
In locked-up offices, and all the uncaring
Intricate rented world beings to rouse.
The sky is white as clay, with no sun.
Work has to be done.
Postmen like doctors go from house to house.
1 107
Daniel Faria
Calculo uma doença difícil e definitiva
Calculo uma doença difícil e definitiva
Um sono que não se apaga no sono,ou melhor
Um verso parado no meio de um poema.
Imagino o poeta sem dormir e parado como um verso
No meio do poema.Imagino o poema sem dormir.
Tenta explicá-lo,compará-lo a Noé na arca
Saudoso de colocar de novo os pés descalços sobre a terra.
Penso que os animais saem de dentro das palavras
E vêm ter comigo
Que querem ter um nome como no princípio
Que querem beber.
Tu não sabes como te chamas,não sabes o nome das plantas
Esqueceste o nome dos teus irmãos
E nem mesmo a tua mãe te traz uma palavra á boca.
faço a inclinação de quem encosta o rosto ao focinho dos bichos
Com saudades do calor de uma voz que chama.
Nem mesmo eu sei dizer que terra firma lhes peço
Que alicerces fundos cavam quando pousam
As patas muito mansas sobre mim.
de Dos Líquidos (2000)
Um sono que não se apaga no sono,ou melhor
Um verso parado no meio de um poema.
Imagino o poeta sem dormir e parado como um verso
No meio do poema.Imagino o poema sem dormir.
Tenta explicá-lo,compará-lo a Noé na arca
Saudoso de colocar de novo os pés descalços sobre a terra.
Penso que os animais saem de dentro das palavras
E vêm ter comigo
Que querem ter um nome como no princípio
Que querem beber.
Tu não sabes como te chamas,não sabes o nome das plantas
Esqueceste o nome dos teus irmãos
E nem mesmo a tua mãe te traz uma palavra á boca.
faço a inclinação de quem encosta o rosto ao focinho dos bichos
Com saudades do calor de uma voz que chama.
Nem mesmo eu sei dizer que terra firma lhes peço
Que alicerces fundos cavam quando pousam
As patas muito mansas sobre mim.
de Dos Líquidos (2000)
1 601
Alexei Bueno
Pergunta
Será realmente a face do universo
a face da Medusa,
esta geral destruição confusa,
este criar perverso,
ou será a máscara,álgida e estrelada,
onde os cometas passam,
turva de treva,rútila de nada,
e onde olhos se espedaçam?
a face da Medusa,
esta geral destruição confusa,
este criar perverso,
ou será a máscara,álgida e estrelada,
onde os cometas passam,
turva de treva,rútila de nada,
e onde olhos se espedaçam?
1 333
Henri Michaux
Labyrinthe
Labyrinthe
Labyrinthe, la vie, labyrinthe, la mort
Labyrinthe sans fin, dit le Maître de Ho.
Tout enfonce, rien ne libère.
Le suicidé renaît à une nouvelle souffrance.
La prison ouvre sur une prison
Le couloir ouvre un autre couloir:
Celui qui croit dérouler le rouleau de sa vie
Ne déroule rien de tout.
Rien ne débouche nulle part
Les siècles aussi vivent sous terre, dit le Maître de Ho.
Labyrinthe, la vie, labyrinthe, la mort
Labyrinthe sans fin, dit le Maître de Ho.
Tout enfonce, rien ne libère.
Le suicidé renaît à une nouvelle souffrance.
La prison ouvre sur une prison
Le couloir ouvre un autre couloir:
Celui qui croit dérouler le rouleau de sa vie
Ne déroule rien de tout.
Rien ne débouche nulle part
Les siècles aussi vivent sous terre, dit le Maître de Ho.
