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Poemas neste tema

Animais e Natureza

Mahmoud Darwish

Mahmoud Darwish

Colar da Pomba de Damasco

alif .?
em Damasco
_____ as pombas voam
__________ sobre uma cerca de seda
_______________ duas
____________________ a duas
bâ' .?
em Damasco
_____ vejo toda a minha língua
______escrita num grão de trigo
______com agulha de mulher
______e corrigiu-a a perdiz da Mesopotâmia.
tâ' .?
em Damasco
_____ estão bordados os nomes dos cavalos dos árabes
_____ desde os Dias da Ignorância1
______até ao Fim dos Tempos
______ou depois
______com fios de ouro
?â' .?
em Damasco
_____ o céu anda
_____ pelas ruas velhas
_____ descalço, descalço
_____ acaso precisam os poetas
_____ de inspiração
_____ ou de metro
_____ ou de rima?
jîm .?
em Damasco
_____ dorme o estrangeiro
_____ de pé em cima da sombra
_____ como minarete no leito da eternidade
_____ sem saudade de país nenhum
_____ ou de ninguém
?â' .?
em Damasco
_____ prosegue o verbo no imperfeito
_____ as suas ocupações omíadas2:
_____ caminhamos para o nosso amanhã confiantes
_____ no Sol do nosso ontem.
_____ nós e a eternidade,
_____ habitantes deste lugar!
?â' .?
em Damasco
_____ rodam as conversas
_____ entre o violino e o alaúde
_____ à volta das questões das existências
_____ e dos fins:
_____ àquela que matou um amante renegado,
_____ para ela o Limite da Árvore de Lótus3!
dâl .?
_____ em Damasco
_____ Iussuf rasga
_____ com o nei4
_____ as suas costelas
_____ por nada
_____ senão que
_____ não achou com ele o seu coração
?âl .?
em Damasco
_____ voltam as palavras à sua origem,
_____ a água:
_____ não é poesia a poesia
_____ e não é prosa a prosa
_____ e tu dizes: não te deixarei
_____ mas toma-me para ti
_____ e toma-me contigo!
râ' .?
em Damasco
_____ dorme uma gazela
_____ ao lado de uma mulher
_____ em cama de orvalho
_____ e então tira-lhe a roupa
_____ e cobre-se com o Barrada5!
zay .?
em Damasco
_____ um pardal pica
_____ o trigo que deixei
_____ sobre a minha mão
_____ e deixa-me um grão
_____ para me mostrar amanhã
_____ a minha manhã!
sîn .?
_____ em Damasco
_____ um jasmim namorisca comigo.
_____ não me deixes
_____ e anda nas minhas pegadas
_____ e então o jardim tem cíumes de mim.
_____ não te aproximes
_____ do sangue da noite na minha Lua.
šîn .?
em Damasco
_____ passo a noite com o meu sonho leve
_____ sobre uma flor de amendoeira que graceja:
_____ sê realista
_____ para que eu floresça segunda vez
_____ à roda da água do nome dela
_____ e sê realista
_____ para que eu atravesse o sonho dela!
?âd .?
em Damasco
_____ apresento a minha alma
_____ a si mesma:
_____ aqui mesmo, sob dois olhos amendoados
_____ voamos juntos gémeos
_____ e adiamos o nosso passado comum
?âd .?
em Damasco
_____ suavizam-se as palavras
_____ e então ouço a voz do sangue
_____ em veias de mármore:
_____ arranca-me ao meu filho,
_____ diz-me a cativa,
_____ ou tornar-te-ás comigo em pedra!
?â? .?
em Damasco
_____ conto as minhas costelas
_____ e faço voltar o meu coração ao seu trote
_____ talvez a que me fez entrar
_____ na sua sombra
_____ me tenha matado
_____ e não me dei conta
?a? .?
em Damasco
_____ a estrangeira devolve a sua liteira
_____ à caravana:
_____ não regressarei à minha tenda
_____ não pendurarei a minha guitarra
_____ depois desta tarde
_____ na figueira da família
?ayn .?
em Damasco
_____ os poemas são translúcidos
_____ não são palpáveis
_____ e não são mentais
_____ mas o que diz o eco
_____ ao eco
gayn .?
em Damasco
_____ a nuvem secaem uma época
_____ e cava um poço
_____ para o Verão dos amantes na várzea do Qâsyûn6
_____ e o nei cumpre os seus usos
_____ na saudade que nele há
_____ e chora em vão
fâ' .?
em Damasco
_____ registo no caderno de uma mulher:
_____ todos os
_____ narcisos que há em ti
_____ te desejam
_____ e não há muro à tua volta que te proteja
_____ da noite do teu encanto excessivo
qâf .?
em Damasco
_____ vejo como se encolha a noite de Damasco
_____ devagarinho devagarinho
_____ e como com as nossas uma deusa se torna
_____ una!
kâf .?
em Damasco
_____ canta o viajante em segredo:
_____ não voltarei de Damasco
_____ vivo
_____ nem morto
_____ mas nuvem
_____ que alivia o peso de borboleta
_____ da minha alma fugitiva.
(tradução de André Simões, publicada originalmente na revista portuguesaÍtaca.)
Para ler mais traduções do árabe feitas por André Simões, visite seu espaço SOBRE AS RUÍNAS.
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Boris Vian

