José_Carlos_de_Souza

José_Carlos_de_Souza

n. , Bahia

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(qualquer viagem)

quando olho pra você
o tempo para na retina

o sol insólito se perde
nos fiapos da neblina

o horizonte franze
e sutilmente se inclina

no hiato da vertigem
qualquer viagem alucina

não pede paz nem silêncio
é amor que desatina

sem cortina de fumaça
nosso céu se ilumina
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Poemas

78

(Haikai)

silêncio, mente
desplugada. espanto,
seixos vazios.
247

(Pequena suíte)

com olhar destemido
e pés devolutos
sigo tangendo
a solidão das estradas

um pequeno risco
que não cabe no horizonte.
271

(Anavilhanas)

espanto
erguendo
desafios
a hora rugindo
abrindo caminhos
os pés fugindo
a vida por um fio.

águas
refletindo
miragens
rio sem peias
sem margens
corre colhendo anseios
diluvianas imagens.

frisos feito frases
recortes em elos de ilhas
ventre verde
tortas trilhas
brilha ao sol
anavilhanas.
238

(Sabor de romã)

não deixe o beijo
amargar na boca.
quando o olhar se casa
saliva tem sabor de mel
mas quando a indiferança vaza
negras nuvens
se espalham no céu.

não sei se é o tempo que corre
ou se é o meu amor que dorme.

deliro em prosa
linda rosa de azul florado
tenho meu peito magoado
sem você sou um vazio,
lembro do exótico sabor de romã
que perfuma seus lábios...
...sonho com você em Teerã.
380

(Tapete de sombras)

a vida é bordada
em tapetes de sombras.
olhar sem ver
é expressão dos ausentes.
taquigrafia absurda
escorre do tempo
gotejando esquecimento.
truque de perspectiva:
planto sempre
o amanhã
no agora.
amanhece
e já é passado,
o futuro
mora lá fora.
desejo de viver
que se move
em círculos.
fogo proverbial:
gosto da boca
em brasa
assando
palavras bêbadas,
incorpóreas
como os sonhos.
em espiral de ervas
os dedos
tangem os cabelos
enquanto o amor
acontece
no desalinho
dos lençóis.
347

(Neuroses e anseios)

em meio ao turbilhão de ideias
neuroses e anseios

a corda da vida balança
se distende e parte

o amanhã desespera
e nos cobre de sonhos.
278

(Haikai)

livro fechado
palavras em silêncio
natureza morta.
346

(Coisas boas de lembrar)

caminhos me levam
onde o passado esconde
coisas boas de lembrar.
são memórias
guardadas em linho,
teias
estendidas no tempo,
ânforas
do mais puro vinho.
são velhas palavras
plantadas no ar
a trescalar
nobres perfumes,
são histórias de amor
contadas
na língua dos sonhos.
são caminhos...
que me levam à você.
360

(Sede)

sede de sal e sol
bocas ávidas
línguas salivam e se abrasam

visgo
&
gozo

vertigem
e
mel.

302

(Sonhos)

sonhos
:mãos calejadas
dedos mergulhados numa incógnita.
352

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