Escrevo. Gosto de escrever. Se sou escritor ou poeta, eu deixo para o leitor ponderar.
Lista de Poemas
DOIS EFEBOS
Nus, têm pele de mármore polido
E cabelos em cachos sobre os ombros.
Por entre colunas jônicas, escombros
Do templo de Apolo, o esclarecido.
Eternamente púberes, ao Olvido
Ignoram em seus amores sem assombos.
Enquanto sob as árvores, ressombros
Filtram os raios d'um sol enternecido.
Mal se tocando as faces, abraçados...
Como se a vislumbrar d'olhos fechados
A expressão de gozo em seu amante.
Dois efebos sorrindo frente a frente
Onde lograsse a pedra simplesmente
Reter-lhes a beleza d'esse instante.
Betim - 29 03 2018
E cabelos em cachos sobre os ombros.
Por entre colunas jônicas, escombros
Do templo de Apolo, o esclarecido.
Eternamente púberes, ao Olvido
Ignoram em seus amores sem assombos.
Enquanto sob as árvores, ressombros
Filtram os raios d'um sol enternecido.
Mal se tocando as faces, abraçados...
Como se a vislumbrar d'olhos fechados
A expressão de gozo em seu amante.
Dois efebos sorrindo frente a frente
Onde lograsse a pedra simplesmente
Reter-lhes a beleza d'esse instante.
Betim - 29 03 2018
369
AQUELA MOÇA
Quem era aquela moça que beijei
No sonho que sonhei em pleno dia?
Desconheço-lhe tudo, mas sabia
Ser ela alguém que ainda encontrarei.
Como posso lembrar do que não sei?
Como não pode haver quem só eu via?
Em meus lábios seus lábios eu sentia
N'outro tempo insubmisso a qualquer lei:
Sem passado ou futuro no presente,
Súbito amor alhures se pressente,
Pois presença na ausência presumida.
Ela... Jamais a vi e nunca esqueço!
Reencontro aquela qu'eu tão-só conheço
Do sonho que sonhei por toda a vida...
Betim - 25 03 2018
No sonho que sonhei em pleno dia?
Desconheço-lhe tudo, mas sabia
Ser ela alguém que ainda encontrarei.
Como posso lembrar do que não sei?
Como não pode haver quem só eu via?
Em meus lábios seus lábios eu sentia
N'outro tempo insubmisso a qualquer lei:
Sem passado ou futuro no presente,
Súbito amor alhures se pressente,
Pois presença na ausência presumida.
Ela... Jamais a vi e nunca esqueço!
Reencontro aquela qu'eu tão-só conheço
Do sonho que sonhei por toda a vida...
Betim - 25 03 2018
398
DESQUITE
Eu não gosto de não gostar de ti
Tanto quanto não gosto d'estar triste.
Acontece que exacto o que anteviste
Revelou-se 'inda pior quando o vivi.
Desilusões à parte, percebi
Que nem o amor aos factos já resiste...
Tudo o que nos passou não mais existe,
Senão vaga miragem do que vi.
Estamos quites como sempre quis:
Devolvo-te de novo ao meu passado
E estás livre de mim, como se diz.
-- "Obrigado por já desobrigado
Da culpa de te ver tão infeliz
Depois de tantos anos ao meu lado."
Betim - 05 05 2005
Tanto quanto não gosto d'estar triste.
Acontece que exacto o que anteviste
Revelou-se 'inda pior quando o vivi.
Desilusões à parte, percebi
Que nem o amor aos factos já resiste...
Tudo o que nos passou não mais existe,
Senão vaga miragem do que vi.
Estamos quites como sempre quis:
Devolvo-te de novo ao meu passado
E estás livre de mim, como se diz.
-- "Obrigado por já desobrigado
Da culpa de te ver tão infeliz
Depois de tantos anos ao meu lado."
Betim - 05 05 2005
400
ACONTECIMENTOS
Em face das recentes desventuras,
Que tenho atravessado em meu caminho,
Parece-me que nunca me avizinho
Senão de noites mais e mais escuras.
Resta-me além de tolas conjecturas,
De todas as verdades, a do vinho.
Na multidão percebo-me sozinho,
Ouvindo-os me espalhar as imposturas...
As coisas que me têm acontecido
Deram o que pensar e o que falar
A algum juízo alheio irrefletido.