Boris Vian

Eles quebram o mundo

Eles quebram o mundo
Em pedacinhos
Eles quebram o mundo
A marteladas
Para mim não faz diferença
Não faz diferença alguma
Ainda me sobra muito
Ainda sobra muito
Basta que eu ame
Uma pena azul
Uma trilha de areia
Uma ave assustada
Basta que eu ame
Um ramo frágil de erva
Uma gota de orvalho
Um grilo do campo
Eles podem quebrar o mundo
Em pedacinhos
Ainda me sobra muito
Ainda sobra muito
Terei sempre um pouco de ar
Um filete de vida
Uma nesga de luz no olhar
E o vento nas urtigas
E mesmo se, mesmo
se me prenderem
Ainda me sobra muito
Ainda sobra muito
Basta que eu ame
Esta pedra corroída
Estes ganchos de ferro
Onde um pouco de sangue se demora
Eu amo, eu amo
A madeira gasta da minha cama
O estrado e o colchão de palha
A poeira do sol
Amo o postigo que se abre
Os homens que entraram
Que avançam, que me levam
A reencontrar a vida do mundo
A reencontrar a cor
Amo este par de altas traves
Esta lâmina triangular
Estes senhores vestidos de preto
É minha festa e me orgulho
Eu amo, eu amo
Este cesto cheio de farelo
Onde vou pousar a cabeça
Oh, eu amo deveras
Basta que eu ame
Um raminho de erva azul
Uma gota de orvalho
Um amor de ave assustada
Eles quebram o mundo
Com seus maciços martelos
Ainda me sobra muito
Ainda sobra muito, meu coração.

:

Ils cassent le monde

Ils cassent le monde
En petits morceaux
Ils cassent le monde
A coups de marteau
Mais ça m’est égal
Ça m’est bien égal
Il en reste assez pour moi
Il en reste assez
Il suffit que j’aime
Une plume bleue
Un chemin de sable
Un oiseau peureux
Il suffit que j’aime
Un brin d’herbe mince
Une goutte de rosée
Un grillon de bois
Ils peuvent casser le monde
En petits morceaux
Il en reste assez pour moi
Il en reste assez
J’aurai toujours un peu d’air
Un petit filet de vie
Dans l’oeil un peu de lumière
Et le vent dans les orties
Et même, et même
S’ils me mettent en prison
Il en reste assez pour moi
Il en reste assez
Il suffit que j’aime
Cette pierre corrodée
Ces crochets de fer
Où s’attarde un peu de sang
Je l’aime, je l’aime
La planche usée de mon lit
La paillasse et le châlit
La poussière de soleil
J’aime le judas qui s’ouvre
Les hommes qui sont entrés
Qui s’avancent, qui m’emmènent
Retrouver la vie du monde
Et retrouver la couleur
J’aime ces deux longs montants
Ce couteau triangulaire
Ces messieurs vêtus de noir
C’est ma fête et je suis fier
Je l’aime, je l’aime
Ce panier rempli de son
Où je vais poser ma tête
Oh, je l’aime pour de bon
Il suffit que j’aime
Un petit brin d’herbe bleue
Une goutte de rosée
Un amour d’oiseau peureux
Ils cassent le monde
Avec leurs marteaux pesants
Il en reste assez pour moi
Il en reste assez, mon coeur.

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Bertran de Born

Bertran de Born

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1
Eu quero a primavera, o ardor
que folhas traz e faz florir;
e quero escutar o estentor
das aves, quando retinir
seu canto na ramagem;
e quero ver ainda mais
no prado as tendas colossais;
e acho uma bela imagem,
se vejo armados entre iguais
os cavaleiros e os metais.
2
Adoro quando o explorador
atiça o povo p"ra fugir,
e adoro ver em tal clamor
os homens d"arma a perseguir,
e adoro ter miragem
do forte em cercos marciais,
ou das muralhas terminais,
e as hostes noutra margem
que passam a fossa voraz
e uma paliçada por trás.
3
Também adoro se o senhor
for o primeiro a invadir
montado, armado, sem temor,
que assim nos outros faz surgir
valente vassalagem.
Se a batalha se refaz,
prepare-se cada rapaz
para a longa viagem:
ninguém é louvado jamais -
somente entre golpes mortais.
4
Maças, gládios, elmos de cor
e escudos logo a se partir
veremos, e até o sol se por
vassalos iremos ferir,
fugirão sem fardagem,
co"odono morto, os animais.
Ena batalha, o homem vivaz
só pense na carnagem
e em degolar todos os mais,
pois antes morto que incapaz.
5
Ah, para mim não há sabor
em comer, beber, ou dormir,
igual ao de ouvir o clamor
de duas linhas e o zunir
dos corcéis na pilhagem
e homens gritando "Atrás! Atrás!"
e vê-los na fossa voraz,
junto ao rés da relvagem,
e ver as flâmulas fatais
varando o arnês que se desfaz.
6
O Amor quer bom cavalgador
que ame as armas e o servir,
gentil na fala, grão doador,
que saiba o que dizer e agir,
em qualquer estalagem,
pelo poder de que é capaz.
Um companheiro como apraz,
cortês em sua linguagem.
A dama que acaso o compraz
não tem pecados cardeais.
7
Ó grã condessa, és a melhor
(todos estão a repetir),
e tua nobreza é a maior
do mundo, pelo que eu ouvi.
Beatriz de alta linhagem,
senhora no que diz e faz
ó fonte do bem mais primaz,
belíssima ancoragem:
o teu valor é tão veraz,
que sobre todas sobressais.
8
Virgem de alta linhagem
e da beleza mais tenaz,
amado eu amo forte e audaz:
ela me dá coragem -
não temo a perda que me traz
nem mesmo o pulha mais mendaz.
9
Barões, é mais vantagem
hipotecar vossos currais
do que se a guerra renegais.
10
Papiol, eis a viagem,
ao Senhor Sim-e-Não irás
dizer que muito estão em paz
307 1
Ruy Belo

