Poemas neste tema
Tempo e Passagem
Philip Larkin
I work all day, and get half-drunk at night
I work all day, and get half-drunk at night.
Waking at four to soundless dark, I stare.
In time the curtain-edges will grow light.
Till then I see whats really always there:
Unresting death, a whole day nearer now,
Making all thought impossible but how
And where and when I shall myself die.
Arid interrogation: yet the dread
Of dying, and being dead,
Flashes afresh to hold and horrify.
The mind blanks at the glare. Not in remorse
-- The good not done, the love not givenn, time
Torn off unused -- nor wretchedly because
An only life can take so long to climb
Clear of its wrong beginnings, and may never;
But the total emptiness for ever,
The sure extinction that we travel to
And shall be lost in always. Not to be here,
Not to be anywhere,
And soon; nothing more terrible, nothing more true.
This is a special way of being afraid
No trick dispels. Religion used to try,
That vast moth-eaten musical brocade
Created to pretend we never die,
And specious stuff that says No rational being
Can fear a thing it will not feel, not seeing
That this is what we fear -- no sight, no sound,
No touch or taste or smell, nothing to think with,
Nothing to love or link with,
The anaesthetic from which none come round.
And so it stays just on the edge of vision,
A small unfocused blur, a standing chill
That slows each impulse down to indecision.
Most things may never happen: this one will,
And realisation of its rages out
In furnace-fear when we are caught without
People or drink. Courage is no good:
It means not scaring others. Being brave
Lets no one off the grave.
Death is no different whined at than withstood.
Slowly light strengthens, and the room takes shape.
It stands plain as a wardrobe, what we know,
Have always known, know that we cant escape,
Yet cant accept. One side will have to go.
Meanwhile telephones crouch, getting ready to ring
In locked-up offices, and all the uncaring
Intricate rented world beings to rouse.
The sky is white as clay, with no sun.
Work has to be done.
Postmen like doctors go from house to house.
Waking at four to soundless dark, I stare.
In time the curtain-edges will grow light.
Till then I see whats really always there:
Unresting death, a whole day nearer now,
Making all thought impossible but how
And where and when I shall myself die.
Arid interrogation: yet the dread
Of dying, and being dead,
Flashes afresh to hold and horrify.
The mind blanks at the glare. Not in remorse
-- The good not done, the love not givenn, time
Torn off unused -- nor wretchedly because
An only life can take so long to climb
Clear of its wrong beginnings, and may never;
But the total emptiness for ever,
The sure extinction that we travel to
And shall be lost in always. Not to be here,
Not to be anywhere,
And soon; nothing more terrible, nothing more true.
This is a special way of being afraid
No trick dispels. Religion used to try,
That vast moth-eaten musical brocade
Created to pretend we never die,
And specious stuff that says No rational being
Can fear a thing it will not feel, not seeing
That this is what we fear -- no sight, no sound,
No touch or taste or smell, nothing to think with,
Nothing to love or link with,
The anaesthetic from which none come round.
And so it stays just on the edge of vision,
A small unfocused blur, a standing chill
That slows each impulse down to indecision.
Most things may never happen: this one will,
And realisation of its rages out
In furnace-fear when we are caught without
People or drink. Courage is no good:
It means not scaring others. Being brave
Lets no one off the grave.
Death is no different whined at than withstood.
Slowly light strengthens, and the room takes shape.
It stands plain as a wardrobe, what we know,
Have always known, know that we cant escape,
Yet cant accept. One side will have to go.
Meanwhile telephones crouch, getting ready to ring
In locked-up offices, and all the uncaring
Intricate rented world beings to rouse.
The sky is white as clay, with no sun.
Work has to be done.
Postmen like doctors go from house to house.
1 107
Luís Miguel Nava
O tímpano e a pupila
Num dos pratos o mar, no outro um rio, agora
que o tempo se desossa,
que as pedras
que piso se me enterram na memória e os caminhos
se me aguçam na alma como lâminas, o pão
molhado nas feridas,
o pão
ele próprio já também uma ferida, agora
que o tempo, que já tanto
compararam a um rio, mais
não é do que uma leve exsudação nos muros,
nas mãos, agora
que o céu se encrespa e que pedaços
de mundo arremessados
com toda a força aos olhos revolteiam
na treva antes de se extinguirem,
mais magro do que a neve
caminho, a alma aberta como uma ferida,
ao longo da memória, onde se fundem
o tímpano e a pupila.
que o tempo se desossa,
que as pedras
que piso se me enterram na memória e os caminhos
se me aguçam na alma como lâminas, o pão
molhado nas feridas,
o pão
ele próprio já também uma ferida, agora
que o tempo, que já tanto
compararam a um rio, mais
não é do que uma leve exsudação nos muros,
nas mãos, agora
que o céu se encrespa e que pedaços
de mundo arremessados
com toda a força aos olhos revolteiam
na treva antes de se extinguirem,
mais magro do que a neve
caminho, a alma aberta como uma ferida,
ao longo da memória, onde se fundem
o tímpano e a pupila.
1 809
João Marcio Furtado Costa
Num Segundo, O Milênio
Num Segundo, O Milênio
(05/93)
Ao fim daquele segundo, nada se resolveu no mundo.
Por mais importante que fosse, daquele segundo, o fruto,
Seu maior feito, seu intuito, foi de encerrar o minuto.
Mas, também, o minuto, nada mudou de concreto, pois,
Por mais que fosse certo, por mais tempo que desse ao agora,
Nada mais de útil fizera, do que a troca da hora.
E a hora foi embora, radiante de alegria,
Na dicotomia da noite, terminara mais um dia.
Não fora um dia qualquer, aquele 31 de dezembro.
Nem maior, nem menor, nem mais claro ou mais escuro.
Tampouco foi mais puro. Porém, e sem engano,
Ao seu final foi-se o ano, e deu as caras, o futuro.
Foi-se o segundo, o minuto. Foi-se a hora e, junto, o ano,
E o tempo, que é cigano, resolveu baixar o pano,
E encerrar, de vez, o século.
Foste o vigésimo e terminaste. Nada em ti foi respeitado.
Aquele segundo arrogante, agindo qual meliante,
Roubou de ti o legado.
Ficou a melancolia. Alvíssaras ao novo século.
A vida ficou vazia. Alvíssaras ao vinte e um.
De mil passarás e a dois mil não chegarás!
Um por todos e todos por um.
De dois mil passarás e a três mil, quem saberá?
Chegaremos a lugar algum?
O tempo avança: Segundo, hora, milênio...
O mundo cansa: Urânio, ouro, oxigênio...
Elemento ou tempo? Tempo ou elemento?
O que mais importa no momento?
O que poderá nos salvar?
(05/93)
Ao fim daquele segundo, nada se resolveu no mundo.
Por mais importante que fosse, daquele segundo, o fruto,
Seu maior feito, seu intuito, foi de encerrar o minuto.
Mas, também, o minuto, nada mudou de concreto, pois,
Por mais que fosse certo, por mais tempo que desse ao agora,
Nada mais de útil fizera, do que a troca da hora.
E a hora foi embora, radiante de alegria,
Na dicotomia da noite, terminara mais um dia.
Não fora um dia qualquer, aquele 31 de dezembro.
Nem maior, nem menor, nem mais claro ou mais escuro.
Tampouco foi mais puro. Porém, e sem engano,
Ao seu final foi-se o ano, e deu as caras, o futuro.
