RicardoC

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n. 1976 BR BR

Escrevo. Gosto de escrever. Se sou escritor ou poeta, eu deixo para o leitor ponderar.

n. 1976-05-01, Caratinga

Perfil
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UM DESALMADO

A vida é movimento continuado
Do ser entre se almar e desalmar.
Por pena ou humanidade, há-que encontrar
Algum discernimento mais confiado.

O mundo fez de mim um desalmado
No dia em que cessei de me importar
E a esperança deixou de ter lugar
Dentro do coração amargurado.

Com efeito, parece que minh'alma
Perdera-se-me e bem com ela a calma
Que tinha no semblante quando moço.

E o pouco ou quase nada que hoje sinto
Só lembra do que tanto me ressinto,
E tem me feito mais e mais insosso...

Betim - 19 12 2017
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Biografia
Escrevo. Gosto de escrever. Se sou escritor ou poeta, eu deixo para o leitor ponderar.

Poemas

226

A QUEM É D'AQUÉM-MAR

A QUEM é D'AQUéM-MAR

Se escrevo como escrevo é que não devo
Nunca nada a ninguém d'aquém ou d'além.
Escrevo como quero e me convém
Na herdade do vernáculo por coevo.

Se a tais lusitanismos eu me atrevo
é porque mais me aprazem e soam bem.
De facto, minha escrita sempre tem
Um quê de meio arcaico ou de longevo.

Pois escritas assim d'esta maneira
As coisas me mantêm a verdadeira
Maravilha que tenho quando as leio.

Certo que, se a estranheza se lhe venha,
O leitor que a tiver também me tenha,
Mas com mais fantasia de permeio.

Belo Horizonte - 20 12 2017
466

UM QUARTO E UMA MEIA

UM QUARTO E UMA MEIA

Uma meia esquecida no meu quarto.
Olho no relógio e é meia noite e meia...
E igual àquela noite, outra lua cheia
De cujo recordar jamais me farto.

O perfume, já por meio e um quarto,
É teu cheiro que no ar tudo permeia...
Dilata-se a pupila; estufa a veia:
De novo para aquela noite eu parto.

Brilho da lua em só noite de quarta...
Da qual ora escureço; ora clareio
Para ti cada poema, foto ou carta.

No fim das contas, perco-me no enleio:
Dividido por zero ou posto à quarta...
O que é ser nada? Ser um par ao meio?...

Cap. Andrade - 22 03 1995
650

D'ORAVANTE

D'ORAVANTE

Não mais ser um refém de meus problemas!
Mas, no que depender de mim então,
Poete eu a minha humana condição
E não outra engrenagem nos sistemas...

Para valer a pena escrever poemas
Carece mais ter dúvidas à mão,
Que sempre para tudo solução
Na vida e seus inúmeros dilemas.

D'oravante serei calmo, não frio
Ciente de que a verdade, na verdade
Se revela n'algum canto sombrio.

E ainda que não seja novidade,
-- Ao contrário, p'ra mim até tardio --
Saiba eu ver tudo com serenidade.

Betim - 30 12 2017
741

ENLUARADA

ENLUARADA

Uma mulher me veio em meio ao sonho:
Dizia que me amava, mas partia.
E eu, pasmo n'uma estúpida apatia,
Segui ao longe seu olhar tristonho.

Acordo de cenário tão medonho
Recordando a imagem que fugia:
O porte senhoril, a face esguia...
Ao luar, seus olhos baixos recomponho.

Mas não fixei o rosto, coisa alguma.
Sequer podia haver d'algo nomeado:
É todas as mulheres e nenhuma.

Era ela um recordar, porém, sonhado;
Alguém que a minha mente desarruma...
A mulher que me deixa em meu passado.

Belo Horizonte - 07 09 1997
928

CONCORDES

CONCORDES

De acordo co'os acordes que te fiz,
Eu te acordo co'as cordas do violão
E te acovardo a dor do coração
N'um canto em cujo encanto és feliz.

Incorporado o ritmo, um aprendiz
Eu me faço no compasso da canção.
E, passo a passo, passo-te a emoção
Tão certo quanto bem te quero e quis.