Ruy Belo

Os balcões sucessivos sobre o rio

Os balcões sucessivos sobre o rio
as tesouras de poda nas roseiras
a sonolência lânguida e perversa
esse todo coerente e sobre ele apenas
a abóbada da minha perfeição
é esse o meu convite à desistência
a pena menos pública do mundo nos
lagos das finas flores dos sabugueiros
onde a mulher soltava os cabelos
pra que neles se prendesse o cheiro a erva
Ela tinha um aspecto inesperado
vinha com o vestido cor magenta nos
braços que lhe cresceram sobre a terra
movia-se ao andar como uma barca
Importa-me é o curso do dia e da noite
Vou andar um bocado nos caminhos
é pela hora em que não há ninguém
nudez desprevenida dos meus dias
mas só de noite desço até ao mar após
as sete horas da tarde hora crepuscular
os cheiros confortáveis e antigos
imagens dum lirismo fraudulento
um conforto algum tanto apreensivo
coisas que desde a infância a construíam
Mudo de opinião continuamente
espero o teu regresso pela tarde
e cuidadosamente velo a minha cólera
A vida é para mim pesar de pálpebras
leitura de discursos no outono
na casa abandonada e submetida à chuva
Regresso afinal aos próprios hábitos
sorrisos de mulheres sobre a areia
sou fiel à tristeza e pouco mais
e meto então um lenço num dos bolsos
que cheira ao perfume dos pinheiros
Ave de alarme sou deixem-me só
sou um contemporâneo assisto a tudo
os sinos vesperais nos dias de verão
o cão que passa numa encruzilhada
um cântaro que racha inexplicavelmente
confundido no hálito do mar
a minha saudação aos infantes do medo
crianças que iniciam o andar
Espero por alguém espero pelo sol
pla doçura estival da laranjeira
ando pelos caminhos muito tempo
e passo pelas portas devassadas pelos ventos
em cujos gonzos sopram agonias
E espero de novo a floração da primavera
Não quero nada quero estar presente sobre
as dunas do começo dos pinhais
nesse mundo de medos e animais
onde abri os meus olhos para a luz de agora
E perco todo eu em contriçães
ó terra branca e carnal e triste
as minhas madrugadas do sargaço
abertas nos bocejos da neblina
quando o tempo é suave e chega em dunas
à sensibilidade das narinas
nas horas generosas da maré
4 192 1
Pedro Oom

Pedro Oom

O Homem Bisado

Alegra-me ser todas as coisas e as sombras que elas projectam
ser a sombra dos teus seios e da tua boca
o criado de smoking branco que te agita os cabelos
para um cocktail estimulante e fresco
a mesa onde passo a ferro o teu corpo
as espádulas as coxas a curva macia dos joelhos
alegra-me ser o contorno da tua nuca e o binário motor dos teus braços
embora mais pequeno do que um corpúsculo celeste
sou os milhões de astros microrganismos estrelas
a rota de todos os navios perdidos
a angústia síntese de todos os suicidas
a forma de todos os animais conhecidos
o desenho rigoroso de toda a flora existente
Ontem em Paris hoje em Lisboa amanhã em Júpiter
caminho para a resolução de todos os problemas
sem a certeza de resolver qualquer deles
como se fosse uma máquina de somar parcelas
quatro vezes quatro oito vezes dez oitenta
sabe-me a vida ao que É
esta progressão assustadora de crocodilos bebendo limonada
Ontem fui a prostituta a quem paguei a noite
hoje serei talvez o inocente violentador frustrado
Sutmil é a cidade par aonde me evado todas as noites à aventura
e «os anéis de Saturno são a força centrífuga-centrípeta que me
agita os braços no espasmo amoroso»
a cabeça em Marte os pés na Terra
vindo «lá do fundo do horizonte lívido»
O comboio está na gare o comboio vai partir
apressemos o passo o momento é solene
somos o automóvel que sobe a avenida
a pulsação acelerada dos maquinismos
taxímetro de uma cidade de província
satélites de um satélite lunar
Tu és o aeroporto eu o avião que parte
e muito mais calmos entre éter e fogo
percorremos os sonhos de planeta em planeta desfolhando o futuro a flor sempre rara
e marcamos nos astros o nosso roteiro DEZ QUILÓMETROS
amanhã tirarei o curso de sonhador espacializado
1 495 1
Herberto Helder