Foi-se o segundo, o minuto. Foi-se a hora e, junto, o ano,
E o tempo, que é cigano, resolveu baixar o pano,
E encerrar, de vez, o século.
Foste o vigésimo e terminaste. Nada em ti foi respeitado.
Aquele segundo arrogante, agindo qual meliante,
Roubou de ti o legado.
Ficou a melancolia. Alvíssaras ao novo século.
A vida ficou vazia. Alvíssaras ao vinte e um.
De mil passarás e a dois mil não chegarás!
Um por todos e todos por um.
De dois mil passarás e a três mil, quem saberá?
Chegaremos a lugar algum?
O tempo avança: Segundo, hora, milênio...
O mundo cansa: Urânio, ouro, oxigênio...
Elemento ou tempo? Tempo ou elemento?
O que mais importa no momento?
O que poderá nos salvar?
755
Charles Baudelaire
Le voyage
Le voyage
I
Pour lenfant, amoureux de cartes et destampes ,
Lunivers est égal à son vaste appétit.
Ah! que le monde est grand à la clarté des lampes!
Aux yeux du souvenir que le monde est petit!
Un matin nous partons, le cerveau plein de flamme,
Le coeur gros de rancune et de désirs amers,
Et nous allons, suivant le rythme de la lame,
Berçant notre infini sur le fini des mers:
Les uns, joyeux de fuir une patrie infâme;
Dautres, lhorreur de leurs berceaux, et quelques-uns,
Astrologues noyés dans les yeux dune femme,
La Circé tyrannique aux dangereux parfums.
Pour nêtre pas changés en bêtes, ils senivrent
Despace et de lumière et de cieux embrasés;
La glace qui les mord, les soleils qui les cuivrent,
Effacent lentement la marque des baisers.
Mais les vrais voyageurs sont ceux-là seuls qui partent
Pour partir; coeur légers, semblables aux ballons,
De leur fatalité jamais ils ne sécartent,
Et, sans savoir pourquoi, disent toujours: Allons!
Ceux-là dont les désirs ont la forme des nues,
Et qui rêvent, ainsi quun conscrit le canon,
De vastes voluptés, changeantes, inconnues,
Et dont lesprit humain na jamais su le nom!
II
Nous imitons, horreur! la toupie et la boule
Dans leur valse et leurs bonds; même dans nos sommeils
La Curiosité nous tourmente et nous roule,
Comme un Ange cruel qui fouette des soleils.
Singulière fortune où le but se déplace,
Et, nétant nulle part, peut être nimporte où;
Où lHomme, dont jamais lespérance nest lasse,
Pour trouver le repos court toujours comme un fou!
Notre âme est un trois-mâts cherchant son Icarie;
Une voix retentit sue le pont:«Ouvre loeil!»
Une voix de la hune, ardente et folle, crie:
«Amour... gloire... bonheur!»Enfer! cest une écueil!
Chaque îlot signalé par lhomme de vigie
Est un Eldorado promis par le Destin;
LImagination qui dresse son orgie
Ne trouve quun récif aux clartés du matin.
O le pauvre amoureux des pays chimériques!
Faut-il le mettre aux fers, le jeter à la mer,
Ce matelot ivrogne, inventeur dAmériques
Dont le mirage rend le gouffre plus amer?
Tel le vieux vagabond, piétinant dans la boue,
Rêve, le nez en lair, de brillants paradis;
Son oeil ensorcelé découvre une Capoue
Partout où la chandelle illumine un taudis.
III
Etonnants voyageurs! quelles nobles histoires
Nous lisons dans vos yeux profonds comme les mers!
Montrez-nous les écrins de vos riches mémoires,
Ces bijoux merveilleux, faits dastres et déthers.
Nous voulons voyager sans vapeur et sans voile!
Faites, pour égayer lennui de nos prisons,
Passer sur nos esprits, tendus comme une toile,
Vos souvenirs avec leurs cadres dhorizons.
Dites, quavez-vous vu?
IV
«Nous avons vu des astres
Et des flots; nous avons vu des sables aussi;
Et, malgré bien des chocs et dimprévus désastres,
Nous nous sommes souvent ennuyés, comme ici.
La gloire du soleil sur la mer violette,
La gloire des cités dans le soleil couchant,
Allumaient dans nos coeurs une ardeur inquiète
De plonger dans un ciel au reflet alléchant.
Les plus riches cités, les plus grands paysages,
Jamais ne contentaient lattrait mystérieux
De ceux que le hasard fait avec les nuages.
Et toujours le désir nous rendait soucieux!
- La jouissance ajoute au désir de la foorce.
Désir , vieil arbre à qui le plaisir sert dengrais,
Cependant que grossit et durcit ton écorce,
Tes branches veulent voir le soleil de plus près!
Grandiras-tu toujours, grand arbre plus vivace
Que le cyprès? - Pourtant nous avons, avec soin,
Cueilli quelques croquis pour votre album vorace,
Frères qui trouvez beau tout ce qui vient de loin!
Nous avons salué des idoles à trompe;
Des trônes constellés de joyeux lumineux;
Des palais ouvragés dont la féerique pompe
Serait pour vos banquiers un rêve ruineux;
Des costumes qui sont pour les yeux une ivresse;
Des femmes dont les dents et les ongles sont teints,
Et des jongleurs savants que le serpent caresse.»
V
Et puis, et puis encore?
VI
«O cerveaux enfantins!
Pour ne pas oublier la chose capitale,
Nous avons vu partout, et sans lavoir cherché,
Du haut jusques en bas de léchelle fatale,
Le spectacle ennuyeux de limmortel péché;
La femme, esclave vile, orgueilleuse et stupide,
Sans rire sadorant et saimant sans dégoût;
Lhomme, tyran goulu, paillard, dur et cupide,
Esclave de lesclave et ruisseau dans légoût;
Le bourreau qui jouit, le martyr qui sanglote;
La fête quassaisonne et parfume le sang;
Le poison du pouvoir énervant le despote,
Et le peuple amoureux du fouet abrutissant;
Plusieurs religions semblables à la nôtre,
Toutes escaladant le ciel; la Sainteté,
Comme en un lit de plume un délicat se vautre,
Dans les clous et le crin cherchant la volupté;
LHumanité bavarde, ivre de son génie,
Et folle, maintenant comme elle était jadis,
Criant à Dieu, dans sa furibonde agonie:
«O mon semblable, ô mon maître, je te maudis!»
Et les moins sots, hardis amants de la Démence,
Fuyant le grand troupeau parqué par le Destin,
Et se réfugiant dans lopium immense!
- Tel est du globe entier léternel bullletin.»
VII
Amer savoir, celui quon tire du voyage!
Le monde, monotone et petit, aujourdhui,
Hier, demain, toujours, nous fait voir notre image:
Une oasis dhorreur dans un désert dennui!
Faut-il partir? rester? Si tu peux rester, reste;
Pars, sil le faut. Lun court, et lautre se tapit
Pour tromper lennemi vigilant et funeste,
Le Temps ! Il est, hélas! des coureurs sans répit,
Comme le Juif errant et comme les apôtres,
A qui rien ne suffit, ni wagon ni vaisseau,
Pour fuir ce rétiaire infâme; il en est dautres
Qui savent le tuer sans quitter leur berceau.
Lorsque enfin il mettra le pied sur notre échine,
Nous pourrons espérer et crier: En avant!