Mas fica ainda a dúvida pelo ar,
Se a vida, para além de todo o olvido,
Não mais que um permanente mal-estar.
Betim - 10 02 2018
Que tenho atravessado em meu caminho,
Parece-me que nunca me avizinho
Senão de noites mais e mais escuras.
Resta-me além de tolas conjecturas,
De todas as verdades, a do vinho.
Na multidão percebo-me sozinho,
Ouvindo-os me espalhar as imposturas...
As coisas que me têm acontecido
Deram o que pensar e o que falar
A algum juízo alheio irrefletido.
Mas fica ainda a dúvida pelo ar,
Se a vida, para além de todo o olvido,
Não mais que um permanente mal-estar.
Betim - 10 02 2018
474
ARIDEZ
Como ouvisse trovão e não visse raio,
No claro céu dos longes dos sertões.
Assim também os secos corações
No chão esturricado ao sol de maio.
Incoerências à parte, de soslaio,
Surpreendo redemunhos d'emoções
Varrendo as desoladas amplidões,
Onde antes todo o campo verde gaio...
Brilhante, o contraforte do penedo
Reluz igual matéria incandescente
Àquela claridade onipresente.
De facto um novo sol cada rochedo,
Espelhando-se a pino no meio-dia
Por sobre a terra tórrida e vazia.
Mantena - 30 05 2017
No claro céu dos longes dos sertões.
Assim também os secos corações
No chão esturricado ao sol de maio.
Incoerências à parte, de soslaio,
Surpreendo redemunhos d'emoções
Varrendo as desoladas amplidões,
Onde antes todo o campo verde gaio...
Brilhante, o contraforte do penedo
Reluz igual matéria incandescente
Àquela claridade onipresente.
De facto um novo sol cada rochedo,
Espelhando-se a pino no meio-dia
Por sobre a terra tórrida e vazia.
Mantena - 30 05 2017
416
EVASÃO
Qualquer lugar que não esse onde vivo!
Qualquer tempo que não o meu presente!...
A vida em devaneios por simplesmente
Não lhe saber sentido nem motivo.
Em utopia estar contemplativo!
Em fantasia ser quem tenho em mente!...
Imaginar o mundo tão-somente
Ao invés de o descrever tão objetivo.
Algures bem melhor do que eu aqui;
Antanho bem melhor do que eu agora:
Distinto é quanto sou do que senti...
Seja eu meio acolá ou meio outrora,
Flanando enmimesmado em vão por aí,
Diverso ao que hei vivido vida afora.
Betim - 04 02 2018
Qualquer tempo que não o meu presente!...
A vida em devaneios por simplesmente
Não lhe saber sentido nem motivo.
Em utopia estar contemplativo!
Em fantasia ser quem tenho em mente!...
Imaginar o mundo tão-somente
Ao invés de o descrever tão objetivo.
Algures bem melhor do que eu aqui;
Antanho bem melhor do que eu agora:
Distinto é quanto sou do que senti...
Seja eu meio acolá ou meio outrora,
Flanando enmimesmado em vão por aí,
Diverso ao que hei vivido vida afora.
Betim - 04 02 2018
402
E A COISA TODA
E A COISA TODA
Não há-de haver debate verdadeiro
Se se reduz ao absurdo um adversário.
As certezas impostas pelo ideário
Nos limitam somente ao costumeiro.
Cada homem é de si bom conselheiro,
Mas o mais, por complexo e mesmo vário,
Transita entre o caótico e o arbitrário
N'um posicionamento derradeiro.
Estar mais à direita ou mais à esquerda
Revela tão-só mais ou menos perda
Dos discursos em face da verdade.
Quem busca a verdade antes a investiga
E não repete o que quer que se lhe diga
Como se sem consciência nem vontade.
Betim - 19 01 2018
Não há-de haver debate verdadeiro
Se se reduz ao absurdo um adversário.
As certezas impostas pelo ideário
Nos limitam somente ao costumeiro.
Cada homem é de si bom conselheiro,
Mas o mais, por complexo e mesmo vário,
Transita entre o caótico e o arbitrário
N'um posicionamento derradeiro.
Estar mais à direita ou mais à esquerda
Revela tão-só mais ou menos perda
Dos discursos em face da verdade.
Quem busca a verdade antes a investiga
E não repete o que quer que se lhe diga
Como se sem consciência nem vontade.
