Escrevo. Gosto de escrever. Se sou escritor ou poeta, eu deixo para o leitor ponderar.
Lista de Poemas
GRÃOS DE POESIA
Não me interessa ser mais e melhor
N'esse mundo onde tantos são tão bons.
Cuido de m'expressar tendo ou não dons
Sem lhes pedir licença nem louvor.
Àqueles que me leem peço o favor
Que não me julgueis mal em meus frissons
Se entre preto e branco há mil entretons,
Mesmo maus versos têm o seu valor...
Escrevo mal e pouco, mas escrevo.
Ao menos do que faço nunca devo
Inspiração a quem mais quer que seja.
Mas podem não gostar... Ninguém obrigo!
Só obrigado estou de mim comigo
Em dar grãos de poesia a quem deseja.
Betim - 23 09 2018
N'esse mundo onde tantos são tão bons.
Cuido de m'expressar tendo ou não dons
Sem lhes pedir licença nem louvor.
Àqueles que me leem peço o favor
Que não me julgueis mal em meus frissons
Se entre preto e branco há mil entretons,
Mesmo maus versos têm o seu valor...
Escrevo mal e pouco, mas escrevo.
Ao menos do que faço nunca devo
Inspiração a quem mais quer que seja.
Mas podem não gostar... Ninguém obrigo!
Só obrigado estou de mim comigo
Em dar grãos de poesia a quem deseja.
Betim - 23 09 2018
367
FLORES INÚTEIS
Sinto como se tudo à minha volta
Fosse uma epifania ainda adiada
Ou meus olhos olhando para o nada
Ardessem de desejo e de revolta.
Eu vago pela noite sem escolta
A surpreender azuis na madrugada,
E ignoraria o afã da caminhada
Não fosse o eco d'alguma frase solta:
No altar d'um deus finado me persigno
Enquanto velhos fiéis cantando um hino
Ornam flores inúteis para os mortos.
Contribuo com meu cravo na lapela
E deixo enternecido essa capela
Aonde vieram dar meus passos tortos.
Belo Horizonte - 16 09 2018
Fosse uma epifania ainda adiada
Ou meus olhos olhando para o nada
Ardessem de desejo e de revolta.
Eu vago pela noite sem escolta
A surpreender azuis na madrugada,
E ignoraria o afã da caminhada
Não fosse o eco d'alguma frase solta:
No altar d'um deus finado me persigno
Enquanto velhos fiéis cantando um hino
Ornam flores inúteis para os mortos.
Contribuo com meu cravo na lapela
E deixo enternecido essa capela
Aonde vieram dar meus passos tortos.
Belo Horizonte - 16 09 2018
298
D'OLHOS FECHADOS
Deixo... Não sei se beijo ou sou beijado.
Eu apenas te sinto e após me sinto...
Pratico e o sofro o acto que desminto
Tão-logo me percebo do teu lado.
Não deixo... Tudo ainda está errado!
Sim, o amor vence tudo, mas pressinto
Não ser a hora tão bela quanto pinto,
Amando um olho aberto e outro fechado.
Não cuido se questão de sim ou não:
É preciso cegar-me para cair
D'amores e de dores pelo chão.
Mas busco o teu punhal a me ferir...
E quando enfim partir meu coração
Sei eu, d'olhos fechados, te sorrir.
Betim - 18 09 2018
Eu apenas te sinto e após me sinto...
Pratico e o sofro o acto que desminto
Tão-logo me percebo do teu lado.
Não deixo... Tudo ainda está errado!
Sim, o amor vence tudo, mas pressinto
Não ser a hora tão bela quanto pinto,
Amando um olho aberto e outro fechado.
Não cuido se questão de sim ou não:
É preciso cegar-me para cair
D'amores e de dores pelo chão.
Mas busco o teu punhal a me ferir...
E quando enfim partir meu coração
Sei eu, d'olhos fechados, te sorrir.
Betim - 18 09 2018
334
TROCA-TROCA
As carícias seduzem por cambiantes,
Alternando dos pares seus papéis.
Perdidos, vão-se os dedos e os anéis...
No afã com que se beijam dois amantes.
Tocar e ser tocado, por instantes,
Faz o mundo e seus medos menos cruéis.
N'um retinir de espadas e broquéis,
àquele que se rende melhor e antes.