De même quautrefois nous partions pour la Chine,
Les yeux fixés au large et les cheveux au vent,
Nous nous embarquerons sur la mer des Ténèbres
Avec le coeur joyeux dun jeune passager.
Entendez-vous ces voix, charmantes et funèbres,
Qui chantent:«Par ici!vous qui voulez manger
Le Lotus parfumé! cest ici quon vendange
Les fruits miraculeux dont votre coeur a faim;
Venez vous enivrer de la douceur étrange
De cette après-midi qui na jamais de fin!»
A laccent familier nous devinons le spectre;
Nos Pylades là-bas tendent leurs bras vers nous.
I
Pour lenfant, amoureux de cartes et destampes ,
Lunivers est égal à son vaste appétit.
Ah! que le monde est grand à la clarté des lampes!
Aux yeux du souvenir que le monde est petit!
Un matin nous partons, le cerveau plein de flamme,
Le coeur gros de rancune et de désirs amers,
Et nous allons, suivant le rythme de la lame,
Berçant notre infini sur le fini des mers:
Les uns, joyeux de fuir une patrie infâme;
Dautres, lhorreur de leurs berceaux, et quelques-uns,
Astrologues noyés dans les yeux dune femme,
La Circé tyrannique aux dangereux parfums.
Pour nêtre pas changés en bêtes, ils senivrent
Despace et de lumière et de cieux embrasés;
La glace qui les mord, les soleils qui les cuivrent,
Effacent lentement la marque des baisers.
Mais les vrais voyageurs sont ceux-là seuls qui partent
Pour partir; coeur légers, semblables aux ballons,
De leur fatalité jamais ils ne sécartent,
Et, sans savoir pourquoi, disent toujours: Allons!
Ceux-là dont les désirs ont la forme des nues,
Et qui rêvent, ainsi quun conscrit le canon,
De vastes voluptés, changeantes, inconnues,
Et dont lesprit humain na jamais su le nom!
II
Nous imitons, horreur! la toupie et la boule
Dans leur valse et leurs bonds; même dans nos sommeils
La Curiosité nous tourmente et nous roule,
Comme un Ange cruel qui fouette des soleils.
Singulière fortune où le but se déplace,
Et, nétant nulle part, peut être nimporte où;
Où lHomme, dont jamais lespérance nest lasse,
Pour trouver le repos court toujours comme un fou!
Notre âme est un trois-mâts cherchant son Icarie;
Une voix retentit sue le pont:«Ouvre loeil!»
Une voix de la hune, ardente et folle, crie:
«Amour... gloire... bonheur!»Enfer! cest une écueil!
Chaque îlot signalé par lhomme de vigie
Est un Eldorado promis par le Destin;
LImagination qui dresse son orgie
Ne trouve quun récif aux clartés du matin.
O le pauvre amoureux des pays chimériques!
Faut-il le mettre aux fers, le jeter à la mer,
Ce matelot ivrogne, inventeur dAmériques
Dont le mirage rend le gouffre plus amer?
Tel le vieux vagabond, piétinant dans la boue,
Rêve, le nez en lair, de brillants paradis;
Son oeil ensorcelé découvre une Capoue
Partout où la chandelle illumine un taudis.
III
Etonnants voyageurs! quelles nobles histoires
Nous lisons dans vos yeux profonds comme les mers!
Montrez-nous les écrins de vos riches mémoires,
Ces bijoux merveilleux, faits dastres et déthers.
Nous voulons voyager sans vapeur et sans voile!
Faites, pour égayer lennui de nos prisons,
Passer sur nos esprits, tendus comme une toile,
Vos souvenirs avec leurs cadres dhorizons.
Dites, quavez-vous vu?
IV
«Nous avons vu des astres
Et des flots; nous avons vu des sables aussi;
Et, malgré bien des chocs et dimprévus désastres,
Nous nous sommes souvent ennuyés, comme ici.
La gloire du soleil sur la mer violette,
La gloire des cités dans le soleil couchant,
Allumaient dans nos coeurs une ardeur inquiète
De plonger dans un ciel au reflet alléchant.
Les plus riches cités, les plus grands paysages,
Jamais ne contentaient lattrait mystérieux
De ceux que le hasard fait avec les nuages.
Et toujours le désir nous rendait soucieux!
- La jouissance ajoute au désir de la foorce.
Désir , vieil arbre à qui le plaisir sert dengrais,
Cependant que grossit et durcit ton écorce,
Tes branches veulent voir le soleil de plus près!
Grandiras-tu toujours, grand arbre plus vivace
Que le cyprès? - Pourtant nous avons, avec soin,
Cueilli quelques croquis pour votre album vorace,
Frères qui trouvez beau tout ce qui vient de loin!
Nous avons salué des idoles à trompe;
Des trônes constellés de joyeux lumineux;
Des palais ouvragés dont la féerique pompe
Serait pour vos banquiers un rêve ruineux;
Des costumes qui sont pour les yeux une ivresse;
Des femmes dont les dents et les ongles sont teints,
Et des jongleurs savants que le serpent caresse.»
V
Et puis, et puis encore?
VI
«O cerveaux enfantins!
Pour ne pas oublier la chose capitale,
Nous avons vu partout, et sans lavoir cherché,
Du haut jusques en bas de léchelle fatale,
Le spectacle ennuyeux de limmortel péché;
La femme, esclave vile, orgueilleuse et stupide,
Sans rire sadorant et saimant sans dégoût;
Lhomme, tyran goulu, paillard, dur et cupide,
Esclave de lesclave et ruisseau dans légoût;
Le bourreau qui jouit, le martyr qui sanglote;
La fête quassaisonne et parfume le sang;
Le poison du pouvoir énervant le despote,
Et le peuple amoureux du fouet abrutissant;
Plusieurs religions semblables à la nôtre,
Toutes escaladant le ciel; la Sainteté,
Comme en un lit de plume un délicat se vautre,
Dans les clous et le crin cherchant la volupté;
LHumanité bavarde, ivre de son génie,
Et folle, maintenant comme elle était jadis,
Criant à Dieu, dans sa furibonde agonie:
«O mon semblable, ô mon maître, je te maudis!»
Et les moins sots, hardis amants de la Démence,
Fuyant le grand troupeau parqué par le Destin,
Et se réfugiant dans lopium immense!
- Tel est du globe entier léternel bullletin.»
VII
Amer savoir, celui quon tire du voyage!
Le monde, monotone et petit, aujourdhui,
Hier, demain, toujours, nous fait voir notre image:
Une oasis dhorreur dans un désert dennui!
Faut-il partir? rester? Si tu peux rester, reste;
Pars, sil le faut. Lun court, et lautre se tapit
Pour tromper lennemi vigilant et funeste,
Le Temps ! Il est, hélas! des coureurs sans répit,
Comme le Juif errant et comme les apôtres,
A qui rien ne suffit, ni wagon ni vaisseau,
Pour fuir ce rétiaire infâme; il en est dautres
Qui savent le tuer sans quitter leur berceau.
Lorsque enfin il mettra le pied sur notre échine,
Nous pourrons espérer et crier: En avant!
De même quautrefois nous partions pour la Chine,
Les yeux fixés au large et les cheveux au vent,
Nous nous embarquerons sur la mer des Ténèbres
Avec le coeur joyeux dun jeune passager.