1 160
Ana Cristina Cesar
Psicografia
Psicografia
Tambem eu saio à revelia
e procuro uma síntese nas demoras
cato obsessões com fria têmpera e digo
do coração: não soube e digo
da palavra: não digo (não posso ainda acreditar
na vida) e demito o verso como quem acena
e vivo como quem despede a raiva de ter visto
Tambem eu saio à revelia
e procuro uma síntese nas demoras
cato obsessões com fria têmpera e digo
do coração: não soube e digo
da palavra: não digo (não posso ainda acreditar
na vida) e demito o verso como quem acena
e vivo como quem despede a raiva de ter visto
1 577
João Gulart de Souza Gomos
dia
encher d’água os pratos
e descobrir o óbulo
(há baratas!)
lavar a latrina e arrumar
almofadas no sofá
- costume dos antigos -
dor, rotina
videos, games
eletrônicos
barbitúricos coloridos
oligofônicos
tempos idos de filosofia
é noite é dia é noite
de manhã chovia
Goulart Gomes, Salvador, BA
e descobrir o óbulo
(há baratas!)
lavar a latrina e arrumar
almofadas no sofá
- costume dos antigos -
dor, rotina
videos, games
eletrônicos
barbitúricos coloridos
oligofônicos
tempos idos de filosofia
é noite é dia é noite
de manhã chovia
Goulart Gomes, Salvador, BA
763
Gilka Machado
Chuva de Cinzas
Chuva de Cinzas
Chuva de cinzas...Cai a tarde lá por fora
na estática mudez da Terra triste e viúva;
e, da tarde ao cair, sinto, minha alma, agora,
embuça-se na cisma e no torpor se enluva.
Hora crepuscular, hora de névoas, hora
em que de bem ignoto o humano ser enviúva;
e, enquanto em cinza todo o espaço se colora,
o tédio, em nós, é como uma cinérea chuva.
Hora crepuscular - concepção e agonia,
hora em que tudo sente uma incerteza imensa,
sem saber se desponta ou se fenece o dia;
hora em que a alma, a pensar na inconstância da sorte,
fica dentro de nós oscilando, suspensa
entre o ser e o não ser, entre a existência e a morte.
(Velha Poesia, Ed.Baptista de Souza, Rio, 18965, pag.15)
Chuva de cinzas...Cai a tarde lá por fora
na estática mudez da Terra triste e viúva;
e, da tarde ao cair, sinto, minha alma, agora,
embuça-se na cisma e no torpor se enluva.
Hora crepuscular, hora de névoas, hora
em que de bem ignoto o humano ser enviúva;
e, enquanto em cinza todo o espaço se colora,
o tédio, em nós, é como uma cinérea chuva.
Hora crepuscular - concepção e agonia,
hora em que tudo sente uma incerteza imensa,
sem saber se desponta ou se fenece o dia;
hora em que a alma, a pensar na inconstância da sorte,
fica dentro de nós oscilando, suspensa
entre o ser e o não ser, entre a existência e a morte.
(Velha Poesia, Ed.Baptista de Souza, Rio, 18965, pag.15)
2 412
Carlos Figueiredo
Fosse o hálito dos tigres
Fosse o hálito dos tigres
bálsamo
e reconciliasse
a carne pântana
que recobre como fios de amianto
esse interior em que vive
estrangeiro de si mesmo
isso que parece ser o ser humano
E findasse esse exílio
bálsamo
e reconciliasse
a carne pântana
que recobre como fios de amianto
esse interior em que vive
estrangeiro de si mesmo
isso que parece ser o ser humano
E findasse esse exílio
810
Adriana Sampaio
Álcool
Álcool
Não tenho gostado do que tenho escrito
Não tenho conseguido destilar minhas idéias
Não, definitivamente, não sou uma destilaria.
Não tenho gostado do que tenho escrito
Não tenho conseguido destilar minhas idéias
Não, definitivamente, não sou uma destilaria.
899
Carlos Figueiredo
Eu, da Morte, quase não morro
Eu, da Morte, quase não morro.
Morro mais de mim que morro dela.
E em cada encruzilhada que me tem acontecido
eu me tenho visto
escolher caminho sempre aquele que a ela
torna mais fácil o mister que tem comigo.
Morro mais de mim que morro dela.
E em cada encruzilhada que me tem acontecido
eu me tenho visto
escolher caminho sempre aquele que a ela
torna mais fácil o mister que tem comigo.
1 203
Carlos Figueiredo
Cais é oferta da alma
Cais é oferta da alma
na noite.
