Lista de Poemas
(Sonhos de abril)
"Abril é o mais cruel dos meses"
-T.S. Eliot-
o céu se deslava
em cirros e overdose de nimbos.
em alguns momentos
com o sol entredentes
fazem-se nuvens de arribação.
meus dedos gotejam
rosas encarnadas.
chovem miniaturas
para que os anjos
desovem auroras.
(penas que uma manhã machuca/
tristes sonhos de abril.)
-T.S. Eliot-
o céu se deslava
em cirros e overdose de nimbos.
em alguns momentos
com o sol entredentes
fazem-se nuvens de arribação.
meus dedos gotejam
rosas encarnadas.
chovem miniaturas
para que os anjos
desovem auroras.
(penas que uma manhã machuca/
tristes sonhos de abril.)
244
(Temporal)
fios ramados
imitam árvores sombrias
em postes
de esquecimento.
galhos carbonizados
assinalam a passagem da tempestade.
pedra vai,
rolando,
lavando-se
em águas turvas...
lodo
em ressaca de temporal.
imitam árvores sombrias
em postes
de esquecimento.
galhos carbonizados
assinalam a passagem da tempestade.
pedra vai,
rolando,
lavando-se
em águas turvas...
lodo
em ressaca de temporal.
289
(Fina aparência)
nós somos
velhos rios assoreados
debilitados de águas.
o que é a nossa existência?
uma fina aparência
ou o que ninguém viu
ou o que não podemos deter.
o acaso não é destino
é o silêncio ganindo solidão
em línguas de lança e fogo
a dissolver verdades.
um dia ouviremos o sol.
velhos rios assoreados
debilitados de águas.
o que é a nossa existência?
uma fina aparência
ou o que ninguém viu
ou o que não podemos deter.
o acaso não é destino
é o silêncio ganindo solidão
em línguas de lança e fogo
a dissolver verdades.
um dia ouviremos o sol.
258
(Bicho urbano)
bicho urbano
sem nenhum traquejo
para contato humano
rato desbaratado
sem rota de fuga
trajado de fome
couraça sem nome
malogro sinistro
sem pose, sem posse
sem registro
bicho esquisito
vive morto-vivo
mais um na manada
sem voz, sem poder
sem amor... sem nada.
sem nenhum traquejo
para contato humano
rato desbaratado
sem rota de fuga
trajado de fome
couraça sem nome
malogro sinistro
sem pose, sem posse
sem registro
bicho esquisito
vive morto-vivo
mais um na manada
sem voz, sem poder
sem amor... sem nada.
366
(Caligramas)
na liturgia do mar
uma lua líquida
deságua dos meus olhos.
sargarços fazendo-se de renda
lembra-me os sonhos de Li Po
onde os barcos carregam os rios.
desiludido louco perdido
soterro sonhos roubados
em caligramas etílicos.
é a poesia em sua plenitude
perdida no absurdo.
voar com os olhos
na ousadia do decote
é mordida sem dente.
pegou fogo no meu dicionário
queimando palavras recentes
e o velho latim ganhou forças
na trama perversa dos carbonários.
desiludido louco perdido
soterro sonhos roubados
em caligramas de luz.
uma lua líquida
deságua dos meus olhos.
sargarços fazendo-se de renda
lembra-me os sonhos de Li Po
onde os barcos carregam os rios.
desiludido louco perdido
soterro sonhos roubados
em caligramas etílicos.
é a poesia em sua plenitude
perdida no absurdo.
voar com os olhos
na ousadia do decote
é mordida sem dente.
pegou fogo no meu dicionário
queimando palavras recentes
e o velho latim ganhou forças
na trama perversa dos carbonários.
desiludido louco perdido
soterro sonhos roubados
em caligramas de luz.
397
(Te amo)
te amo
com a liberdade
dos deuses em festa.
sigo a retidão do olhar.
se há desvios
desfaço os laços
que enfeitam a paisagem.
minha boca
não se afoga em silêncios
mesmo quando tropeço
em teus beijos.
já não posso viver
sem o calor
dos teus braços.
te amo
e esse sentimento
me basta.
com a liberdade
dos deuses em festa.
sigo a retidão do olhar.
se há desvios
desfaço os laços
que enfeitam a paisagem.
minha boca
não se afoga em silêncios
mesmo quando tropeço
em teus beijos.
já não posso viver
sem o calor
dos teus braços.
te amo
e esse sentimento
me basta.
319
(Amor sem ter fim)
guitarras sonolentas
vinhos envelhecidos
vozes desafinadas
bardos enlouquecidos,
apocalipse de festim.
em meio ao temporal
sopra um vento arruaceiro
raios despencam do astral
num vaivém traiçoeiro
o mundo acaba no botequim,
entre farras e fossas
entre sambas e bossas
os nossos sonhos voam
nossos corações doam
amor sem ter fim.
vinhos envelhecidos
vozes desafinadas
bardos enlouquecidos,
apocalipse de festim.
em meio ao temporal
sopra um vento arruaceiro
raios despencam do astral
num vaivém traiçoeiro
o mundo acaba no botequim,
entre farras e fossas
entre sambas e bossas
os nossos sonhos voam
nossos corações doam
amor sem ter fim.
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