Entendez-vous ces voix, charmantes et funèbres,
Qui chantent:«Par ici!vous qui voulez manger
Le Lotus parfumé! cest ici quon vendange
Les fruits miraculeux dont votre coeur a faim;
Venez vous enivrer de la douceur étrange
De cette après-midi qui na jamais de fin!»
A laccent familier nous devinons le spectre;
Nos Pylades là-bas tendent leurs bras vers nous.
2 910
Antero de Quental
Aspiração
Meus dias vão correndo vagarosos,
Sem prazer e sem dor parece
Que o foco interior já desfalece
E vacila com raios duvidosos.
É bela a vida e os anos são formosos,
E nunca ao peito amante o amor falece...
Mas, se a beleza aqui nos aparece,
Logo outra lembra de mais puros gozos.
Minha alma, ó Deus! a outros céus aspira:
Se um momento a prendeu mortal beleza,
É pela eterna pátria que suspira...
Porém, do pressentir dá-ma a certeza,
Dá-ma! e sereno, embora a dor me fira,
Eu sempre bendirei esta tristeza!
Sem prazer e sem dor parece
Que o foco interior já desfalece
E vacila com raios duvidosos.
É bela a vida e os anos são formosos,
E nunca ao peito amante o amor falece...
Mas, se a beleza aqui nos aparece,
Logo outra lembra de mais puros gozos.
Minha alma, ó Deus! a outros céus aspira:
Se um momento a prendeu mortal beleza,
É pela eterna pátria que suspira...
Porém, do pressentir dá-ma a certeza,
Dá-ma! e sereno, embora a dor me fira,
Eu sempre bendirei esta tristeza!
2 955
Giselda Medeiros
Ventania
No mármore adormecido
finquei estacas do sonho
e poli na pedra bruta
a bruta insensatez do amor.
Refiz a escultura.
Escrevi com sangue
o nome que era efêmero
na efemeridade do momento.
Passou o vento ventando ventania
sobre as estacas fincadas
profundamente.
Pó - nova fuligem de sonhos...
E outros mármores
escandalosamente adormecidos.
finquei estacas do sonho
e poli na pedra bruta
a bruta insensatez do amor.
Refiz a escultura.
Escrevi com sangue
o nome que era efêmero
na efemeridade do momento.
Passou o vento ventando ventania
sobre as estacas fincadas
profundamente.
Pó - nova fuligem de sonhos...
E outros mármores
escandalosamente adormecidos.
903
Gilson Nascimento
Vero palhaço
Nascer, o vir à vida, a caminhada
A alegria, a tristeza, o desengano
É o que sentimos a cada passada
De uma a outra etapa, ano após ano
Mal o riso se fecha o peito dói
Há choros que esbarram em gargalhar
De vez em quando a mágoa que corrói
À porta da alegria vem chorar
De contrastes assim tece-se a vida
Pesares abrem nalma uma ferida
Há risos a fluir até no olhar
E o homem, ora rindo, ora chorando
Enquanto vive a vida caminhando
Vero palhaço, ri o seu penar.
A alegria, a tristeza, o desengano
É o que sentimos a cada passada
De uma a outra etapa, ano após ano
Mal o riso se fecha o peito dói
Há choros que esbarram em gargalhar
De vez em quando a mágoa que corrói
À porta da alegria vem chorar
De contrastes assim tece-se a vida
Pesares abrem nalma uma ferida
Há risos a fluir até no olhar
E o homem, ora rindo, ora chorando
Enquanto vive a vida caminhando
Vero palhaço, ri o seu penar.
991
Gilson Nascimento
Vento – Carinho
O mesmo vento - carinho
Que soprava antigamente
Entrando no meu caminho
Arrepia de mansinho
A nostalgia do ausente.
No arrepio toma conta
Da alma, do coração
Me percorre o corpo todo
Eu era velho, sou novo
Do vento à terna canção.
Mil saudades acordando
Num forte reavivar
Essa brisa vai girando
Ora lenta, ora acordada
A roda do recordar
Vento, pare, por favor
Deixe em paz minha emoção
Não mexa com a minha alma
O seu desejo é a calma
Jamais a recordação
Que soprava antigamente
Entrando no meu caminho
Arrepia de mansinho
A nostalgia do ausente.
No arrepio toma conta
Da alma, do coração
Me percorre o corpo todo
Eu era velho, sou novo
Do vento à terna canção.
Mil saudades acordando
Num forte reavivar
Essa brisa vai girando
Ora lenta, ora acordada
A roda do recordar
Vento, pare, por favor
Deixe em paz minha emoção
Não mexa com a minha alma
O seu desejo é a calma
Jamais a recordação
931
José Hélder de Souza
Crepúsculo Plangente
...quando o sol da já declina...
Guerra Junqueira
Crepúsculo flamejante - nesta hora a minha avó Carmelina (há quanto tempo?)
entrava na nave escura da igreja matriz de Massapê. norte cearense, para rezar
ouvindo a "Ave Maria", de Charles Gounod, tocada, num harmônio, por sua
filha Enoi, cega e muda de nascença - neste crepúsculo de agora, não menos
rutilante, o sol meteu um raio através da vidraça e iluminou de face, duas pedras
postas ao pé da estante, bem junto da bengala avoenga, seixos rolados ornando
recanto desta sala sombria cheia de coisas e de recordações, como a da avó.
Uma das pedras, em forma de uma bola ovalada do tamanho de uma mão, veio
do rio Corumbá, Pirinópolis, apanhada depois da festa de ano novo de 1983,
a data deveria estar inscrita numa de suas rotundas faces, como lápide dos dias
idos a vagar soltos na memória esgarçada, sem registro lapidar.
A outra, menor, também branca e arredondada, mas chata, sem
qualquer grafia em suas faces, veio de longe, da praia do Camocim,
ali o rio Coreaú derramando suas poucas águas no Atlântico, no Ceará,
onde chorei meus primeiros desencantos, aos 10 anos.
Mas esta pedrinha a apanhei depois, bem depois, desiludido, quando lá fui,
Já velho, procurar ( não encontrei) os dias de eu menino. As duas pedras,
brancas como o leito dos rios que já foram, rememoram as idades, o sol
insiste em luz sobre suas faces mortas não inscritas, mas cheias de visões.
Enquanto há luz crepuscular e recordativa, a visão sobe e ilumina, na mesma
estante, alto do chão, um barco que nunca navegou: tem dois palmos, convés
baixo, imita rebocador: na coberta superior dá proa carrega, como únicos marujos,
dois copinhos; na meia nau, uma achatada garrafa de cristal, continente translúcido
de avinhados sonhos, lembrança de velhos dias e amoráveis encontros com meu pai
Raymundo Olavo que já se foi sem dizer adeus mas deixou a saudade feito barco
em miniatura navegando em minha estante me enchendo de etílicos sonhos, com
dois copos para mim mesmo que vivo e libo solitário.
Os raios do sol ainda me iludem e varam a vidraça mostrando uma coruja feia,
esculpida num tronco, e pousada em ilusórios livros também de madeira. Pássaro
de inaudita face, grandes asas fechadas sobre o tronco curto, sem vôo algum, veio
de longe. Seus cornos e seus olhos apagados são de depois dos amores praianos
da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, aí como dói ser antigo, vive-se olhando
para si mesmo a - fealdade da coruja - perdidos os encantos juvenis.
