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Em meio às descobertas de mim, e
assombros do outro, eu me fiz mãe
Em mim você fez morada
Me habitou
Em mim ficou acolhido(a)
Ninho de amor
Num tempo longo de espera
te auscultei
Aos nove meses tão vivaz
Você chegou
Uma avalanche de sentimentos
Me ocupou
Lidar com as incertezas da vida
me alertou
Era o núncio de um ser se fazendo
Oh! Que temor!
Uma estrada que se faz perene
Se anunciou
Ser mãe é um ponto de bifurcação, agora eu sei!
Escolha que não tem retorno, eu confirmei!
Ser mãe é um fazer-se continuo, isso eu sei!
E se configura em devir permanente! Eu confirmei!
*Em homenagem às minhas amigas que vivenciam o exercício do materna.
Fátima Rodrigues, Expedicionários, João Pessoa, Paraíba, Brasil. Em 11 de maio de 2025.
"Dar-se conta" ?
É caminhar sozinho ou mesmo na multidão em busca de si
É se permitir transbordar em afetos como transbordam as enchentes dos rios
É deixar as lágrimas inundar os olhos em sua tradução
É aceitar o não saber como
uma grande lição
É acolher e ressignificar o que te atravessa, sem omissão
É acalentar os teus desejos, ainda que eles te pareçam irrealizáveis
É não se deixar subjugar a tirania
"Dar-se conta" é estar atento a si e faz parte dos desafios do ser.
Dê-se conta!
Maria de Fátima Ferreira Rodrigues. Expedicionários, João Pessoa, Paraíba, Brasil em 10 de abril de 2025.
O plágio me assusta
No plágio alguém se oculta
Ele é desconstrução !
De um edifício
sem alicerce e sem vão
O plágio dá agonia !
Nos que pensam à luz da noite e do dia
O plágio ti desterra
do ato da criação
Enquanto houver poesia
o plágio será obscurantismo e prisão.
Expedicionários, João Pessoa, Paraiba, Brasil em01 de maio de 2025.
Eu tergiverso, tu tergiversas, ele e ela tergiversam
Tergiversamos e versamos,
ao nos enredarmos na versatilidade
dos versos, curtos e longos,
alexandrinos e bárbaros e, também nos agalopados
Há em acréscimo os poemas que criastes e que nem foram nomeados.
- Que são poemas ?
-Terras imaginárias desfilam de suas entranhas
Então, o melhor é degustá-los!
"Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei"
- Quem não quer essa ventura ?
Oh! poeta! Ter linguagem para versar é magnifico!
Encantada fico com as trovas
que chegam ao mundo cantando, desafiando, e promovendo encontros, reencontros e amores.
Se a boca é a saída dos sons
disse um dentista, a língua é o órgão mais independente do corpo.
E a laringe? Indaga alguém.
No popular: "falar é fôlego" !
Vê-se que a palavra se reinventa na boca do povo.
E, em seu território, tudo "faz sentido"!
Há quem se julgue sábio e sábia, e nem desconfia do inconsciente!
E eu, ciente da minha impotência, confesso:
Tergiverso para ganhar tempo, e aprender a versar.
Expedicionários João Pessoa Paraíba, Brasil em 23 de março de 2025.
Gosto de tocar os meus pés no arco de si e da vida
Ali volto aos ares da natureza...háblto deixado de lado pela força do tempo!
No tocar da pele
sinto o leite materno acariciando o meu rosto.
A memória levanta vôo nesse toque,
que é pura imaginação
Dou-me conta dos apocalipses anunciados e estremeço: guerras, medo, terror
Retroceder em minha humanidade é uma blasfêmia que me nego a assumir.
Volto ao arco dos pés e da vida.
Me vejo liberta, e nessa viagem de afetos, sou corpo, matéria e alma viva.
Renuncio à pressa: sou plasma numa órbita infinda.
Meu lugar é indizível, meu desejo é o meu tesouro, ser é incognoscivel, é próprio!
Expedicionários, João Pessoa, Paraíba, Brasil, em 35 de fevereiro de 2025.
Não faço propósito
Sou livre!
Ando de cabeça erguida
a captar cheiros e paisagens
Costumo dirigir aos que sofrem ora a minha compaixão, ora a minha admiração
pois descobri que a dor percebida pode ser vencida
Oro!
não é oração que se repita
são sons que se acumulam e se deslocam
a socorrer-me em palavras
Os sentidos desses sons me libertam
Não faço propósito
Se fizesse teria contratempos
O ônibus que não passa
O amigo que não chega
O corpo que espera o abraço
O intelecto que vagueia
O compromisso que me espera
Quero aprender a amanhecer
a entardecer e a viver
Quero entender a transitoriedade
Acatá-la como a metafísica maior
Porque a vida não é eterna
e é preciso degustá-la
Reinventar o tempo livre é meta
Pois, ao final, o que nos resta são os feitos que nos aprazem
E, para além do vivido, vale acolher
a matéria viva
no trânsito da memória.
Fátima Rodrigues expedicionarios,
João Pessoa, Paraiba, Brasil em 24 de julho de 2024
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