Escrevo. Gosto de escrever. Se sou escritor ou poeta, eu deixo para o leitor ponderar.
Lista de Poemas
DEUS E TODO MUNDO
Não venham me falar do que inexiste
Ou aquilo que está muito além de mim.
Pois Deus e todo mundo veem, por fim,
Que o que conta é tão-só não ser tão triste.
Certo que mais feliz é quem insiste
Em jamais deixar tudo ser tão ruim
E, sem se perturbar se não ou sim,
Faz das próprias misérias algum chiste.
Todo mundo se faz mais crente ou casto,
Na fé de que o Divino lhe acompanha
E tem que Deus é pai; não é padrasto.
Mas a vida reduz-se a um perde-ganha,
No qual as paixões levam-nos de arrasto
E ao fim gozo por pranto se barganha...
Betim - 06 09 2018
Ou aquilo que está muito além de mim.
Pois Deus e todo mundo veem, por fim,
Que o que conta é tão-só não ser tão triste.
Certo que mais feliz é quem insiste
Em jamais deixar tudo ser tão ruim
E, sem se perturbar se não ou sim,
Faz das próprias misérias algum chiste.
Todo mundo se faz mais crente ou casto,
Na fé de que o Divino lhe acompanha
E tem que Deus é pai; não é padrasto.
Mas a vida reduz-se a um perde-ganha,
No qual as paixões levam-nos de arrasto
E ao fim gozo por pranto se barganha...
Betim - 06 09 2018
301
EM SÃ CONSCIÊNCIA
Nunca! A não ser que já de todo louco...
Nada nem ninguém há-de me mudar
De ideia se as ideias fora do lugar,
Falando até que fique quase rouco.
Não que das razões faça muito pouco:
-- Razões que a Razão sabe ignorar... --
O facto é contra os factos eu sonhar,
Ouvindo até deixar o ouvido mouco.
Sandice! Parvoíce!! Insanidade!!!
Não há quem seja sábio de verdade
Sem um grão de loucura mais fecundo.
Assim, para curar a mente insã,
Há-que se andar ao sol cada manhã,
Poetando para Deus e todo mundo.
Betim - 05 09 2018
Nada nem ninguém há-de me mudar
De ideia se as ideias fora do lugar,
Falando até que fique quase rouco.
Não que das razões faça muito pouco:
-- Razões que a Razão sabe ignorar... --
O facto é contra os factos eu sonhar,
Ouvindo até deixar o ouvido mouco.
Sandice! Parvoíce!! Insanidade!!!
Não há quem seja sábio de verdade
Sem um grão de loucura mais fecundo.
Assim, para curar a mente insã,
Há-que se andar ao sol cada manhã,
Poetando para Deus e todo mundo.
Betim - 05 09 2018
296
VOSSO E REVOSSO
De tanto eu pertencer a vós, Senhora,
Haveis de mim a posse e a propriedade.
Tanto a alma quanto o corpo, em realidade,
Possuis-me em vosso peito antes e agora...
Inelutavelmente, desde outrora
Eu vivo sob a vossa autoridade.
Na ânsia de merecer-vos amizade
E graça aos vossos olhos vida afora.
E embora sejam muitos os haveres
Que tendes recebido da Fortuna,
Aceitai-me os impávidos quereres.
Vosso e revosso, clamo da tribuna:
-- "Por quem sois, oh mulher entre as mulheres!
Não vos negueis a mim na hora oportuna..."
Betim - 04 09 2018
Haveis de mim a posse e a propriedade.
Tanto a alma quanto o corpo, em realidade,
Possuis-me em vosso peito antes e agora...
Inelutavelmente, desde outrora
Eu vivo sob a vossa autoridade.
Na ânsia de merecer-vos amizade
E graça aos vossos olhos vida afora.
E embora sejam muitos os haveres
Que tendes recebido da Fortuna,
Aceitai-me os impávidos quereres.
Vosso e revosso, clamo da tribuna:
-- "Por quem sois, oh mulher entre as mulheres!
Não vos negueis a mim na hora oportuna..."
Betim - 04 09 2018
290
EMPAREDADA
Nada podem as mãos contra o concreto
E os gritos que jamais alcançam um.
Resta apenas, sujeita à lei comum,
Ser reduzida rápido a esqueleto.
De parede à parede, chão ao teto,
O espaço não lhe dá conforto algum.
Devora-se, por fim, em vão jejum,
Vítima d'algum péssimo projeto.
