RicardoC

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n. 1976 BR BR

Escrevo. Gosto de escrever. Se sou escritor ou poeta, eu deixo para o leitor ponderar.

n. 1976-05-01, Caratinga

Perfil
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UM DESALMADO

A vida é movimento continuado
Do ser entre se almar e desalmar.
Por pena ou humanidade, há-que encontrar
Algum discernimento mais confiado.

O mundo fez de mim um desalmado
No dia em que cessei de me importar
E a esperança deixou de ter lugar
Dentro do coração amargurado.

Com efeito, parece que minh'alma
Perdera-se-me e bem com ela a calma
Que tinha no semblante quando moço.

E o pouco ou quase nada que hoje sinto
Só lembra do que tanto me ressinto,
E tem me feito mais e mais insosso...

Betim - 19 12 2017
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Biografia
Escrevo. Gosto de escrever. Se sou escritor ou poeta, eu deixo para o leitor ponderar.

Poemas

226

A MARIPOSA

A MARIPOSA

Atravessa comigo a noite em claro,
Voando ao redor da luz da escrivaninha.
Vez ou outra rente à pele me acarinha
E vai-se sem que faça mais reparo.

Mas pousa no retrato do preclaro
E -- por que não? -- errático poetinha!...
De modo que elegante se sustinha
Por sobre um rosto a mim sempre tão caro.

Atravessa comigo a noite escura
A panejar sua asa adamascada
Que bem na calva d'ele ora figura.

Registro que, poesia sublimada,
A mariposa em sua desventura
Deu vida àquela face iluminada.

Betim - 09 05 1995
658

DAMA-DA-NOITE

DAMA-DA-NOITE

Eu com ela vez ou outra me deparo.
Tinha sombras escuras pelos olhos
E perfumada ao extremo em santos óleos,
Qual morresse d'amor sem meu amparo...

Alheado em seu olhar de brilho raro,
Talvez me pegue a andar de antolhos
Atrás de si, pois, qual campo de cóleos,
A roupa exuberante lhe reparo.

Não sei por onde andou ou o que procura,
Quem, insone, me fez sonhar fecundo
Diante de seu sorriso de luz pura.

Só sei que me devassa o olhar profundo,
Enquanto me entorpece com brandura
A nuca mais cheirosa d'este mundo.

Belo Horizonte - 10 12 2005
496

CONHECENÇA

Mas como é bom rever a ponta aguda
Depois de navegar por mar aberto!...
Saber-me do canal de novo perto,
Onde aos olhos cada angra se desnuda.

Pelos costões de pedra ir sem ajuda
Até topar co'o cabo indescoberto.
E em todo o litoral quase deserto,
Reconhecer mesmo a ilha mais miúda.

Dos rasos de arrecifes e de abrolhos
Passei ao largo pondo longos olhos
Para avistar enfim a extensa costa.

Agora é só fundear a embarcação
No estuário d'água doce d'um rincão
Onde coisa nenhuma me desgosta.

Ubatuba - 16 07 2017
1 028

CORAÇÃO MAGOADO

CORAÇÃO MAGOADO

Tu, com tão estudada displicência,
Soubeste d'algum modo me atingir:
Sinto-te triste só em te sentir,
Apesar dos sorrisos de aparência.

As máscaras que ostentas com frequência
-- Não sei se por mentir ou se omitir
(Às vezes é difícil distinguir...) --
Dizem muito do ardor de tua urgência.

Fingir-te sensações sem desejá-las
Tornam mais fantasiosas estas falas,
Que repetes qual texto decorado...

Em todo caso, admiro-te ora a atriz
Atenta em parecer sempre feliz
Embora um coração já tão magoado.

Belo Horizonte - 19 06 1996
928

D'ORAVANTE

D'ORAVANTE

Não mais ser um refém de meus problemas!
Mas, no que depender de mim então,
Poete eu a minha humana condição
E não outra engrenagem nos sistemas...

Para valer a pena escrever poemas
Carece mais ter dúvidas à mão,
Que sempre para tudo solução
Na vida e seus inúmeros dilemas.