Certo de que, afinal, o encontro humano
Afasta para além do desengano
Cada pequena morte com barganhas,
Em dar e receber sentir-se vivo,
Sem importar se activo ou se passivo
O gozo que lhe sobe das entranhas.
Betim - 14 09 2018
Alternando dos pares seus papéis.
Perdidos, vão-se os dedos e os anéis...
No afã com que se beijam dois amantes.
Tocar e ser tocado, por instantes,
Faz o mundo e seus medos menos cruéis.
N'um retinir de espadas e broquéis,
àquele que se rende melhor e antes.
Certo de que, afinal, o encontro humano
Afasta para além do desengano
Cada pequena morte com barganhas,
Em dar e receber sentir-se vivo,
Sem importar se activo ou se passivo
O gozo que lhe sobe das entranhas.
Betim - 14 09 2018
334
ZODÍACO
Quem sou senão aquele iluminado,
Cujo Fado era escrito nas estrelas?...
Na noite em que nasci, haviam elas
Por asterismo Touro desenhado.
E desde então as tenho procurado
Na abóboda celeste por sabê-las
Contando a minha história sempre belas,
Em tudo a qu'eu estava destinado.
Assim, quando a Fortuna me sorri
Com os dons e as venturas que pedi,
Eu elevo meus olhos ao Infinito
Do mesmo modo, quando uma desgraça
Por sobre a minha vida inteira passa,
Ao fim eu só observo: "Estava escrito...".
Betim - 15 09 2018
Cujo Fado era escrito nas estrelas?...
Na noite em que nasci, haviam elas
Por asterismo Touro desenhado.
E desde então as tenho procurado
Na abóboda celeste por sabê-las
Contando a minha história sempre belas,
Em tudo a qu'eu estava destinado.
Assim, quando a Fortuna me sorri
Com os dons e as venturas que pedi,
Eu elevo meus olhos ao Infinito
Do mesmo modo, quando uma desgraça
Por sobre a minha vida inteira passa,
Ao fim eu só observo: "Estava escrito...".
Betim - 15 09 2018
298
DESBOCADO
Aperto a tecla "FODA-SE!", e depois
S'ejecta a alma do corpo e vira luz.
Posto para morrer co'os olhos nus,
Não me resta senão dar nome aos bois:
-- "Vinde e vede, fascistas, por quem sois!
Após tomardes fogo pelos cus,
Servireis de repasto aos urubus!
Logo o inferno ireis ver de dois em dois."
Eles riem perfilando o pelotão.
E, abrindo fogo contra um paredão,
Tombam-me n'alguma cova rasa...
Entanto, se tiverem ainda alma
Carregarão consigo a culpa e o trauma,
Retornando assassinos para casa.
Betim - 19 08 2018
S'ejecta a alma do corpo e vira luz.
Posto para morrer co'os olhos nus,
Não me resta senão dar nome aos bois:
-- "Vinde e vede, fascistas, por quem sois!
Após tomardes fogo pelos cus,
Servireis de repasto aos urubus!
Logo o inferno ireis ver de dois em dois."
Eles riem perfilando o pelotão.
E, abrindo fogo contra um paredão,
Tombam-me n'alguma cova rasa...
Entanto, se tiverem ainda alma
Carregarão consigo a culpa e o trauma,
Retornando assassinos para casa.
Betim - 19 08 2018
347
ASAS DE BORBOLETA
Quem me tocou roubou-me de mim mesma.
Co'as asas aleijadas, não me movo;
Pois sempre a reviver tudo de novo,
Triste e pálida feito uma avantesma...
Não regrido à lagarta, sim à lesma!
(Por mim, regressaria antes até do ovo...):
Tudo envelhece ainda muito novo;
De luto em flores roxas de quaresma.
Como pôde enodar-me por capricho?
Como?! Abandonar-me que nem lixo,
Quando pousada alvíssima entre os lírios?!...
Por cupidez estúpida e mal-sã,
Não fez mais que deixar sem amanhã,
Minh'alma obscurecida de delírios...
Belo Horizonte - 10 09 2018
Co'as asas aleijadas, não me movo;
Pois sempre a reviver tudo de novo,
Triste e pálida feito uma avantesma...
Não regrido à lagarta, sim à lesma!
(Por mim, regressaria antes até do ovo...):
Tudo envelhece ainda muito novo;
De luto em flores roxas de quaresma.