Atrás da coruja, em elegante moldura, o sol, que ainda insiste em iluminar esta
pequena sala em que abrigo meus desencantos, velhos e novos, mostra um antigo
retrato de dois jovens sob a chuva caminhando, metidos em capas de "shantung",
na Avenida Barão do Rio Branco, no Rio de Janeiro: eu mesmo quando ainda
freqüentava as alegres casas da rua Alice, metido num fato de casimira preta
riscado de listas brancas que a capa de todo não escondia, fumando o cigarro da
ilusão; e ao lado, meu inesquecível amigo Bolívar (Bolivár, como se dizia) Costa,
natural de Ubajara da Serra Grande, Ceará, mas o único cosmopolita que já vira,
capaz de dissertar sobre Arist6teles ou Platão e dizer quantas faces tem o universo,
curvo ou plano, medieval ou eisensteiniano e, por entre sabença, o gosto pela arte
literária, a recitar António Nobre, o "Auto das Ânsias": "Desde o Ódio ao Tédio.
Moléstias dAlma para as quais não há remédio". Igual só ao meu nojo de agora,
neste crepúsculo... Morreu, o Bolivár, quando não devia. deixando-me a imagem
de minha inovidável mocidade, o retrato na parede, perto da estante e da coruja,
mostrando minha antigüidade e a sua irreparável ausência.
O sol e seus persistentes raios vão subindo - quanto mais sobem mais vai se
indo para o poente o astro - e vejo um pássaro pousado sobre dicionários. Pequeno,
feito não sei de que matéria, veio da China, bico amarelo, cocuruto erguido em crista,
rabo longo, fecha as asas sobre altaneiro corpo, nunca voou desde que o comprei em
Manaus, quando lá fui com minha amada Neide, faz anos, ver como correm os rios e
como voam os pássaros, não este pousado em minhas ilusões. Não sei que música
tocando na eletrola, me diz: - Passarinhos são assim mesmo, só os vemos quando
pousados, se voam nunca mais os veremos, sonhos perdidos.
Perto do memorável passarinho quietíssimo, umas rubras rosas de plástico -
puros enganos - postas em esgalgados jarros, dois, de pedra sabão: tudo, sob os
últimos raios do sol, tediosas evocações - a avó encantadora da infância, o
sortilégio das pedras, dos rios, o barco navegando em seco nas recordações
paternas, a soturna coruja e o fascínio do pássaro imóvel, os rapazes do
retrato na parede, as rosas vermelhas dos sonhos, tudo se foi, tudo se vai,
o sol morrendo, eu vendo, pela janela, seu descair no horizonte fugidio e,
no escuro de agora, as incertezas de outro amanhecer, trevas, talvez, para
sempre ...
Brasília, ao crepúsculo do dia 21 de fevereiro de 1996.
Guerra Junqueira
Crepúsculo flamejante - nesta hora a minha avó Carmelina (há quanto tempo?)
entrava na nave escura da igreja matriz de Massapê. norte cearense, para rezar
ouvindo a "Ave Maria", de Charles Gounod, tocada, num harmônio, por sua
filha Enoi, cega e muda de nascença - neste crepúsculo de agora, não menos
rutilante, o sol meteu um raio através da vidraça e iluminou de face, duas pedras
postas ao pé da estante, bem junto da bengala avoenga, seixos rolados ornando
recanto desta sala sombria cheia de coisas e de recordações, como a da avó.
Uma das pedras, em forma de uma bola ovalada do tamanho de uma mão, veio
do rio Corumbá, Pirinópolis, apanhada depois da festa de ano novo de 1983,
a data deveria estar inscrita numa de suas rotundas faces, como lápide dos dias
idos a vagar soltos na memória esgarçada, sem registro lapidar.
A outra, menor, também branca e arredondada, mas chata, sem
qualquer grafia em suas faces, veio de longe, da praia do Camocim,
ali o rio Coreaú derramando suas poucas águas no Atlântico, no Ceará,
onde chorei meus primeiros desencantos, aos 10 anos.
Mas esta pedrinha a apanhei depois, bem depois, desiludido, quando lá fui,
Já velho, procurar ( não encontrei) os dias de eu menino. As duas pedras,
brancas como o leito dos rios que já foram, rememoram as idades, o sol
insiste em luz sobre suas faces mortas não inscritas, mas cheias de visões.
Enquanto há luz crepuscular e recordativa, a visão sobe e ilumina, na mesma
estante, alto do chão, um barco que nunca navegou: tem dois palmos, convés
baixo, imita rebocador: na coberta superior dá proa carrega, como únicos marujos,
dois copinhos; na meia nau, uma achatada garrafa de cristal, continente translúcido
de avinhados sonhos, lembrança de velhos dias e amoráveis encontros com meu pai
Raymundo Olavo que já se foi sem dizer adeus mas deixou a saudade feito barco
em miniatura navegando em minha estante me enchendo de etílicos sonhos, com
dois copos para mim mesmo que vivo e libo solitário.
Os raios do sol ainda me iludem e varam a vidraça mostrando uma coruja feia,
esculpida num tronco, e pousada em ilusórios livros também de madeira. Pássaro
de inaudita face, grandes asas fechadas sobre o tronco curto, sem vôo algum, veio
de longe. Seus cornos e seus olhos apagados são de depois dos amores praianos
da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, aí como dói ser antigo, vive-se olhando
para si mesmo a - fealdade da coruja - perdidos os encantos juvenis.
Atrás da coruja, em elegante moldura, o sol, que ainda insiste em iluminar esta
pequena sala em que abrigo meus desencantos, velhos e novos, mostra um antigo
retrato de dois jovens sob a chuva caminhando, metidos em capas de "shantung",
na Avenida Barão do Rio Branco, no Rio de Janeiro: eu mesmo quando ainda
freqüentava as alegres casas da rua Alice, metido num fato de casimira preta
riscado de listas brancas que a capa de todo não escondia, fumando o cigarro da
ilusão; e ao lado, meu inesquecível amigo Bolívar (Bolivár, como se dizia) Costa,
natural de Ubajara da Serra Grande, Ceará, mas o único cosmopolita que já vira,
capaz de dissertar sobre Arist6teles ou Platão e dizer quantas faces tem o universo,
curvo ou plano, medieval ou eisensteiniano e, por entre sabença, o gosto pela arte
literária, a recitar António Nobre, o "Auto das Ânsias": "Desde o Ódio ao Tédio.
Moléstias dAlma para as quais não há remédio". Igual só ao meu nojo de agora,
neste crepúsculo... Morreu, o Bolivár, quando não devia. deixando-me a imagem
de minha inovidável mocidade, o retrato na parede, perto da estante e da coruja,
mostrando minha antigüidade e a sua irreparável ausência.
O sol e seus persistentes raios vão subindo - quanto mais sobem mais vai se
indo para o poente o astro - e vejo um pássaro pousado sobre dicionários. Pequeno,
feito não sei de que matéria, veio da China, bico amarelo, cocuruto erguido em crista,
rabo longo, fecha as asas sobre altaneiro corpo, nunca voou desde que o comprei em
Manaus, quando lá fui com minha amada Neide, faz anos, ver como correm os rios e
como voam os pássaros, não este pousado em minhas ilusões. Não sei que música
tocando na eletrola, me diz: - Passarinhos são assim mesmo, só os vemos quando
pousados, se voam nunca mais os veremos, sonhos perdidos.
