Lista de Poemas
as notícias
cá neste Brasil confesso
que de cansado me apresso.
e o jornal lembra um romance
quando lido de relance:
fome, crime passional,
previsão do tempo e astral,
eventos mirabolantes,
gravatas beligerantes,
holocausto, pianista,
inferno, salada mista,
estética e tendência,
e uns mil mortos por doença;
leio-o sem nó na garganta,
no café, no almoço, na janta...
pois não há alma num número,
nem braço tem quem quebra o úmero
se se o lê numa contagem,
dentre tantos, é miragem,
teatral estripulia,
coluna de poesia,
ficção, melancolia,
mágica e demagogia.
melhor pular essa parte.
estou farto de tanta arte.
tchau, tchau, viu, senhor jornal?
(quase te pensei real).
quero arroz, feijão e vagem
e um pouco de sacanagem.
retorno
E assim, com eles, todas as despedidas, lamentos, e demais belezas
Que outrora os compuseram e magoaram.
Chegará o dia.
Será tudo, enfim, em este dia repentino,
Qualquer coisa como um quisto intervalo na fúria da serpente,
Alguma calma, algum repouso à pobre alma humana já dorida de infinito;
Um enlace vago e acolhedor por parte da distante mãe andrógina,
Que por átimos oferece-nos – em conluio com as estrelas –
A breve possibilidade de tatear o lar
A que enfim tornamos todos
– Nós, estrelas cadentes que se delongam ao leito derradeiro da terra.
Chegará o dia.
E enfim dispersos, seremos mais.
Não nos romperão as formas e contornos:
Desceremos e ascenderemos pelo vácuo e pelo vento,
Resvalando nossas inscientes fagulhas
Por sobre as coisas todas que também seremos
Quando formos nada.
Chegará um dia, e haverá de todos os olhos resquícios, no universo;
Refletindo a quem os fite
Com a intenção de se fazer poesia,
Visões e prantos fecundos da pérfida maravilha da existência.
– Será, de fato, a despedida, uma rocha; De fato, o lamento, um bicho;
De fato, a beleza, uma flor; música ao acaso dentre os lumes ancestrais.
[prosa] fragmento de sensação
Sim... Qualquer ente humano, querido ou desconhecido, que, proferindo uma saudação ritualística qualquer, franza de maneira distinta os olhos e altere minimamente o tom da pronúncia de suas palavras... Ou a visão ocasional e oportuna de uma formiga que, ao sair do copo que há pouco enchi de água justamente por a não ter visto inicialmente, começa, à borda do mesmo copo, a esfregar as patas magras e fortes ao redor das antenas, enxugando-se... Ou, ainda, o som ágil e despretensioso vindo dos lábios de quem me chame pelo nome – tudo, de repente, é-me uma vela, se vejo bem, com qual minha alma dormente se reacende. É tudo um sutil punhal que me penetra o coração, sangrando um profundo sentimento de piedade e carinho impossível.
Certa vez mostraram-me a fotografia de um bebê, de que não recordo o nome, embora o relembre deveras. Sorria como considerável parte dos bebês o faz em fotos; talvez, por isso mesmo, dava uma primeira impressão de não ser bebê, mas foto. Por repentino destino, no entanto, um dente único e muito branco que despontava da gengiva inferior saltou-me aos olhos como se fosse uma súbita condensação de toda a vida, algo que rasgasse o símbolo fotográfico dissimulado e trouxesse-me à alma não o bebê em si, em sua carne contornada e individualidade ainda por desenvolver, mas sim a própria consciência abstrata de que aquele bebê existe, de que outros bebês existem, de que existem bebês com corações inocentes e olhos entreabertos ao mundo e dentes de leite doídos. Aquele dente, de alguma forma, caiu-me na alma liquefata como fosse uma peça de chumbo descendo a um poço profundo, mas com tal voracidade de modo a ser capaz de elevar quase à tona – meus olhos – a água – lágrimas – há muito esquecida no fundo. Tive dentinhos de leite também, como tem esse bebê. Fui bebê também. Algo em mim talvez ainda o seja. Aquele bebê fora, naquele instante, toda a humanidade, e até por isso não cismo lembrar seu nome. A poesia foi-me quase possível outra vez, embora fosse triste.