De cor o acorde, pois, te acode e acorda
Quando, a poesia e a música concordes,
Se veem canção que bem o amor aborda.

Talvez assim de mim tu te recordes
Enquanto meu amor por ti transborda:
Na harmonia de versos, mais acordes...

Betim - 09 08 1993
951

CORAÇÃO MAGOADO

CORAÇÃO MAGOADO

Tu, com tão estudada displicência,
Soubeste d'algum modo me atingir:
Sinto-te triste só em te sentir,
Apesar dos sorrisos de aparência.

As máscaras que ostentas com frequência
-- Não sei se por mentir ou se omitir
(Às vezes é difícil distinguir...) --
Dizem muito do ardor de tua urgência.

Fingir-te sensações sem desejá-las
Tornam mais fantasiosas estas falas,
Que repetes qual texto decorado...

Em todo caso, admiro-te ora a atriz
Atenta em parecer sempre feliz
Embora um coração já tão magoado.

Belo Horizonte - 19 06 1996
926

À PROENÇAL

À PROENÇAL

Dormi, ó bela, em torres de marfim,
Sem mais porvir, sem dor dormir, sem nada...
Ei-vos o corpo estátua inacabada,
Tendo voss'alma pálida por fim!

Não esperais por reis d'além-jardim,
Sim por vós -- quintessência decantada --
Onde as virtudes todas têm morada,
Enquanto os vícios todos sobre mim.

Mas seja meu cantar vosso acalanto.
Pois, embora a poesia amor mundano,
A música traz d'anjos o amor santo.

Sois toda ideal, não carne, cerne humano...
Sede-o, ó bela: Incorpórea! Abstrato encanto!!!
E eu tão-só os ouvidos vos profano...

Betim - 02 10 1998
987

CONHECENÇA

Mas como é bom rever a ponta aguda
Depois de navegar por mar aberto!...
Saber-me do canal de novo perto,
Onde aos olhos cada angra se desnuda.

Pelos costões de pedra ir sem ajuda
Até topar co'o cabo indescoberto.
E em todo o litoral quase deserto,
Reconhecer mesmo a ilha mais miúda.

Dos rasos de arrecifes e de abrolhos
Passei ao largo pondo longos olhos
Para avistar enfim a extensa costa.

Agora é só fundear a embarcação
No estuário d'água doce d'um rincão
Onde coisa nenhuma me desgosta.

Ubatuba - 16 07 2017
1 025

À DERIVA

Perdidos já o leme e a vela, corro
Os olhos pelo oceano a ver o abismo
Onde aprecio em meio ao cataclismo
Lindas sereias cantando enquanto morro.

Vem tão-só um petrel em meu socorro
E pouco pôde diante do que cismo
A tempestade é um vão paroxismo
Meu ao Universo sob olhar pachorro.

Não tenho muito tempo: Já a quilha
Deixará de sulcar às ondas altas,
Que se elevaram contra as minhas faltas.

Castigo ou não, resta a maravilha
De saber quanto pode o amor, por sorte
Em me levar, certeiro, até a morte.

Betim - 15 12 2015

1 173

A REDONDEZA

Mas é terra redonda... É mundo rotundo...
A esfera onde se vive e, ao fim, se morre.
Se escreves, é cuidar que não se borre
A escura letra sobre o claro fundo.

Pois, isso de escrever parece oriundo
D'algo que, subterrâneo, às vezes jorre
Até se me alcançar o alto da torre,
Trazendo um seu segredo nauseabundo.

E quando formos flores, margaridas
A brotar sem cuidados nas campinas,
Possam se recordar de nossas vidas...

...P'la letra: redondeza de meninas!
Que, inopinadamente, mais bonita
Faz-me o papel luzir a alheia escrita.

Betim - 26 02 2015

1 064

Comentários (5)

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Luciana

Lindos poemas ,meu caro!

Poeta gosto do que escreve! A sua poesia toca, sente, provoca, mostra... Parabéns

EDUARDO POETA

POEMAS INTELIGENTES,RICARDOC PARABÊNS. Abraços EDUARDO POETA!

bom vê-lo por aqui

natalia nuno

Gosto da sua poesia...parabéns, bom ano!