Betim - 19 01 2018
398
UM QUARTO E UMA MEIA
UM QUARTO E UMA MEIA
Uma meia esquecida no meu quarto.
Olho no relógio e é meia noite e meia...
E igual àquela noite, outra lua cheia
De cujo recordar jamais me farto.
O perfume, já por meio e um quarto,
É teu cheiro que no ar tudo permeia...
Dilata-se a pupila; estufa a veia:
De novo para aquela noite eu parto.
Brilho da lua em só noite de quarta...
Da qual ora escureço; ora clareio
Para ti cada poema, foto ou carta.
No fim das contas, perco-me no enleio:
Dividido por zero ou posto à quarta...
O que é ser nada? Ser um par ao meio?...
Cap. Andrade - 22 03 1995
Uma meia esquecida no meu quarto.
Olho no relógio e é meia noite e meia...
E igual àquela noite, outra lua cheia
De cujo recordar jamais me farto.
O perfume, já por meio e um quarto,
É teu cheiro que no ar tudo permeia...
Dilata-se a pupila; estufa a veia:
De novo para aquela noite eu parto.
Brilho da lua em só noite de quarta...
Da qual ora escureço; ora clareio
Para ti cada poema, foto ou carta.
No fim das contas, perco-me no enleio:
Dividido por zero ou posto à quarta...
O que é ser nada? Ser um par ao meio?...
Cap. Andrade - 22 03 1995
630
A MARIPOSA
A MARIPOSA
Atravessa comigo a noite em claro,
Voando ao redor da luz da escrivaninha.
Vez ou outra rente à pele me acarinha
E vai-se sem que faça mais reparo.
Mas pousa no retrato do preclaro
E -- por que não? -- errático poetinha!...
De modo que elegante se sustinha
Por sobre um rosto a mim sempre tão caro.
Atravessa comigo a noite escura
A panejar sua asa adamascada
Que bem na calva d'ele ora figura.
Registro que, poesia sublimada,
A mariposa em sua desventura
Deu vida àquela face iluminada.
Betim - 09 05 1995
Atravessa comigo a noite em claro,
Voando ao redor da luz da escrivaninha.
Vez ou outra rente à pele me acarinha
E vai-se sem que faça mais reparo.
Mas pousa no retrato do preclaro
E -- por que não? -- errático poetinha!...
De modo que elegante se sustinha
Por sobre um rosto a mim sempre tão caro.
Atravessa comigo a noite escura
A panejar sua asa adamascada
Que bem na calva d'ele ora figura.
Registro que, poesia sublimada,
A mariposa em sua desventura
Deu vida àquela face iluminada.
Betim - 09 05 1995
632
CORAÇÃO MAGOADO
CORAÇÃO MAGOADO
Tu, com tão estudada displicência,
Soubeste d'algum modo me atingir:
Sinto-te triste só em te sentir,
Apesar dos sorrisos de aparência.
As máscaras que ostentas com frequência
-- Não sei se por mentir ou se omitir
(Às vezes é difícil distinguir...) --
Dizem muito do ardor de tua urgência.
Fingir-te sensações sem desejá-las
Tornam mais fantasiosas estas falas,
Que repetes qual texto decorado...
Em todo caso, admiro-te ora a atriz
Atenta em parecer sempre feliz
Embora um coração já tão magoado.
Belo Horizonte - 19 06 1996
Tu, com tão estudada displicência,
Soubeste d'algum modo me atingir:
Sinto-te triste só em te sentir,
Apesar dos sorrisos de aparência.
As máscaras que ostentas com frequência
-- Não sei se por mentir ou se omitir
(Às vezes é difícil distinguir...) --
Dizem muito do ardor de tua urgência.
Fingir-te sensações sem desejá-las
Tornam mais fantasiosas estas falas,
Que repetes qual texto decorado...
Em todo caso, admiro-te ora a atriz
Atenta em parecer sempre feliz
Embora um coração já tão magoado.
Belo Horizonte - 19 06 1996
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Comentários (5)
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Lindos poemas ,meu caro!
Poeta gosto do que escreve! A sua poesia toca, sente, provoca, mostra... Parabéns<br />
POEMAS INTELIGENTES,RICARDOC PARABÊNS. Abraços EDUARDO POETA!
bom vê-lo por aqui
Gosto da sua poesia...parabéns, bom ano!