Estranho é que a razão de tal clausura
Fora justo a esperança libertária,
Perdida em meio à noite mais escura.
E a pena que ela cumpre feito pária
Tão-só prolonga a angústia em que figura,
À espera d'uma morte solitária...
Betim - 30 08 2013
E os gritos que jamais alcançam um.
Resta apenas, sujeita à lei comum,
Ser reduzida rápido a esqueleto.
De parede à parede, chão ao teto,
O espaço não lhe dá conforto algum.
Devora-se, por fim, em vão jejum,
Vítima d'algum péssimo projeto.
Estranho é que a razão de tal clausura
Fora justo a esperança libertária,
Perdida em meio à noite mais escura.
E a pena que ela cumpre feito pária
Tão-só prolonga a angústia em que figura,
À espera d'uma morte solitária...
Betim - 30 08 2013
323
AO PÉ DA LETRA
Entre tudo o que se diz
E quanto se quis dizer,
Carece reconhecer
De quem dizia os ardis
E quem ouvia o saber.
Porque ouvir é atentar
àquilo que o outro nos disse
Mas também ao que desdisse
E, conforme a hora e o lugar,
Saber se facto ou tolice.
Pois a palavra falada
Pelo tom que se lhe dá
Em bem ou mal haverá-
De nos ser interpretada,
Repetindo-a lá e cá.
Porém, à palavra escrita,
A voz que fala se cala...
E por calada intercala
Tanto a verdade infinita,
Quanto a mentira mais rala.
No mais, onde for Poesia
Só o espírito penetra:
Rima, ritmo, metro etcet'ra...
Feliz quem tem a alegria
De vivê-la ao pé da letra!
Belo Horizonte - 25 08 2018
E quanto se quis dizer,
Carece reconhecer
De quem dizia os ardis
E quem ouvia o saber.
Porque ouvir é atentar
àquilo que o outro nos disse
Mas também ao que desdisse
E, conforme a hora e o lugar,
Saber se facto ou tolice.
Pois a palavra falada
Pelo tom que se lhe dá
Em bem ou mal haverá-
De nos ser interpretada,
Repetindo-a lá e cá.
Porém, à palavra escrita,
A voz que fala se cala...
E por calada intercala
Tanto a verdade infinita,
Quanto a mentira mais rala.
No mais, onde for Poesia
Só o espírito penetra:
Rima, ritmo, metro etcet'ra...
Feliz quem tem a alegria
De vivê-la ao pé da letra!
Belo Horizonte - 25 08 2018
331
ENXAQUECA
Hipersensível, cubro-me as janelas
E submerjo em silêncio e escuridão.
Capto do ambiente cada vibração
Por carregar da dor suas sequelas.
Isto me é existir quando procelas
Põem à deriva mente e coração.
Atravesso a absoluta solidão,
D'outra noite sem lua nem estrelas.
Insônia, angústia, febre, forte estafa...
Verificação cíclica de dados,
Onde o fluxo de ideias engarrafa.
Finda em cerco aos meus eus enmimesmados,
Mas nada nem ninguém dentro se safa
E eu me abandono d'olhos bem fechados...
Betim - 21 08 2018
E submerjo em silêncio e escuridão.
Capto do ambiente cada vibração
Por carregar da dor suas sequelas.
Isto me é existir quando procelas
Põem à deriva mente e coração.
Atravesso a absoluta solidão,
D'outra noite sem lua nem estrelas.
Insônia, angústia, febre, forte estafa...
Verificação cíclica de dados,
Onde o fluxo de ideias engarrafa.
Finda em cerco aos meus eus enmimesmados,
Mas nada nem ninguém dentro se safa
E eu me abandono d'olhos bem fechados...
Betim - 21 08 2018
410
A VOLTA DO MAR
Passando muito ao largo em seu retorno
Mareavam para além do conhecido...
E os ventos que governam desde o Olvido
Encurvam caprichosos tal contorno.
Pois apesar do abismo logo em torno
Ousaram pelo mundo reduzido
Avançar com as velas que têm sido
Na imensidão do mar estranho adorno.
Assim, de volta da Índia ou do Japão,
Desviam-se do Norte em direcção
Das Ilhas pelos céus afortunadas.
Ali gozam riquezas mais futuras
Lavadas no suor das aventuras
E ornadas no relato das jornadas.
Peruíbe - 21 07 2018
Mareavam para além do conhecido...
E os ventos que governam desde o Olvido
Encurvam caprichosos tal contorno.