Busca
ao estertor cavo
de navio
em ânsia de atracação.
na noite.
Busca
ao estertor cavo
de navio
em ânsia de atracação.
1 074
Aldir Blanc
Você
Da série "Árias para folha de fícus" - III
...foi mais ou menos isso:
um susto louco
ao dobre do crepúsculo,
como se meu corpo
fosse todo-olvidos.
...foi mais ou menos isso:
um susto louco
ao dobre do crepúsculo,
como se meu corpo
fosse todo-olvidos.
1 444
Wallace Stevens
A POESIA É UMA FORÇA DESTRUTIVA
Isto é que é a miséria,
Nada Ter no coração.
É Ter ou nada.
É uma coisa Ter,
Um leão, um boi no seu peito,
Senti-la respirando ali.
Corazón, cachorro bravo,
Bezerro, urso de pernas tortas,
Ele prova seu sangue, não cospe.
É como um homem
No corpo de uma fera violenta.
São seus os músculos dela...
O leão dorme ao sol.
O nariz entre as patas.
Ela pode matar um homem.
Nada Ter no coração.
É Ter ou nada.
É uma coisa Ter,
Um leão, um boi no seu peito,
Senti-la respirando ali.
Corazón, cachorro bravo,
Bezerro, urso de pernas tortas,
Ele prova seu sangue, não cospe.
É como um homem
No corpo de uma fera violenta.
São seus os músculos dela...
O leão dorme ao sol.
O nariz entre as patas.
Ela pode matar um homem.
1 269
Ana Cristina Cesar
19 de abril
Era noite e uma luva de angústia me afagava o
pescoço. Composições escolares rodopiavam,
todas as que eu lera e escrevera e ainda uma
multidão herdada de mamãe. Era noite e uma
luva de angústia... Era inverno e a mulher
sozinha... Escureciam as esquinas e o vento
uivando... Saí com júbilo escolar nas pernas,
frases bem compostas de pornografia pura,
meninas de saiote que zumbiam nas escadas
íngremes. Galguei a ladeira com caretas,
antecipando o frio e os sons eróticos povoando
a sala esfumaçada.
pescoço. Composições escolares rodopiavam,
todas as que eu lera e escrevera e ainda uma
multidão herdada de mamãe. Era noite e uma
luva de angústia... Era inverno e a mulher
sozinha... Escureciam as esquinas e o vento
uivando... Saí com júbilo escolar nas pernas,
frases bem compostas de pornografia pura,
meninas de saiote que zumbiam nas escadas
íngremes. Galguei a ladeira com caretas,
antecipando o frio e os sons eróticos povoando
a sala esfumaçada.
1 799
Manuel Alegre
Página
outro é o tempo
outra a medida
tão grande a página
tão curta a escrita
entre o achigã e a perdiz
entre chaparro e choupo
tanto país
e tão pouco
outra a medida
tão grande a página
tão curta a escrita
entre o achigã e a perdiz
entre chaparro e choupo
tanto país
e tão pouco
2 610
Leonardo Aires Araujo
Domingo
Domingo
Casas vazias
Ruas vazias
Lugares cheios
Cheios de pessoas vazias
Com ocupações vazias
Ruas cheias
Casas cheias
A atmosfera está cheia de uma alegria triste
Ô dia vazio!
Casas vazias
Ruas vazias
Lugares cheios
Cheios de pessoas vazias
Com ocupações vazias
Ruas cheias
Casas cheias
A atmosfera está cheia de uma alegria triste
Ô dia vazio!
1 092
Leonardo Aires Araujo
Rostos,restos de roda vão mochilando
Rostos,restos de roda vão mochilando
Rostos,restos de roda vão mochilando
Vagas rasas de uma paixão catedrática
Contidas,minhas vozes estão cadeirando.
Temo papéis de uma relva drástica.
Não há sentido nas rosas que um dia nunca flutuou
Rostos,restos de roda vão mochilando
Vagas rasas de uma paixão catedrática
Contidas,minhas vozes estão cadeirando.
Temo papéis de uma relva drástica.