Perto do memorável passarinho quietíssimo, umas rubras rosas de plástico -
puros enganos - postas em esgalgados jarros, dois, de pedra sabão: tudo, sob os
últimos raios do sol, tediosas evocações - a avó encantadora da infância, o
sortilégio das pedras, dos rios, o barco navegando em seco nas recordações
paternas, a soturna coruja e o fascínio do pássaro imóvel, os rapazes do
retrato na parede, as rosas vermelhas dos sonhos, tudo se foi, tudo se vai,
o sol morrendo, eu vendo, pela janela, seu descair no horizonte fugidio e,
no escuro de agora, as incertezas de outro amanhecer, trevas, talvez, para
sempre ...
Brasília, ao crepúsculo do dia 21 de fevereiro de 1996.
1 083
Carlos Falck
Primeira Tentativa para a Busca da Infância Perdida
Quanto tempo se esvai pela vidraça
agora que a manhã se determina
em pássaro e mentira e vai em vôo
pra nunca mais sequer imaginar,
a branquidão dos muros da infância;
quanto tempo depõe-se nesse olhar
oceano em vazante,
lua em minguante,
peixe em quadrante;
musa aérea passa em seu navio de vidro
e inventa horizontes,
e cria rios,
e deixa do manto azul as lantejoulas frias
que vão boiando em ar e claridade.
Quanto tempo...
quanto vento desfazendo traços
desfazendo braços
que retêm rosas;
quanto tempo nascendo para ser esquecido,
confundido com as nuances sem vida do inverno.
Vem primeiro o cavalo de brinquedo e relincha no quintal;
tem brida e estribos,
tem nos olhos as histórias ouvidas, repetidas;
mas se dissolve logo: resta um templo,
flor entendida como adeus,
rios sob pontes
e um trem cheio de ninguém
atravessando a solidão de um vale
aprendido na Bíblia,
cheio de pastores e flautistas,
cheio de estampas amarelas
dos primeiros livros da escola.
E nada sobrevive.
E nada pode manter a vida em si
como uma pedra olhada num momento de tristeza.
O mundo é a cidade da infância:
se anda pelas ruas na esperança
de ver o mais famoso dos gigantes,
ou mesmo o alado alazão que seria
mais veloz que o próprio vento
e mais constante no rosto,
ou no retângulo breve da janela.
Eis a cidade: festa, bandeirinhas de papel,
o coração se abriga nos ruídos
e se perde um pouco
nas cores pobres das barracas.
Quer-se uma andorinha pousada,
um caramujo lento,
uma menina de tranças,
uma violeta na relva,
uma borboleta na brisa;
quer-se o mundo inteiro em suas coisas puras,
mas apenas instalam o telefone;
e nada sabem do pranto se em vez de lágrimas se deixa de falar:
as mãos puxando a gola de um marinheiro sem mar,
sem navio, e sem espada,
e mesmo sem um mapa de tesouro;
dói sempre ter as coisas mutiladas:
ser criança é assim.
Primeiro vem o cavalo da infância
e a lembrança de todas as batalhas
havia um corta-vento silencioso
que me lembrava os moinhos de Don Quixote;
havia, tudo e tudo se perdia
na alma do menino que crescia,
do menino zangado com os padres, zangado com o rádio,
zangado com a escola cheia de castigos.
Quanto tempo se esvai entre um menino e um homem.
Há entre os dois apenas a lembrança de uma incineração:
a dos sonhos.
Alertas, as mãos se estendem
para sentir no rosto o que se teve
como prêmio do tempo...
Tudo é chorar, é sentir que se dissolvem as nuvens
onde se descobria
ilustrações de histórias de Perrault.
Um sopro estranho faz rugir as telhas.
É a hora branca da manhã que vem.
olhos sem destino espiam da escuridão:
descobrem um homem triste, um homem em riste
um homem que não grita mas se sente tão louco,
tão ainda a nascer neste morrer sem trégua
do mundo da razão .
agora que a manhã se determina
em pássaro e mentira e vai em vôo
pra nunca mais sequer imaginar,
a branquidão dos muros da infância;
quanto tempo depõe-se nesse olhar
oceano em vazante,
lua em minguante,
peixe em quadrante;
musa aérea passa em seu navio de vidro
e inventa horizontes,
e cria rios,
e deixa do manto azul as lantejoulas frias
que vão boiando em ar e claridade.
Quanto tempo...
quanto vento desfazendo traços
desfazendo braços
que retêm rosas;
quanto tempo nascendo para ser esquecido,
confundido com as nuances sem vida do inverno.
Vem primeiro o cavalo de brinquedo e relincha no quintal;
tem brida e estribos,
tem nos olhos as histórias ouvidas, repetidas;
mas se dissolve logo: resta um templo,
flor entendida como adeus,
rios sob pontes
e um trem cheio de ninguém
atravessando a solidão de um vale
aprendido na Bíblia,
cheio de pastores e flautistas,
cheio de estampas amarelas
dos primeiros livros da escola.
E nada sobrevive.
E nada pode manter a vida em si
como uma pedra olhada num momento de tristeza.
O mundo é a cidade da infância:
se anda pelas ruas na esperança
de ver o mais famoso dos gigantes,
ou mesmo o alado alazão que seria
mais veloz que o próprio vento
e mais constante no rosto,
ou no retângulo breve da janela.
Eis a cidade: festa, bandeirinhas de papel,
o coração se abriga nos ruídos
e se perde um pouco
nas cores pobres das barracas.
Quer-se uma andorinha pousada,
um caramujo lento,
uma menina de tranças,
uma violeta na relva,
uma borboleta na brisa;
quer-se o mundo inteiro em suas coisas puras,
mas apenas instalam o telefone;
e nada sabem do pranto se em vez de lágrimas se deixa de falar:
as mãos puxando a gola de um marinheiro sem mar,
sem navio, e sem espada,
e mesmo sem um mapa de tesouro;
dói sempre ter as coisas mutiladas:
ser criança é assim.
Primeiro vem o cavalo da infância
e a lembrança de todas as batalhas
havia um corta-vento silencioso
que me lembrava os moinhos de Don Quixote;
havia, tudo e tudo se perdia
na alma do menino que crescia,
do menino zangado com os padres, zangado com o rádio,
zangado com a escola cheia de castigos.
Quanto tempo se esvai entre um menino e um homem.
Há entre os dois apenas a lembrança de uma incineração:
a dos sonhos.
Alertas, as mãos se estendem
para sentir no rosto o que se teve
como prêmio do tempo...
Tudo é chorar, é sentir que se dissolvem as nuvens
onde se descobria
ilustrações de histórias de Perrault.
Um sopro estranho faz rugir as telhas.
É a hora branca da manhã que vem.
olhos sem destino espiam da escuridão:
descobrem um homem triste, um homem em riste
um homem que não grita mas se sente tão louco,
tão ainda a nascer neste morrer sem trégua
do mundo da razão .
760
Carlos Eduardo Bandeira de Mello Gomes
O Silêncio
O silêncio
morre na boca azul da lua
"temos todo o tempo do mundo"
só não tenho tempo de viver
mas vivo, claro verbo profundo
"parece cocaína mas é só tristeza"
o silêncio
nasce no ventre branco do lírio
passa o colírio
e uma gota de orvalho do teu incêndio
morre na boca azul da lua
"temos todo o tempo do mundo"
só não tenho tempo de viver
mas vivo, claro verbo profundo
"parece cocaína mas é só tristeza"
o silêncio
nasce no ventre branco do lírio
passa o colírio
e uma gota de orvalho do teu incêndio
851
Alexandre S. Santos
Hora Tardia
Não falta a cadência dos sentidos ignotos
perscrutando as incontáveis horas mortas
sobre o véu insondável do tempo esquecido.
