José_Carlos_de_Souza

José_Carlos_de_Souza

n. , Bahia

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(qualquer viagem)

quando olho pra você
o tempo para na retina

o sol insólito se perde
nos fiapos da neblina

o horizonte franze
e sutilmente se inclina

no hiato da vertigem
qualquer viagem alucina

não pede paz nem silêncio
é amor que desatina

sem cortina de fumaça
nosso céu se ilumina
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Poemas

78

(versos timbrados de mar)

no milagre da voz
posta-se o canto
que carrega segredos
ao negar o pranto

a vida escrita em partituras
evoca o divino, poesia pura

é sol em noite de luar
rondó de breves encantos
versos timbrados de mar

rico é o silêncio
ao som das palavras
107

(maravilhoso)

maravilhoso
é ter o céu
coalhado de estrelas
e uma lua
para reger
nossos sonhos

é olhar o mar
e se abismar
é ouvir o silêncio falar
80

(luz distante)

migrar para o espaço sonhado
derreter o olhar nas sombras
lavar o dia das noites impuras

o que diz a voz que dialoga com a incoerência?
o que fazer da vida quando a voz destoa da 'multidão'?

não tenho medo das horas paradas
sei que o tempo às vezes nos entorpece

...tateando o vazio
vejo uma luz distante
dizer o que o sol nos cala
47

(noites sem fim)

nas noites sem amor
o tempo corre lento
a madrugada apavora
desperta lembranças
paixões de outrora

são noites sem fim
ardendo saudades
corações em motim
vertendo vontades
querendo dizer sim

em noites assim
a gente se perde
em duplos atalhos
criando ilusões
ou fazendo canções

agora, se você viesse
talvez eu chorasse
e quem não chora
quando em altas horas
reencontra o bem que perdeu

mais uma noite sem amor
e eu procuro descobrir
onde foi que errei
encontro só a certeza
de que nunca mais te verei
61

(tua boca)

tua boca
        "cais"
         que num beijo
                                  atraco.

238

(no quintal...)

no quintal
numa dança de iguais
brincam os pardais.

196

(Rimbaud)

Rimbaud navega
solitário pelos ares

eterno
atemporal
209

(Giz e carvão)

lua parindo solidão
no silêncio da madrugada

arando a terra
que engole os sonhos
escriturando o medo
que se refugia no futuro

traços de giz
borras de carvão
299

(Caos e cais)

tanto azul
nenhum sol

para esperar em silêncio
e se assombrar com o vazio

caos
e cais
205

(Botero)

corpos
em redondilha maior
cores
encarnando vida

o olhar
se desmancha na tela.
303

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