Pois apesar do abismo logo em torno
Ousaram pelo mundo reduzido
Avançar com as velas que têm sido
Na imensidão do mar estranho adorno.
Assim, de volta da Índia ou do Japão,
Desviam-se do Norte em direcção
Das Ilhas pelos céus afortunadas.
Ali gozam riquezas mais futuras
Lavadas no suor das aventuras
E ornadas no relato das jornadas.
Peruíbe - 21 07 2018
276
ZIRIGUIDUM, BALACOBACO E TELECOTECO
É festa de batuque no boteco,
No que bate e rebate; ouve e repete.
Samba é canção puxada no falsete
Ao som de tamborim e reco-reco.
É do balacobaco o repeteco!
No pique do repique pinta o sete.
Quando, desde o barraco ao palacete,
D'algum Brasil feliz escutam o eco.
Em zum-ziriguidum, voz e violão
Vagueia ensimesmada outra emoção
De juntos ver-ouvir a noite toda.
E ali, mais bela a pele mais morena,
Enquanto a lua cheia se asserena
A batida do samba lhe abre a roda.
Belo Horizonte - 14 08 2018
No que bate e rebate; ouve e repete.
Samba é canção puxada no falsete
Ao som de tamborim e reco-reco.
É do balacobaco o repeteco!
No pique do repique pinta o sete.
Quando, desde o barraco ao palacete,
D'algum Brasil feliz escutam o eco.
Em zum-ziriguidum, voz e violão
Vagueia ensimesmada outra emoção
De juntos ver-ouvir a noite toda.
E ali, mais bela a pele mais morena,
Enquanto a lua cheia se asserena
A batida do samba lhe abre a roda.
Belo Horizonte - 14 08 2018
465
A BORDO
A barca que me leva para as ilhas
Sulca as ondas d'um mar esmeraldino.
D'olhos arregalados me amenino,
Navegante entre sais e maravilhas...
Carreira dos Açores às Antilhas
Onde poentes segredam-me o destino!
Alma atlântica posta em desatino
Após atravessar milhas e milhas.
Desperto em meio à névoa matutina
Na qual mui lentamente em derredor
A imensidão além se descortina.
Ali, envolto todo em pleno albor,
O mundo evanescente na retina
À voz que vem de dentro faz maior.
Peruíbe - 20 07 2018
Sulca as ondas d'um mar esmeraldino.
D'olhos arregalados me amenino,
Navegante entre sais e maravilhas...
Carreira dos Açores às Antilhas
Onde poentes segredam-me o destino!
Alma atlântica posta em desatino
Após atravessar milhas e milhas.
Desperto em meio à névoa matutina
Na qual mui lentamente em derredor
A imensidão além se descortina.
Ali, envolto todo em pleno albor,
O mundo evanescente na retina
À voz que vem de dentro faz maior.
Peruíbe - 20 07 2018
355
A RESPEITO
Quem tudo sabe mui pouco conhece.
Não concordas? Convém olhar direito:
Se desconheço, mais penso a respeito;
Em vez de julgar como me apetece.
Sabes que menos sábio me parece
Quando me impõem o mundo do seu jeito...
Preguiça intelectual o preconceito!
Mesmo elevado a Deus em meio à prece.
Mas, para censurar-me dedo em riste,
Lês à pressa senões em demasia
Já desqualificando quanto viste.
Peço que me respeites a poesia,
Sem apenas taxar se alegre ou triste,
S'encaixa em tua vã sabedoria...
São Paulo - 20 07 2018
Não concordas? Convém olhar direito:
Se desconheço, mais penso a respeito;
Em vez de julgar como me apetece.
Sabes que menos sábio me parece
Quando me impõem o mundo do seu jeito...
Preguiça intelectual o preconceito!
Mesmo elevado a Deus em meio à prece.
Mas, para censurar-me dedo em riste,
Lês à pressa senões em demasia
Já desqualificando quanto viste.
Peço que me respeites a poesia,
Sem apenas taxar se alegre ou triste,
S'encaixa em tua vã sabedoria...
São Paulo - 20 07 2018
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Comentários (5)
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Lindos poemas ,meu caro!
Poeta gosto do que escreve! A sua poesia toca, sente, provoca, mostra... Parabéns
POEMAS INTELIGENTES,RICARDOC PARABÊNS. Abraços EDUARDO POETA!
bom vê-lo por aqui
Gosto da sua poesia...parabéns, bom ano!