Não resta a peripécia da mente excitada
gozando a possível resposta à esfinge famigerada.
Não importam os piscares vítreos dissimulando
os afagos, dando corda às batidas no peito.
Não há traços da saliva que silenciara
os poemas, mortos antes do parto.
Não mais o sentido dos corpos,
a ilusão do desejo incontido,
das mortes pequenas.
Não!
Findou a vida e transpus
o portal da morte, perguntando:
por que não aprendi a amar?
perscrutando as incontáveis horas mortas
sobre o véu insondável do tempo esquecido.
Não resta a peripécia da mente excitada
gozando a possível resposta à esfinge famigerada.
Não importam os piscares vítreos dissimulando
os afagos, dando corda às batidas no peito.
Não há traços da saliva que silenciara
os poemas, mortos antes do parto.
Não mais o sentido dos corpos,
a ilusão do desejo incontido,
das mortes pequenas.
Não!
Findou a vida e transpus
o portal da morte, perguntando:
por que não aprendi a amar?
998
Assis Garrido
Trovas
Tic-tac... E a mocidade
vai-se, e aparece a velhice...
Tic-tac... Ai, que saudade
dos tempos da meninice!...
O amor, que em sonhos espreito,
eu teu coração não medra:
Será por acaso feito
o teu coração de pedra?
Eu era um só. Tu surgiste —
e assim ficamos os dois:
Depois, eu vi que mentiste,
e um só me tornei, depois!
Foge-me a tua conquista,
vou-me embora, — por que não? —
Quanto mais longe da vista,
mais longe do coração...
Minha filha, pobre rosa,
vê quanto sofro, querida,
ao pressentir ver trevosa
a estrada de tua vida!
vai-se, e aparece a velhice...
Tic-tac... Ai, que saudade
dos tempos da meninice!...
O amor, que em sonhos espreito,
eu teu coração não medra:
Será por acaso feito
o teu coração de pedra?
Eu era um só. Tu surgiste —
e assim ficamos os dois:
Depois, eu vi que mentiste,
e um só me tornei, depois!
Foge-me a tua conquista,
vou-me embora, — por que não? —
Quanto mais longe da vista,
mais longe do coração...
Minha filha, pobre rosa,
vê quanto sofro, querida,
ao pressentir ver trevosa
a estrada de tua vida!
1 163
Caio Valério Catulo
Gozemos a vida, Lésbia
V
Gozemos a vida, Lésbia, fazendo amor,
desprezando o falatório dos velhos puritanos.
A luz do sol pode morrer e renascer
mas a nós, quando de vez se nos apaga a breve luz da vida,
resta-nos dormir toda uma noite sem fim.
Beija-me mil vezes, mais cem;
outras mil, outras cem.
Depois, quando tivermos ajuntado muitos milhares,
vamos baralhá-los, perdendo-lhes a conta,
para que nenhum invejoso, incapaz de contar beijos tantos,
possa mau-olhado nos lançar.
Gozemos a vida, Lésbia, fazendo amor,
desprezando o falatório dos velhos puritanos.
A luz do sol pode morrer e renascer
mas a nós, quando de vez se nos apaga a breve luz da vida,
resta-nos dormir toda uma noite sem fim.
Beija-me mil vezes, mais cem;
outras mil, outras cem.
Depois, quando tivermos ajuntado muitos milhares,
vamos baralhá-los, perdendo-lhes a conta,
para que nenhum invejoso, incapaz de contar beijos tantos,
possa mau-olhado nos lançar.
1 872
Artur Eduardo Benevides
De um Tema de Ronsard
Por que, tão bela sendo, me maltratas,
Se sabes que me dóis e me magoas
E me deixas igual a essas pessoas
De almas quase errantes, inexatas?
Abri-te a porta e a vida, mas me matas
E não ouves as súplicas e loas.
Eu te daria tantas cousas boas,
Mas te afastas qual som de serenatas.
A vida é curta, Amada, para tudo.
O tempo fica logo tão desnudo
Que brilho, e sonho, e viço — tudo passa.
Só temo que se um dia resolveres
Aceitar de uma vez os meus quereres
Eu já seja, num cais, velha barcaça.
Se sabes que me dóis e me magoas
E me deixas igual a essas pessoas
De almas quase errantes, inexatas?
Abri-te a porta e a vida, mas me matas
E não ouves as súplicas e loas.
Eu te daria tantas cousas boas,
Mas te afastas qual som de serenatas.
A vida é curta, Amada, para tudo.
O tempo fica logo tão desnudo
Que brilho, e sonho, e viço — tudo passa.
Só temo que se um dia resolveres
Aceitar de uma vez os meus quereres
Eu já seja, num cais, velha barcaça.
1 266
Artur Eduardo Benevides
Soneto de Mágoa e de Esperança
Por que de mim te alongas ou te afastas?
Será que em ti perdi meu gesto e rosto?
As minhas horas todas já são gastas
Em sonhar-te ditosa ou sem desgosto.
És glória, luz e amor. E eu? Sol-posto.
Mas, fugindo de mim, tu me vergastas
E deixas-me ferido, e pobre, exposto
Às vinganças do tempo, iconoclastas.
Para agradar-te, finjo que sou jovem.
Busco enganar-te, a ver se te comovem
As palavras que oferto, de afeição,
A fim de que, qual dádiva, me olhes
Com toda a tua graça e não desfolhes
As pétalas da última ilusão.
Será que em ti perdi meu gesto e rosto?
As minhas horas todas já são gastas
Em sonhar-te ditosa ou sem desgosto.
És glória, luz e amor. E eu? Sol-posto.
Mas, fugindo de mim, tu me vergastas
E deixas-me ferido, e pobre, exposto
Às vinganças do tempo, iconoclastas.
Para agradar-te, finjo que sou jovem.
Busco enganar-te, a ver se te comovem
As palavras que oferto, de afeição,
A fim de que, qual dádiva, me olhes
Com toda a tua graça e não desfolhes
As pétalas da última ilusão.
1 636
Angelo Augusto Ferreira
Compasso da Canção
A vida bate sem dó
Tocando a canção do aprendizado
Devagar
Notas contadas
No compasso de sustos
Vezes sem afetos
Desorientados
Cautelosos
Expectáveis no porvir!
A vida bate sem dó
Caminhar louco
Todo cuidado é pouco.
O bem maior perdeu-se
Sem explicação
Desapareceu na fumaça dos fatos
Nas risadas do chopp
Perdidos nos esgotos da vida.
A vida bate sem dó
Sem avisar
Nos sustos
Nos beijos
Abraços
Alegrias
Dos risos.
Flores que persistem
Nos corações
Mentes infinitas
Supridos nos choques da saudade!
Tocando a canção do aprendizado
Devagar
Notas contadas
No compasso de sustos
Vezes sem afetos
Desorientados
Cautelosos
Expectáveis no porvir!
A vida bate sem dó
Caminhar louco
Todo cuidado é pouco.