Posso quase ousar dizer que agora compreendo o que em mim me causa tais sensações: ora, a percepção dos detalhes exige (diferentemente da percepção ampla) a admissão, ainda que inadvertida, de que é tudo real. A vida é real. O mundo é real. Eu sou real. Também o ente que observo franzir os olhos e tropeçar nas palavras tem um modo de dizer, e algo a exprimir, e possivelmente bondade ao cumprimentar outro ente que julgue digno de cumprimento. Também ele sente a alegria estúpida da realidade.
Também a formiga, por mais marginalizada que seja nos corações de seus conterrâneos humanos, tem existência, tem vida, tem um lar a que deve retornar, tem tarefas a realizar, tem a necessidade de se alimentar e de escapar do afogamento para que assim postergue a hora em que forçosamente se dispersará na terra, organicamente – seria ela assim tão diferente dos homens para que por elas não tivéssemos qualquer coisa como ternura?
...E meu nome. Também sou alguém. Também tenho um nome, um aspecto, uma figura humana reconhecível a quem se pode atribuir afeto, desprezo, nojo, ódio, indiferença. Sim, recordo-me de que sou. Eu, que tanto, por vezes, me vejo entorpecido e diluído no meio alheio, sinto-me real quando me dou conta de que tenho um nome que me distinga.
E ternura. Tenho ternura ao ponto de ter lágrimas, pela consciência de que somos todos reais, com vãs dores e vãs alegrias reais, subjugados todos ao ofício de viver. Nós, bússolas quebradas guiando caravelas infinitas que partem sem destino, em um mar de dor e de beleza. Nós todos... Almirantes fadados que aspiram ao eterno ainda que não o saibam.
Ainda que uma única estrela anã condensasse em si todo o universo, não seria tão densa, relativamente, quanto à condensação de toda a fraternidade à humanidade e ao mundo quando esta se dá em um único seio humano.
Portanto abraço a todos quando aos mínimos detalhes me atento e constato a igualdade de nossas condições.
Outra vez pressinto a água subir à tona do poço, embora, agora, fique presa por detrás das pálpebras, em fluxo contínuo, rumorejando a infinidade destas sensações – rumor que em falhas parafraseio e ouso traduzir.
Sim... A poesia é-me quase possível.
o córrego
Do córrego fresco defronte aos bambuzais...
E em lentos acenos submersos, se desfaz
Toda a minha outrora intransigente e atroz mágoa.
Apanho uma haste verde que encontro caída
A um canto – tem uma pensa folha na ponta...
E eis que nela um peixe sonho – e dou-lhe tal vida,
E ao pô-lo a nadar me alegro, e o resto desmonta.
O alto Sol arde em maravilha, e sou criança,
Já me não sinto barbado e tampouco triste...
Neste momento calmo, apenas o que existe
É a água, a folha e o sonho, unidos em temperança.
E de mais nada necessito em este dia...
Basta-me o córrego fresco que me diverte,
E esta haste com folha, que em peixe se converte
Sob o olhar íntimo da minha poesia,
Que nada mais me adentra a causar qualquer dor...
Que nada mais me importa, pois nado também
Junto às formas que de mim nascem – sonhador,
Nas ondas suaves que de tal berço vêm.
matriosca
A mim também chegou a hora de vê-lo por de dentro,
E despenquei subitamente pelas umbrosas profundezas,
Cada instante mais distante do trajeto infindo
Sem passado, sem presente e sem futuro,
Por onde meus passos cansados se arrastavam.
Distancio-me de tudo.
Perde-se-me a luz do Sol real.
E em cada fundo a que minha alma desce,
Sob uma delirante opressão lúgubre,
Só o que existe é o prelúdio de um novo abismo constelado de angústias,
E a náusea de saber do meu desconhecimento
Acerca de em qual estância de mim mesmo me deixei.
Desintegrado do trajeto,
Mergulho na incerteza, debruçado
Na áspera solidão
Qual se dá cerceada em si.