Não há sentido nas rosas que um dia nunca flutuou
873
Luís Amaro
Intermédio
Alguém que se ignora
Passeia a sua mágua
Lá pela noite fora.
Já sem saber se existe,
Entre silêncio e treva,
Nem alegre nem triste,
Alguém que a própria sorte
Enjeita, vai absorto
Num sonho que é a morte
E é vida — sendo morto.
(In Antologia de Poetas Alentejanos,
de Orlando Neves)
Passeia a sua mágua
Lá pela noite fora.
Já sem saber se existe,
Entre silêncio e treva,
Nem alegre nem triste,
Alguém que a própria sorte
Enjeita, vai absorto
Num sonho que é a morte
E é vida — sendo morto.
(In Antologia de Poetas Alentejanos,
de Orlando Neves)
991
António Gancho
Desenham-se no céu
Desenham-se no céu os números da solidão
por onde James Joyce conseguiu escrever o romance
Ulisses há-de sê-lo bem o meu coração
eu, a minha solidão, o meu transe
A chaminé na cidade deita o
fumo da minha angústia
o meu desespero projecta a minha intoxicação
Ulisses, cidade de Dublin, eu,
Lisboa, minha cidade
eu, Lisboa, a chaminé, o meu coração
O fumo sobe que sobe sobe que sobe e enche o ar
cidade de Dublin, Lisboa também te vou cantar
Grande nostalgia do teu néon luminoso a sentir-se
dentro de mim e a dizer-se que já não posso
Aqui a enorme cidade aqui a tentacular
o meu crime é de estudar o céu que me invade
e onde arranha o arranha-céu
por onde James Joyce conseguiu escrever o romance
Ulisses há-de sê-lo bem o meu coração
eu, a minha solidão, o meu transe
A chaminé na cidade deita o
fumo da minha angústia
o meu desespero projecta a minha intoxicação
Ulisses, cidade de Dublin, eu,
Lisboa, minha cidade
eu, Lisboa, a chaminé, o meu coração
O fumo sobe que sobe sobe que sobe e enche o ar
cidade de Dublin, Lisboa também te vou cantar
Grande nostalgia do teu néon luminoso a sentir-se
dentro de mim e a dizer-se que já não posso
Aqui a enorme cidade aqui a tentacular
o meu crime é de estudar o céu que me invade
e onde arranha o arranha-céu
1 306
Albano Dias Martins
Microscópio
Oásis
na penumbra
do rosto. A solidão
mais próxima
e distante.
in:Sob os
Limos(1981-1982)
na penumbra
do rosto. A solidão
mais próxima
e distante.
in:Sob os
Limos(1981-1982)
1 257
António Gancho
Tu és mortal meu Deus
Noite, vem noite
sobre mim sobre nós
dá o repouso absoluto de tudo
traz peixes e abismos para nos abismar
mostra o sono traz a morte
e vem noite por detrás de nós e sobre nós
e escreve com o teu negro
a morte que há em nós.
Livra-nos e perdoa-nos tudo
redime-nos os pecados
e enforca os nossos rostos em teu nome
sobre mim sobre nós
dá o repouso absoluto de tudo
traz peixes e abismos para nos abismar
mostra o sono traz a morte
e vem noite por detrás de nós e sobre nós
e escreve com o teu negro
a morte que há em nós.
Livra-nos e perdoa-nos tudo
redime-nos os pecados
e enforca os nossos rostos em teu nome
1 542
António Franco Alexandre
caminha pelo sangue,na pele
rugosa do amanhecer,
a tão pequena tosse do outro
lado das palavras:como se
se dividissem os sentidos,
a visão,o tacto animal,
o veneno riscado,arrancado
às paredes da luz,
e sobre o flanco abrisse
uma doença uma razão
meticulosa de existir,
um secreta ausência perdoada.
de A Pequena Face
a tão pequena tosse do outro
lado das palavras:como se
se dividissem os sentidos,
a visão,o tacto animal,
o veneno riscado,arrancado
às paredes da luz,
e sobre o flanco abrisse
uma doença uma razão
meticulosa de existir,
um secreta ausência perdoada.
de A Pequena Face
1 359