D'oravante serei calmo, não frio
Ciente de que a verdade, na verdade
Se revela n'algum canto sombrio.

E ainda que não seja novidade,
-- Ao contrário, p'ra mim até tardio --
Saiba eu ver tudo com serenidade.

Betim - 30 12 2017
742

CONCORDES

CONCORDES

De acordo co'os acordes que te fiz,
Eu te acordo co'as cordas do violão
E te acovardo a dor do coração
N'um canto em cujo encanto és feliz.

Incorporado o ritmo, um aprendiz
Eu me faço no compasso da canção.
E, passo a passo, passo-te a emoção
Tão certo quanto bem te quero e quis.

De cor o acorde, pois, te acode e acorda
Quando, a poesia e a música concordes,
Se veem canção que bem o amor aborda.

Talvez assim de mim tu te recordes
Enquanto meu amor por ti transborda:
Na harmonia de versos, mais acordes...

Betim - 09 08 1993
954

ENLUARADA

ENLUARADA

Uma mulher me veio em meio ao sonho:
Dizia que me amava, mas partia.
E eu, pasmo n'uma estúpida apatia,
Segui ao longe seu olhar tristonho.

Acordo de cenário tão medonho
Recordando a imagem que fugia:
O porte senhoril, a face esguia...
Ao luar, seus olhos baixos recomponho.

Mas não fixei o rosto, coisa alguma.
Sequer podia haver d'algo nomeado:
É todas as mulheres e nenhuma.

Era ela um recordar, porém, sonhado;
Alguém que a minha mente desarruma...
A mulher que me deixa em meu passado.

Belo Horizonte - 07 09 1997
930

À PROENÇAL

À PROENÇAL

Dormi, ó bela, em torres de marfim,
Sem mais porvir, sem dor dormir, sem nada...
Ei-vos o corpo estátua inacabada,
Tendo voss'alma pálida por fim!

Não esperais por reis d'além-jardim,
Sim por vós -- quintessência decantada --
Onde as virtudes todas têm morada,
Enquanto os vícios todos sobre mim.

Mas seja meu cantar vosso acalanto.
Pois, embora a poesia amor mundano,
A música traz d'anjos o amor santo.

Sois toda ideal, não carne, cerne humano...
Sede-o, ó bela: Incorpórea! Abstrato encanto!!!
E eu tão-só os ouvidos vos profano...

Betim - 02 10 1998
988

A CAVALEIRO

Gritava:--"Aqui-d'el-Rey! Aqui-d'el-Rey!!!"--
Para a guarnição no alto do baluarte,
Como se lhe alertasse d'outra parte
Pronta para atacá-los:--"Acorrei!".

No entanto, a fortaleza e sua greii
Há muito abandonaram o estandarte...
Visto que só silêncio me comparte
Cada pedra em ruína que aí verei.

Galgo-lhe a esplanada que, vazia,
Creram inexpugnável algum dia,
E chego com esforço ao revelim.

Lá me apresento para outra vigia,
Na esperança que a aurora traga a mim
Por outra perspectiva, um outro fim.

Betim - 03 06 2015

1 121

À PRIMEIRA VISTA

Sim, eu quero te amar como se minha
Fosses por toda a vida, muito embora
Só te conheça há pouco mais d'uma hora
E sequer estivesses cá sozinha...

Chegando em ti eu nem sei porque vinha,
Mas confesso que já quero ir embora
Para, insolitamente, vermos lá fora
O quanto a tua boca me avizinha.

Se dissesse que te amo não mentiria,
Mesmo sem saber teu nome ou quem és:
Cuido que o Amor é cego ou vê de viés!

E deixo-me levar pela ousadia,
No avanço temerário onde o revés
Se oculta em luz de plena fantasia.

Betim - 08 02 2015

1 088

Comentários (5)

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Luciana

Lindos poemas ,meu caro!

Poeta gosto do que escreve! A sua poesia toca, sente, provoca, mostra... Parabéns

EDUARDO POETA

POEMAS INTELIGENTES,RICARDOC PARABÊNS. Abraços EDUARDO POETA!

bom vê-lo por aqui

natalia nuno

Gosto da sua poesia...parabéns, bom ano!