Bem sei que um dia tive pálpebras leves,
Bem sei que um dia meus olhos foram atentos em vigílias e azuis como venezianas
De um lar gentil, que se abrem
Para que se espie a maravilha do mundo,
Cerradas somente em prol de descanso noturno,
Quando a maravilha do mundo dá espaço à maravilha do sonho.
Bem sei...
Bem sei que antes de ciscar ao báratro meus olhos não tinham chumbo nos sonhos,
Me não sentia alheio à paisagem diurna,
E havia notas musicais em cada gesto inaudível,
E não havia vinhas de desencanto me murchando as flores,
E era tudo límpido e a aspereza um reles mau bocado de sonho.
Mal bem sei...
Tenho grandes emaranhados de sensações,
Sonho que sonho dentro de um sonho,
Miseravelmente desperto,
Sentindo na carne o esfacelamento de meu coração palpitante
Ante a realidade desvirtuada e sem propósito,
E, ora dividido entre instantes que se ferem no mesmo tecido triste das horas,
Ora pouco sei se vivo,
Ou se parto para os domínios do não-ser.
(Ah, mas quão afáveis eram as mãos da finada avó de minha infância,
Por sobre meus cabelos puros de menino,
Como uma bênção sem malmequeres!...)
Quantas adagas férreas pesadamente sobrepostas às minhas pálpebras semicerradas...
E vejo pela metade, bem como existo pela metade,
Sem porém deixar de sonhar e sentir integralmente,
– E como me punge a falta de respaldo em vivência às minhas sensações,
Desterradas como crianças a que lhe tomassem os berços quentes em uma noite fria.
Indigesto do cansaço de tanto despencar,
Ao sabor da náusea de não encontrar consolo em quebrar-me ou acalmar-me,
Que me resta senão assistir à cinemática de todas as incompletudes
Que de mim me fiz?
Que me resta senão deixar que cessem os olhos chumbados pelo desgosto
E assistir, de dentro da minha cabeça,
Aos nulos quadros que em hipóteses me foram dados a colorir,
E não obstante, em gestos covardes, os rasguei com meu desprezo?
Que me resta senão chorar sem lágrimas,
No esforço fisicamente dorido da garganta seca,
As borboletas da minha alma que assassinei enquanto casulos?
Que mais posso fazer, dado que está tudo partido,
Senão esfolar as mãos nas ruínas dos lugares que amei e destruí?
Que me resta, piedade, que me resta, ó espasmo, que me resta desengano?
Como hei de resfolegar desta amargura
Se mesmo a superfície e a ideia de se chegar nela me sufocam?
(Mas dentre os escombros de todas as pragas,
Uma criança resiste.
Uma criança precedente ao abismo.
Uma criança com um lírio ao peito.
Uma criança de olhos acesos
Que a tudo espreita com as faces sujas e calmas e me fere de ternuras.
Que de mim, criança?...
Quem és tu para que eu a viva?...)
Grande vacuidade de todas as coisas, diz-me,
Em qual sarjeta ou fundo de garrafa
Abandonei a substância da sua maravilha?
À qual acalanto pernicioso deixei que adormecessem as minhas aspirações humanas?
Em qual verso que não escrevi por não poder conceber, não deixei escrita, inconscientemente, como tinta que se esgotasse,
A grande epifania da minha vida vazia?
Em qual dessas quedas? Em qual dessas estradas, onde?...
(Quantos ecos de quantos me amaram me cingem!
E quantos abraços eu já recebi nos confins da minha mentira desgrenhada!
Quantos estilhaços eu já abracei e remendei parcialmente com as agulhas e linhas do meu descontentamento!
Mas quanto, quanto, não fiz de seus dóceis tecidos, quando em mãos, depósitos de meu escarro...)
Estou lúcido e louco e ranjo os dentes e sinto frio.
Seria isto um prenúncio de morte?
Seria esta passagem entre tais portões obscuros a minha última obra?
Seria este microcosmo de sensações a amálgama da minha sujeira?
Ah, pudera tudo isto ser a nulificação de tudo!
Um tédio cardíaco de um coração que, tendo aprendido a pensar, cessasse de repente, como um dia profetizou o escrivão misantropo.
Antes fosse qualquer coisa, antes fosse um monturo ou espólio,
Que este meio vazio de se sonhar meio-morto sonhos vivíssimos, ou viver meio-vivo sonhos mortíssimos, alternadamente.