Herberto Helder

As Musas Cegas - Iv

Mulher, casa e gato.
Uma pedra na cabeça da mulher; e na cabeça
da casa, uma luz violenta.
Anda um peixe comprido pela cabeça do gato.
A mulher senta-se no tempo e a minha melancolia
pensa-a, enquanto
o gato imagina a elevada casa.
Eternamente a mulher da mão passa a mão
pelo gato abstracto,
e a casa e o homem que eu vou ser
são minuto a minuto mais concretos.

A pedra cai na cabeça do gato e o peixe
gira e pára no sorriso
da mulher da luz. Dentro da casa,
o movimento obscuro destas coisas que não encontram
palavras.
Eu próprio caio na mulher, o gato
adormece na palavra, e a mulher toma
a palavra do gato no regaço.
Eu olho, e a mulher é a palavra.

Palavra abstracta que arrefeceu no gato
e agora aquece na carne
concreta da mulher.
A luz ilumina a pedra que está
na cabeça da casa, e o peixe corre cheio
de originalidade por dentro da palavra.
Se toco a mulher toco o gato, e é apaixonante.
Se toco (e é apaixonante)
a mulher, toco a pedra. Toco o gato e a pedra.
Toco a luz, ou a casa, ou o peixe, ou a palavra.
Toco a palavra apaixonante, se toco a mulher
com seu gato, pedra, peixe, luz e casa.
A mulher da palavra. A Palavra.

Deito-me e amo a mulher. E amo
o amor na mulher. E na palavra, o amor.
Amo, com o amor do amor,
não só a palavra mas
cada coisa que invade cada coisa
que invade a palavra.
E penso que sou total no minuto
em que a mulher eternamente
passa a mão da mulher no gato
dentro da casa.

No mundo tão concreto.
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Cassiano Ricardo

Cassiano Ricardo

Meus Oito Anos

No tempo de pequenino
eu tinha medo da cuca
velhinha de óculos pretos
que morava atrás da porta...
Um gato a dizer currumiau
de noite na casa escura...
De manhã, por travessura,
pica-pau, pica-pau.

Quando eu era pequenino
fazia bolotas de barro
que punha ao sol pra secar.
Cada bolota daquela,
dura, redonda, amarela,
jogada com o meu certeiro
bodoque de guatambu
matava canário, rolinha,
matava inambu.

Quando eu era pequenino
vivia armando arapuca
pra caçar "vira" e urutau.
Mas de noite vinha a cuca
com o seu gato currumiau...
Como este menino é mau!

Rolinha caiu no laço...
Ia contar, não conto não.
Como batia o coração
daquele verde sanhaço
na palma da minha mão!

Ah! se eu pudesse, algum dia,
caçar a vida num poema,
em seu minuto de dor
ou de alegria suprema,
que bom que pra mim seria
ter a vida em minha mão
pererecando de susto
como um sanhaço qualquer
na grade de um alçapão!

Mas... de noite vinha a cuca
(e por sinal que a noite parecia uma arapuca
com grandes pássaros de estrelas)
vinha com o gato currumiau:
menino mau, menino mau,
meninomaumeninomau.

Na minha imaginação
ficou pra sempre o pica-pau.

Pica-pau batendo o bico
numa casca de pau.
Pica-pau, pau-pau.

Currumiau miando de noite...
Currumiau, miau-miau.


In: RICARDO, Cassiano. Martim Cererê: o Brasil dos meninos, dos poetas e dos heróis. Ed. crít. Marlene Gomes Mendes, Deila Conceição Perez e Jayro José Xavier. Pref. Telê Ancona Lopez. Rio de Janeiro: Antares; Brasília: INL: Fundação Pró-Memória, 198
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