O bem maior perdeu-se
Sem explicação
Desapareceu na fumaça dos fatos
Nas risadas do chopp
Perdidos nos esgotos da vida.
A vida bate sem dó
Sem avisar
Nos sustos
Nos beijos
Abraços
Alegrias
Dos risos.
Flores que persistem
Nos corações
Mentes infinitas
Supridos nos choques da saudade!
880
César Vallejo
X DE TRILCE
Pristina e última pedra de infundada
ventura, acaba de morrer
com alma e tudo, Outubro, quarto, e grávida.
De três meses de ausente e dez de doce.
Como o destino, mitrado monodáctilo, ri.
Como por trás se despejam juntas
de contrários. Como sempre assoma o algarismo
abaixo da linha de todo o avatar.
Como chanfram as baleias a pombas.
Como por sua vez estas deixam o bico
na terceira asa cubicado.
Como cavalgamos, de cara para monótonas ancas.
Reboca-se dez meses para a dezena,
para outro mais além.
Dois quedam pelo menos nas fraldas todavia.
E os três meses de ausência.
E os nove de gestação.
Não há sequer violência.
O paciente encorpora-se,
e sentado empavoa tranquilas misturas.
ventura, acaba de morrer
com alma e tudo, Outubro, quarto, e grávida.
De três meses de ausente e dez de doce.
Como o destino, mitrado monodáctilo, ri.
Como por trás se despejam juntas
de contrários. Como sempre assoma o algarismo
abaixo da linha de todo o avatar.
Como chanfram as baleias a pombas.
Como por sua vez estas deixam o bico
na terceira asa cubicado.
Como cavalgamos, de cara para monótonas ancas.
Reboca-se dez meses para a dezena,
para outro mais além.
Dois quedam pelo menos nas fraldas todavia.
E os três meses de ausência.
E os nove de gestação.
Não há sequer violência.
O paciente encorpora-se,
e sentado empavoa tranquilas misturas.
844
Raimundo Braga Martins
Ausência Sentida
Ausência Sentida
O Verão se foi, o Inverno chegou...
A chuva "molha o chão e molha a alma"
com a saudade que sempre nos restou
imersos neste mar de imensa calma!
Se estamos mudos, a mudez é um trauma
que em nós reflete a insensatez do amor...
Volta a poesia - o soneto é a palma:
reanima a vida, minorando a dor.
Tudo passa: o Tempo casa com a Terra...
Voa, com as horas, à amplidão dos ares
e não mais torna às plagas dos palmares.
Gera, com a Terra, os frutos nos pomares,
Sazona a espiga... Embranquece a serra...
Com as cãs da idade, nossa vida encerra.
O Verão se foi, o Inverno chegou...
A chuva "molha o chão e molha a alma"
com a saudade que sempre nos restou
imersos neste mar de imensa calma!
Se estamos mudos, a mudez é um trauma
que em nós reflete a insensatez do amor...
Volta a poesia - o soneto é a palma:
reanima a vida, minorando a dor.
Tudo passa: o Tempo casa com a Terra...
Voa, com as horas, à amplidão dos ares
e não mais torna às plagas dos palmares.
Gera, com a Terra, os frutos nos pomares,
Sazona a espiga... Embranquece a serra...
Com as cãs da idade, nossa vida encerra.
865
Raimundo Braga Martins
O Tempo e o Homem
O Tempo e o Homem
Irrompe, no horizonte, a fraca luz da aurora,
o Sol volta a brilhar
surge um novo dia...
Quanta alegria!
Rompe a luz o denso véu da noite:
a treva se desfaz,
a vida se agita...
a alegria é infinita!
A Terra, em torno do Sol, se movimenta,
sem parar,
em rotação,
em translação!
E nós, também, estamos neste "gira, gira",
que a vida nos obriga
pra sobreviver,
pra não morrer!
É a luta do cotidiano: das horas, dos dias e dos anos
com o tempo caminhando,
intemeratos,
intimoratos!
O tempo passa... E, com ele, nós também passamos!
Ele não volta,
nós não voltamos...
Para a morte caminhamos
Irrompe, no horizonte, a fraca luz da aurora,
o Sol volta a brilhar
surge um novo dia...
Quanta alegria!
Rompe a luz o denso véu da noite:
a treva se desfaz,
a vida se agita...
a alegria é infinita!
A Terra, em torno do Sol, se movimenta,
sem parar,
em rotação,
em translação!
E nós, também, estamos neste "gira, gira",
que a vida nos obriga
pra sobreviver,
pra não morrer!
É a luta do cotidiano: das horas, dos dias e dos anos
com o tempo caminhando,
intemeratos,
intimoratos!
O tempo passa... E, com ele, nós também passamos!
Ele não volta,
nós não voltamos...
Para a morte caminhamos
813
Raimundo Bento Sotero
O trágico destino das palavras
Outro dia encontrei, por mero acaso,
Um livro, um tanto velho, amarelado,
Carcomido do tempo, mui traçado.
Era um clássico entregue ao vil descaso.
Prontamente o peguei naquele azo,
Ia ler; mas fiquei embaraçado
No português há muito desusado.
Pensei comigo: tudo tem ocaso.
A palavra é tal qual a criatura.
Esta ao nascer já ganha a sepultura
E trás a extrema-unção no batistério.
Aquela também morre, entretanto,
Fica por lá jazendo no seu canto,
Pois o livro é o seu próprio cemitério.
Um livro, um tanto velho, amarelado,
Carcomido do tempo, mui traçado.
Era um clássico entregue ao vil descaso.
Prontamente o peguei naquele azo,
Ia ler; mas fiquei embaraçado
No português há muito desusado.
Pensei comigo: tudo tem ocaso.
A palavra é tal qual a criatura.
Esta ao nascer já ganha a sepultura
E trás a extrema-unção no batistério.
Aquela também morre, entretanto,
Fica por lá jazendo no seu canto,
Pois o livro é o seu próprio cemitério.
957
Manuel Alegre
Página
outro é o tempo
outra a medida
tão grande a página
tão curta a escrita
entre o achigã e a perdiz
entre chaparro e choupo
tanto país
e tão pouco
outra a medida
tão grande a página
tão curta a escrita
entre o achigã e a perdiz
entre chaparro e choupo
tanto país
e tão pouco
2 612
Renier Dias Pereira
Impulso
Impulso
A paixão, semente que nasce
em meu coração clama por
receber uma luz que ebúrnea
do meu sonho
Sentimentos ilhados na
escuridão do infinito
gemem de paixão em
busca da perfeição
Muitissimamente calado
corrói a flor que
brota de uma tristeza
risonha
Finalmente a escuridão
se vai, deixando as
marcas de sua infinita
dor
Resta agora uma caminhada
longa e cruel em busca
de uma nova vida guiada
pelo amor
Chega-se ao final, nada
nos espera, olhamos pela
janela a nossa vida
que passou.
A paixão, semente que nasce
em meu coração clama por
receber uma luz que ebúrnea
do meu sonho
Sentimentos ilhados na
escuridão do infinito
gemem de paixão em
busca da perfeição
Muitissimamente calado
corrói a flor que
brota de uma tristeza
risonha
Finalmente a escuridão
se vai, deixando as
marcas de sua infinita
dor
Resta agora uma caminhada
longa e cruel em busca
de uma nova vida guiada
pelo amor
Chega-se ao final, nada
nos espera, olhamos pela
janela a nossa vida
que passou.
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