Não houvesse nesta queda uma ânsia que fugisse das despetaladas possibilidades,
E ansiasse pela consolidação do absurdo.
Não houvesse esta centelha no pensamento doloroso
Que, estando aquém da queda ou do pouso,
Do sonho ou do despertar,
Da vida ou da morte,
Procura por qualquer coisa que se não possa ver do fundo si,
Tendo por defronte a estrada perdida que é um nada abstrato,
Por detrás, a estrada absolutamente perdida que é um nada inconveniente,
E por dentro todas as estradas fundidas em labirintos decadentes e sem sinalização,
Absurdas,
Estúpidas,
E ainda assim, absurda e estupidamente mais que nada.
(Mas, e a criança?...
Ela brinca ainda com as borboletas,
Nos recantos mornos das ruínas...
Que criança?... Como pode?...
Onde?...
Pudesse eu descobrir onde se albergou,
Pudesse eu compreender como por ela sinto
Neste momento em que me esqueço...)
Expurgo de minha alma, ao menos, nestas linhas degeneradas,
O retrato escarrado dado pela boca do meu penar sem convalescência.
Se pouco, me resta o sabor deste desconhecimento para fazer cirandas mentais.
E a minha própria poesia para rodopiar no ar da eternidade vácua de onde me quedo vagarosamente,
Iluminando estas constelações pobres com as pontuações apoteóticas
De todos os meus tédios e lamentos falsos.
(Amigos esvaídos pelas ampulhetas trincadas,
Que melancolia é vê-los metamorfoseados em retratos opacos...
Mas que grande humanidade me açoita em seus papéis lustrosos...)
Dentro, dentro... Tudo dentro...
Tudo absurdamente dentro de mim...
Tudo transbordando impossivelmente para dentro, sempre para dentro...
Tantos afogamentos e naufrágios,
Tantas dores saborosas como a própria vida dos meus sonhos quebrados,
Tantas desilusões iludidas na virtude da desilusão,
E a consciência da inconsciência pairando como uma mariposa por sobre a decomposição do cadáver de quem me supus.
(Entretanto, como era bonita
A moça que por mim passou em alguma dessas camadas...)
Dentro, tudo dentro, vítreo, uma redoma ao redor do meu coração,
Que, apesar de todos os pesares,
Apesar de todo o desconhecimento esmorecido que cultiva,
Insiste em querer buscar onde abandonou
A verdadeira essência de seu sangue jorrado,
Sem nem sonhar onde ou como.)
(A criança?
Mas existe?...)
E o meu caminho se estende vertiginosamente
Por tudo quanto encontro, desencontro e descaminho,
Tudo lá e nada lá ou aqui – náusea nos internos dos tecidos.
Cada canto em seu canto, calado.
Cada amor em seu laço rasgado.
Cada ser em seu espaço delimitado pelo mundo.
Cada transeunte pelas calçadas de seus caminhos quotidianos.
Cada afeto isolado em cada estilhaço da sensibilidade de cada sensível.
Cada qual em cada lugar de si,
E tudo em lugar nenhum,
Que é o lugar de tudo,
Pois que a pedregosa estrada é um caminho infindo com destino definido
Que a tudo leva no curso do tempo
Ao lugar que lhe pertence.
Mas, e eu?
Onde estou em mim
No curso destas curvas abismais?
poema vazio
Desfeito às três da madrugada,
Quando o tudo de antes é nada,
E os narcisos morrem no entulho.
Mergulho e me busco e me dano,
Incapaz de singrar-me são,
A bordo do meu coração,
E no mar do tempo me fano.
Navego, naufrago, repito.
Quantas, oh, quantas embarcações
Partidas nas recordações
Das nuas agruras que fito...
Três da madrugada, dezembro.
Vou reclinado no sofá,
Viajando, entre o que há e não há,
E o que nunca houve, e o que lembro.
Saudoso, me dispo de mim,
Vejo-me nu e inteiro, quebrado
Sobre as areias, constelado
De estrelas de angústia sem fim.
Afinal, que sou senão isto?
Isto, que em si se afoga e verte,
Que em outro que é em si se perverte,
Que vejo, e me perco e me disto?