Como pôde enodar-me por capricho?
Como?! Abandonar-me que nem lixo,
Quando pousada alvíssima entre os lírios?!...
Por cupidez estúpida e mal-sã,
Não fez mais que deixar sem amanhã,
Minh'alma obscurecida de delírios...
Belo Horizonte - 10 09 2018
305
CALEIDOSCÓPIO
A imagem que s'espelha tantas vezes
Geometriza-se em formas coloridas,
Repetindo ao infinito as divertidas
Impressões d'uma mente sem reveses.
Microcósmico palco de entremeses
Ao girogirar fábulas perdidas,
Qual personas nos mostram nossas vidas
Por miríades d'outros vãos talvezes...
Tudo passa como óptica ilusão,
Embora eu saiba ver co'o coração
Verdades intuídas ali dentro.
E busco, embasbacado, uma beleza
Que me revele a própria natureza
Em padrões repetidos desde o centro.
Betim - 13 09 2018
Geometriza-se em formas coloridas,
Repetindo ao infinito as divertidas
Impressões d'uma mente sem reveses.
Microcósmico palco de entremeses
Ao girogirar fábulas perdidas,
Qual personas nos mostram nossas vidas
Por miríades d'outros vãos talvezes...
Tudo passa como óptica ilusão,
Embora eu saiba ver co'o coração
Verdades intuídas ali dentro.
E busco, embasbacado, uma beleza
Que me revele a própria natureza
Em padrões repetidos desde o centro.
Betim - 13 09 2018
326
ARTIMANHAS
Se me deixo enganar por aparências,
É porque o olhar carece de bom senso.
Vai quanto sinto à frente do que penso
E adquiro por más artes boas ciências...
Foi por tentativa e erro que experiências
M'ensinaram a ver quanto é pretenso
Ser e parecer ser diante do imenso
Jogo das circunstâncias e consciências.
Explico-me: O que a vida faz conosco
É nos pôr as vontades indefesas,
Mostrando reluzente o que era fosco.
E ao fim, ao cobiçar sem subtilezas,
Torna-se um espetáculo tão tosco,
Que só faz ludibriar nossas certezas.
Betim - 12 09 2018
É porque o olhar carece de bom senso.
Vai quanto sinto à frente do que penso
E adquiro por más artes boas ciências...
Foi por tentativa e erro que experiências
M'ensinaram a ver quanto é pretenso
Ser e parecer ser diante do imenso
Jogo das circunstâncias e consciências.
Explico-me: O que a vida faz conosco
É nos pôr as vontades indefesas,
Mostrando reluzente o que era fosco.
E ao fim, ao cobiçar sem subtilezas,
Torna-se um espetáculo tão tosco,
Que só faz ludibriar nossas certezas.
Betim - 12 09 2018
346
PERFUROCORTANTE
A lâmina aprofunda pelo ventre
O talho que divide todo um povo.
E eu, embora lamente, me comovo
Que a Nação à direita se descentre.
Mais as opiniões divergem entre
O medo e o medo do medo de novo...
Já nem a fala nem a acção aprovo
Do que tão-só nos danos se concentre.
Quem com o ferro fere, mal ferido
Ver-se-á pelo discurso ultraviolento,
Que sustenta contra o outro desvalido.
Opor o bem e o mal todo momento
Desconhece não ter armas partido,
Bem como ter sangue o sanguinolento.
Betim - 06 09 2018
O talho que divide todo um povo.
E eu, embora lamente, me comovo
Que a Nação à direita se descentre.
Mais as opiniões divergem entre
O medo e o medo do medo de novo...
Já nem a fala nem a acção aprovo
Do que tão-só nos danos se concentre.
Quem com o ferro fere, mal ferido
Ver-se-á pelo discurso ultraviolento,
Que sustenta contra o outro desvalido.
Opor o bem e o mal todo momento
Desconhece não ter armas partido,
Bem como ter sangue o sanguinolento.
Betim - 06 09 2018
325
Comentários (5)
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Lindos poemas ,meu caro!
Poeta gosto do que escreve! A sua poesia toca, sente, provoca, mostra... Parabéns
POEMAS INTELIGENTES,RICARDOC PARABÊNS. Abraços EDUARDO POETA!
bom vê-lo por aqui
Gosto da sua poesia...parabéns, bom ano!