Sufocantes águas insanas,
Mãos que me afogam e me ferem,
Que me rejeitam e me querem...
Que sou senão águas profanas?
Quatro. Madrugada sem nada.
Cravada na sala de estar,
Minha alma segue a navegar
Presa em meu corpo e estagnada.
Passam as horas, logo, eu passo...
E tudo é um sagaz contratempo;
A minha alma presa no tempo
O meu corpo preso no espaço.
Mergulho no engulho do orgulho,
E o relógio sugere a aurora...
E tudo o que recebo agora
É uma angústia em lágrima, embrulho,
Por sobre os lábios ressequidos,
Que amargos ainda se franzem,
Cobrindo os meus dentes que rangem,
Saudosos de risos perdidos.
Mas tenho inda algo de vivente,
Algum resfôlego no mar...
Algum consolo, algo que dar,
Algo de belo e decadente;
Talvez o couro do navio
– A carne deste coração –,
Nas rimas que disperso em vão
Cá neste poema vazio...
frasco (ou, dia dos namorados)
Recende, porque nunca aberto,
Ao céu longínquo de um lar de sonho
Onde inda não fora sepultado o amor
E beijar era inda um gesto com guarida em vida.
Frasco... Perfume incógnito e impossível,
Deixado a um canto, como os corações
Que, de nunca o terem liberado,
Vão morrendo lentamente no sono de névoa vítrea
Da fragrância encarcerada.
Tantos frascos cheios e empoeirados
No recanto doloroso das prateleiras...
Tantas histórias vaporadas em perfumes
Que dançam no interno do nada dos presentes...
Oh, mas tantas ilusões tentam varrer o pó do jazigo do jamais...
cigarros emaranhados
Sim, este momento,
Em que o mundo
Afasta-se ao frágil
Gozo que, anestésico,
Esfuma o tempo
Em qualquer dimensão
Alheia ao quarto escuro.
Este momento
Em que esqueço
E que me aqueço.
Este momento em que
Me beijo em ti,
Pensando beijar-te em mim.
Este momento
De profunda solidão.
Não mais que um instante,
Este pobre momento,
Pensado monumento,
Mas em plena ruína jamais vista.
Este momento
Em que nos destruímos,
E nos afagamos em nossos
Próprios estilhaços, refletidos.
Esta ferida,
Esta idealização,
Esta suposta plenitude estúpida,
Esta convulsão patética e egoística,
Este ápice, grão de areia vazio, mas quente,
Bainha do flácido espólio subsequente
Que então queda nulo
Sobre o leito frio.
Este momento,
Esta lágrima adiada,
Um elo partido da corrente inexistente.
O póstumo momento em que te vejo
Sem cor nas faces,
Despida de mim, trajada em si,
E desprezo-me em ti
Sem nem poder sonhar.
Esta hora esvaída...
Esta inquietude serena...
Esta conspurcação breve
Que permanece,
Mesmo não sendo
Nada além
De uma ilusão...
aldravias
A
Vaidade
Se
Concede
A
Eternidade.
II
Grilos
Folhas
Vento...
Silêncio?
Não.
Pensamento.
III
Translúcido
Palatável
Inteligível
E
Maravilhosamente
Irreal.
IV
Nada
Mais
Lúcido
Que
Ser
Lúdico.
V
Não
Será
Tudo
Um
Sonho
Lúdico?
VI
Coração
Numa
Mão,
Transcrição
Noutra
Mão.
VII
Presente
Feito
Ausente,
Passado
Feito
Presente.
despedida
O luzir dos olhos tristes
Em que outrora viste estrelas.
Aperta contra teu peito
A essência da despedida,
E aceita, também, o aperto.
Despede-te calmamente;
Desenlaça a sombra e a deixa
Partir pela madrugada.
E afaga teu coração,
Bem como um dia afagaste
O pranto de quem te amou.
Dorme, que a aurora não tarda.
Comentários (4)
seus poemas são muito bem escritos e belíssimos!
Parabéns por tão bela escrita poética, tens muito talento com as palavras. Abraços
Muito obrigada pela apreciação de meu poema, sinto-me honrada. Abraços.
Belos textos.